Revista Mercado Edição 36
26º Salão Internacional do Automóvel
POR Evaldo Pighini - Editor

Cerca de 750 mil visitantes marcaram presença no Salão Internacional do Automóvel, no Anhembi, em São Paulo, conferindo aproximadamente 450 diferentes modelos de automóveis (40% dos quais novidades) de 42 marcas de montadoras, entre nacionais e importadas
A vigésima sexta edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, realizada de 27 de outubro a 7 de novembro de 2010 no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, foi um dos mais importantes capítulos de uma história de cinco décadas. Foram 12 dias de muitas novidades no evento que custou aproximadamente R$ 30 milhões e que superou todas as expectativas. Traduzindo o avanço do setor em produtos e tecnologias, o Salão se firmou como o principal evento de negócios da cidade de São Paulo e mais importante evento no calendário do setor automotivo da América Latina.

Na festa dos 50 anos do 26º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a imagem de uma história: o evento em seu segundo ano de realização, no ano do 1961
Agora, em 2010, a 26ª edição do Salão atraiu cerca de 750 mil visitantes, que conferiram aproximadamente 450 diferentes modelos de automóveis (40% dos quais novidades) de 42 marcas de montadoras, entre nacionais e importadas. Tudo isso montado em um cenário de 85 mil metros quadrados reservados para a exposição no Pavilhão do Anhembi.
O celebrado encontro da indústria automobilística com o público, segundo Juan Pablo De Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora e promotora do Salão, “teve um sabor a mais pela alta qualidade apresentada nos modelos atualizados de automóveis que estiveram em exposição em salões similares pelo mundo este ano”. Os 180 expositores, de acordo com ele, corresponderam ao clima de festa do evento, superando as expectativas também na forma de recepcionar o visitante, com atrações originais e muita interatividade entre os automóveis expostos e o público. “O 26º Salão Internacional do Automóvel se consagrou como o maior evento de negócios da cidade de São Paulo”, afirmou De Vera.

“O Salão é a vitrine pela qual a indústria brasileira de automóveis mostra seu posicionamento de importância no cenário internacional”, Cledorvino Belini, presidente da Anfavea
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Salão é a vitrine pela qual a indústria brasileira de automóveis mostra seu posicionamento de importância no cenário internacional. “O evento reflete o anseio do consumidor que vem ao evento para ver os produtos e encontra aqui o que está sendo lançado no mundo. O clima e o astral deste Salão são muito positivos, elevados pela característica própria do povo e do bom momento que o país vive. A indústria de automóveis se prepara para contabilizar um crescimento de 8% este ano, em relação a 2009”, afirma Belini – a indústria de automóveis no país projeta investir US$ 11,2 bilhões no triênio 2010-2012 (dados da Anfavea).
SP e Brasil em festa – Cercado de glamour, o Salão do Automóvel é considerado um presente para a cidade de São Paulo. Situado entre um dos cinco maiores eventos do mundo no seu gênero, gera volume financeiro de cerca de R$ 112 milhões para os cofres paulistanos. Pesquisa da SP Turis – empresa que gerencia o turismo local – dá conta de que toda a cadeia do turismo da metrópole é beneficiada, já que 40% do público do Salão é composto por visitantes de outras localidades do Brasil e do exterior.
Negócios - Sem deixar de lado o apelo institucional, o Salão reafirmou o seu papel de encontro de negócios. Já em fase final, o evento deixou o legado de perspectivas de vendas, conforme dirigentes dos principais fabricantes que participaram da atual edição.
Segundo Cledorvino Belini, que também é presidente da Fiat na América Latina, a empresa foi o expositor mais ousado do Salão, que se traduz na oportunidade de mostrar ao consumidor novas tecnologias, lançamentos, carros-conceito. “A empresa conseguiu o feito de ter sido a pioneira em colher informações dos usuários de seus automóveis para compor seu conceito Fiat MIO, prova da intensa interatividade da montadora com o consumidor. O lançamento do Bravo foi outro ponto alto do estande. No geral, pudemos medir a excelente receptividade do público pelo alto índice de visitação do estande, o espaço mais concorrido do evento”, disse Belini.

“Esta 26ª edição do Salão é, de fato, um grande marco da indústria e é uma satisfação para a GM estar presente nessa oportunidade, o que nos dá a certeza de que retornaremos ao Pavilhão do Anhembi em 2012”, José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors Brasil
“A indústria de automóveis está cada vez mais globalizada, com produtos que imprimem um caráter mundial em sua fabricação. A amostra e a mostra que é o Salão do Automóvel provam isso. Vivemos vários ciclos ao longo da trajetória da indústria, desde o advento do etanol, que colocou o Brasil na posição de destaque como o único país do mundo a ter um sistema alternativo de combustível. Esta 26ª edição do Salão é um grande momento não só de comemoração, mas para a indústria, que tem no evento reunidas todas as marcas nacionais e internacionais. É, de fato, um grande marco da indústria e é uma satisfação para a GM estar presente nessa oportunidade, o que nos dá a certeza de que retornaremos ao Pavilhão do Anhembi em 2012”, assinalou José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors Brasil.
“A Chery Brasil realizou a venda de 78 veículos (até o sábado, dia 6) durante o Salão. Tivemos a visita de 1.685 empresas para novas concessionárias. Para a Chery Brasil, o Salão do Automóvel foi além das expectativas”, afirmou Bia Bryan, da comunicação corporativa da Chery Brasil.
“O evento melhorou muito em qualificação do público e movimento de pessoas no Pavilhão. O visitante demonstra interesse real em conhecer os nossos produtos. O evento é um dos momentos mais importantes para a marca. Este é o quarto Salão de que a empresa participa e o segundo em que é parceira como patrocinadora”, disse o gerente de marketing e comunicação da Pioneer André, Ricardo Andrade.
Curiosidade - Nos 50 anos do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a festa foi estrangeira. As maiores novidades apresentadas vieram de fora – Estados Unidos, Alemanha, México, Argentina, Coréia e China. Muito pouco do que se viu foi brasileiro – o que expõe lentidão e dificuldade de competitividade da indústria, além de deixar claro como está aguçado o apetite dos “internacionais” pelo quarto maior mercado do mundo.

Os estrangeiros tomaram conta do cenário durante a 26ª edição do Salão Internacional do Automóvel: em destaque, o BMW Vision
Mesmo nas quatro grandes montadoras que dominam 76% do mercado nacional, não faltaram exemplos do domínio estrangeiro. Os destaques que dominaram as apresentações da Ford foram: o mexicano Fusion híbrido (R$ 133 mil), o canadense Edge 2011 (R$ 122 mil) e o conceito Start. Na General Motors, que já conhece o sucesso de vendas da mexicana Captiva, os norte-americanos Malibu (R$ 86 mil) e Camaro (R$ 185 mil), além do australiano Omega (R$ 128 mil), versão especial Emerson Fittipaldi. Na Volkswagen, dominaram as atenções a argentina Amarok cabine simples e o mexicano Jeta, totalmente reestilizado. Só a Fiat exibiu timidamente o Bravo, que vai ser lançado no mercado nacional ainda este ano.
Se as estabelecidas aqui (Ford, General Motors, Volkswagen e Fiat) não têm muito o que mostrar, quem vive só do que importa deu show. A Kia é uma delas. Audi, Mercedes Benz e BMW também. Só a Kia apresentou cinco novidades para o mercado brasileiro em seu estande, todas elas de tirar o fôlego. Uma delas é o SUV Sportage, que já chega na casa dos R$ 90 mil, e o cupê Koup, derivado do Cerato, que também dá origem a hatch exibida no Anhembi . O preço do Sportage está mais alto que o da versão anterior, porque dificilmente vai atender a demanda. Do mesmo grupo, a Hyundai veio com o belíssimo sedã Sonata.
O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo é organizado e promovido pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, com o patrocínio da Anfavea, copatrocínio da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) e o apoio do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

O importado Sonata, da coreana Hyundai
















