Veículos

Revista Mercado Edição 42 - maio 2011

Deu branco no mercado de autos

POR Amanda Célio e Evaldo Pighini

A Mitsubishi voltou a apostar na cor branca para seus veículos: no detalhe, o crossover compacto ASX

Após ser estigmatizado como cor para carros de frotas, o branco volta a estar em alta, estampando a lataria de carros novos destinados a outros públicos, principalmente o de carros de luxo

Quem diria que o branco, cor pouco procurada pelo consumidor e que já esteve em alta no passado, voltaria com força como vedete no mercado de automóveis, concorrendo com os procuradíssimos preto e prata. Isso porque, até pouco tempo, optar pela compra de um carro branco não era simplesmente uma questão de gosto, mas sim de economia, pois, além de mais barato, sua fama de arranhar e sujar com mais facilidade eram fatores que dificultavam a revenda. Isso, não bastasse o fato de o carro branco ter sido estigmatizado no Brasil como cor de veículos destinados a taxistas e frotistas.  Mas essa tendência, “felizmente”, está mudando.
Uma das explicações é dada por Franciele Drummond, responsável pelo marketing do Grupo Maqnelson, de Uberlândia, detentor da revenda da marca Mitusbishi para a região.  Segundo ela, a Maqnelson Mitsubishi está atenta às atualidades e ao comportamento dos consumidores de veículos, por isso, tem procurado diversificar mais a sua exposição de carros à venda, dando um maior espaço aos modelos de cor branca.  “A empatia está sendo imediata. Expusemos recentemente a ASX no branco perolizado e foi um sucesso. Depois disso, estamos optando por expor mais modelos dessa cor. Notamos que algumas concessionárias também já perceberam essa tendência e estão abrindo mais espaço em seus showrooms para carros brancos”, ressalta Franciele.
Fora do Brasil, em muitos lugares, os carros brancos não são minoria e nem classificados como veículos de frotas, ao contrário. Em países como os Emirados Árabes e o Bahrein, essa cor está na preferência de muitos xeiques, até porque combina com o clima desértico de cidades como Dubai e Manama, onde as temperaturas não são nada amenas.

Tendência é do branco em alta nos próximos anos

No último Salão de Frankfurt, a Volkswagen mostrou a cor branca em todos os lados do seu estande: nas paredes, no chão e, obviamente, na maioria dos carros. Na ocasião, o presidente da filial brasileira, Thomas Schmall, disse que uma das tendências que traria do evento para o Brasil seria a cor dos veículos. “Vai estar em alta nos próximos anos”, afirmou. Promessa feita e cumprida: o Fox chegou às lojas em novembro, tendo entre as cores disponíveis o branco cristal. “Queremos incentivar o consumidor a olhar para a cor branca, mas é claro que o preconceito não vai acabar tão cedo”, afirmou Fabrício Biondo, gerente-executivo de planejamento e marketing da VW.
O tal preconceito a que Biondo se refere, como já foi dito, é que em algumas cidades brasileiras, como Uberlândia, o branco é a cor escolhida para táxis, além dos carros de frota. Há também quem os chame de “ambulância”.  Contudo, sedãs como Civic, Jetta e Fusion já começam a ser cada vez mais vistos nessa cor.
Mas a tendência à cor branca não significa que a hegemonia do preto e do prata está ameaçada. Pelo menos na opinião do diretor da Jato Dynamics do Brasil, Luiz Carlos Augusto. Ele explica que até outubro do ano passado foram vendidos 9,72% de carros brancos, contra 9,47% em 2008 inteiro, portanto, houve um leve aumento. “Boa parte são frotistas, sim, mas esse número tende a crescer para o consumidor final com a oferta de outros lançamentos, como Agile ou Captiva pela General Motors”, observa.
Porém, nos segmentos de luxo e esportivos, o branco já é bem aceito. Que o diga Henry Visconde, diretor da Eurobike, rede que comercializa as marcas BMW, Audi, Land Rover, Volvo, Porsche e Mini. Ele garante que não há restrição por parte desse público. “Hoje, 15% dos meus carros vendidos são brancos, contra 70% de preto e prata.”
Por sua vez, a fabricante de tintas PPG é otimista sobre o futuro da nova cor. “Acreditamos que aqui, em 2015, a quantidade de modelos brancos nas ruas vai dobrar, subindo para 18%”, afirma Carlos Morelli, gerente de marketing da empresa.

A Volkswagen prometeu e cumpriu, investindo mais na cor para seus carros. Exemplo, o Fox branco cristal

Questão também é de conforto

Se você já teve a sensação de sol mais forte ao usar uma camisa preta, saiba que com o carro acontece o mesmo: uma carroceria escura, ao sol, esquenta bem mais que uma clara, transferindo essa diferença para o interior. Testes com automóveis pretos e brancos, por exemplo, revelaram temperatura interna superior em cerca de 10ºC no primeiro – fator de desconforto considerável. Isso acontece porque as cores escuras absorvem mais a luz e o calor, o que não ocorre com as claras, que os refletem – essa reflexão é que as torna mais visíveis. A regra vale também para o tom do revestimento interno, tornando incompreensível a preferência brasileira pelo acabamento preto.

Testes revelam que a temperatura interna de um automóvel branco exposto ao sol pode ser inferior em cerca de 10ºC em relação a um da cor preta - fator de conforto considerável

A diretora comercial da agência Wik Solutions, Naiana Roriza, decidiu pela compra de um carro branco e confirma todas as vantagens. “Eu já vinha notando que o branco era uma tendência no mercado automotivo. Então, quando fui comprar, já tinha uma preferência maior por essa cor. Avaliando prós e contras, percebi que o branco não esquenta tanto se o carro estiver no sol, que o visual é mais clean e que a pintura risca menos, o que torna a manutenção mais fácil. Além disso, eu gosto bastante da paz que o branco me passa, por isso acho que é a cor perfeita para um bem que considero tão importante como o meu carro”, justifica Naiana.
Não há como negar que na hora da compra a escolha da cor de um automóvel é muito importante, principalmente quando o alvo é um carro de luxo, que demanda maior investimento. Portanto, para não errar, é recomendável o cliente avaliar bem questões como preço de revenda e conforto, principalmente sob a luz do sol.

Amarelou?

Antigamente o carro branco amarelava com o passar do tempo. Mas, há cerca de 10 anos, isso não acontece mais. O motivo é que duas camadas, uma de tinta e outra de verniz especial, são aplicadas para evitar esse amarelamento, enquanto antes o carro recebia apenas a primeira. Uma dica para conservar a pintura branca é encerar o veículo duas vezes ao ano, pelo menos. Afinal, a cera dá brilho e não deixa fixar a sujeira.