Turismo

Revista Mercado Edição 46 - outubro 2011

Curaçao – fácil de se apaixonar

Da Redação

Situada no Caribe, a 53 Km da costa Venezuelana, 64 Km a leste de Bonaire, e com 472 Km2 de área, Curaçao oferece uma boa estrutura turística, além de uma exuberante vida submarina. Essa ilha paradisíaca celebrou neste mês o seu primeiro ano como país

Curaçao, ilha paradisíaca localizada no Caribe, comemorou no dia 10 de outubro o seu primeiro ano como país. Sua história começa em 1499, quando, sob o comando de Alonso Ojeda, os marinheiros europeus foram os primeiros a pisar em Curaçao. Na época do descobrimento, a ilha era habitada por índios altos e robustos e, por isso, Alonso Ojeda denominou o local de a “Ilha dos Gigantes”. Tempos depois, o nome da Ilha foi trocado para Curaçao, e três são as hipóteses: os marinheiros abandonados na ilha curaram-se do escorbuto e passaram a chamá-la “Isla de Curación”; a segunda, a de que o nome seja proveniente da palavra portuguesa “coração”, porque mercadores portugueses consideravam a ilha o coração da região; e a última é a de que o nome talvez tenha sido dado em homenagem ao Sagrado Coração de Maria.
Logo após o descobrimento, Espanha, Holanda, França e Inglaterra começaram a disputar sua posse, pois consideravam a ilha um ponto comercial estratégico entre a Europa e a América. Em 1634, Curaçao transformou-se numa colônia holandesa. Em 1815, um tratado internacional deu a posse definitiva para a Holanda e, em 1954, o governo de Curaçao deixou de ser colônia. Finalmente, em 10 de outubro de 2010, com a extinção das Antilhas Holandesas, a ilha tornou-se um país autônomo.
Com uma belíssima arquitetura colonial holandesa e animado comércio, desde 1997, sua capital, Willemstad, que mais parece uma miniatura de uma cidade holandesa, é considerada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. É dividida ao meio pela Baía de Santa Ana, e a ponte móvel, Rainha Emma, construída em 1888, une as duas partes: Otrobanda (residencial) e Punda (comercial e turística). Aliás, essa ponte móvel é um espetáculo à parte, abrindo e fechando para dar passagem aos enormes transatlânticos de turismo, navios de guerra e de transporte que utilizam o porto.
A ilha também é conhecida como a “Holanda do Caribe”, e compreende uma área de 472 km2, ou seja, praticamente o mesmo tamanho de Florianópolis. Ao todo, são 38 praias e 40 baías, que podem ser desfrutadas sob um sol que brilha praticamente o ano inteiro. As águas são cristalinas e azuis, com temperaturas que variam entre 25 e 27 graus centígrados. A visibilidade atinge 40 metros de profundidade.
O holandês é a língua oficial, mas também se pode ouvir o inglês, espanhol e o “papiamento” – uma mistura de português, espanhol e inglês, devido à mistura de povos diferentes (raízes judaicas, portuguesas, holandesas e africanas), proporcionando uma rica diversidade cultural. O florim é a moeda oficial de Curaçao e vale cerca de 1,75 em relação ao dólar, que também é aceito em todas as lojas e restaurantes.
A temperatura média anual é de 27°C, com um índice pluviométrico muito baixo, criando um clima semiárido, semelhante ao encontrado no deserto do Arizona ou no nordeste brasileiro. Faz sol quase o ano inteiro e fortes ventos alísios sopram constantemente. Felizmente, a ilha está fora da rota de furacões que assolam a região caribenha.

Destino para qualquer turista

Curaçao conta com uma rede hoteleira muito bem estruturada. Existe, à disposição, uma variada gama de restaurantes e bares que servem desde massas italianas a frutos do mar, sempre em porções generosas e a um preço razoável. A vida noturna não é das mais agitadas, mas sempre se pode ir a um cassino ou assistir a um show de música e dança típicas da região. Alguns barzinhos e danceterias mais movimentados completam a noitada.
Um bom programa é visitar as cavernas existentes no lado oeste da ilha, no Parque Cristoffel, que contém pinturas dos primeiros habitantes da ilha. Conheça também o mercado flutuante do porto, onde se pode encontrar um pouco de tudo, desde frutas e legumes a peças de artesanato local.

Outro passeio interessante é o Sea Aquarium, que contém exemplares exóticos da região. Eles fecharam um pedaço do mar e colocaram dentro algumas espécies de peixes, arraias, tartarugas e tubarões. O visitante pode ver o fundo através de um barco com vigias de vidro ou ainda mergulhar no local, acompanhado de um guia do parque. Paredes de acrílico transparente separam o mergulhador da área dos tubarões. Um pequeno buraco nessa parede permite passar comida para os peixes, que avançam velozmente contra o acrílico para pegar a comida. É uma sensação forte.
Na ilha existem ainda opções para a prática de windsurf, esqui aquático e passeios de barco com fundo de vidro pelas áreas costeiras.

Mergulhos em Curaçao, uma atração à parte

A paisagem desértica da superfície contrasta com a exuberância da vida submarina do local. A visibilidade média é de 18 a 25 metros, chegando a 40 metros em alguns locais. A temperatura da água se mantém em torno de 26°C. As águas são calmas e oferecem uma rica variedade de corais, esponjas, algas e peixes tropicais. É incrível a diversidade de cores das esponjas, variando em tons de vermelho, violeta, marrom e amarelo.

Os recifes começam logo abaixo do nível da água e se estendem suavemente até os 10 ou 12 metros de profundidade, área conhecida como terraço. Nessa região, é possível encontrar enormes concentrações de peixes tropicais, que se aproximam sem medo dos visitantes, excelente para tomadas de fotos e filmagens. É obrigatório fazer um mergulho noturno nesses terraços.

Na extremidade dos terraços começa o paredão de coral, que cai abruptamente a várias dezenas de metros de profundidade. Suas magníficas formações são habitadas por interessantes e variadas formas de vida. É interessante levar alguma fonte de luz para enxergar o colorido das esponjas, corais e peixes que habitam o local.
Existem dezenas de points de mergulho em Curaçao, quase todos do lado oeste da ilha, mais ou menos protegidos dos ventos fortes. Para os iniciantes, uma boa pedida é Makos Mountains, lugar raso com visibilidade acima de 30 metros e uma diversidade de vida fantástica.

Ainda na costa oeste, encontra-se “The Car Pile”, um recife artificial formado por carros antigos afundados pelo pessoal da ilha para servir como atrativo turístico. É interessante ver o estado em que se encontram os velhos calhambeques, totalmente cobertos de cracas e habitados por uma infinidade de peixes, lagostas e moreias.

Para os adeptos de um naufrágio, uma boa opção é “Superior Producer”, cargueiro que afundou em 1978, quase em frente à Willemstad, estando a uma profundidade entre 27 a 34 metros. O navio está inteiro e é possível entrar em várias partes do seu interior sem maiores problemas.

10 motivos para visitar Curaçao

1 – Mergulhar em um dos mares mais lindos do mundo

Mesmo se você não é adepto do mergulho autônomo (aquele que precisa de cilindros e em que a profundidade é maior), não precisa se preocupar. O mar em Curaçao é tão claro, que é possível ver os peixes passando pelos seus pés no raso mesmo. Quem se aventurar com um cilindro, pode se maravilhar com cardumes coloridos, peixes de formatos variados e uma rica flora marinha.

2 – Experimentar Keshi Yena no Gouverneur

O prato mais tradicional de Curaçao é uma grande mistura: carne bovina, de frango e de peixe desfiadas, com pimentão verde e vermelho, azeitona, tomate, um ligeiro toque agridoce de uva passa, coberto por muito queijo do tipo Gouda. Não faça cara feia sem experimentar! É uma das grandes surpresas para o seu paladar. Com o calor que faz na ilha, o prato vai bem acompanhado de uma cerveja como a Amstel (normal ou Britght – que é mais suave). No local, a iluminação fica por conta de velas sobre a mesa e algumas lamparinas. A meia luz dá um clima especial ao ambiente informal, mas ao mesmo tempo chique do Gouverneur. Peça uma mesa perto da fonte ou nas janelas que dão para a baía e você poderá ver Punda à noite.

3 – Conhecer a história e saborear o tradicional Curaçao Blue

Quem nunca se fascinou com o azul intenso do licor Curaçao Blue? A bebida, como o nome indica, é feita no país e boa parte de sua produção ainda é artesanal. Como o solo da ilha não é muito fértil e o clima é muito seco, os pés de laranjas plantados pelos colonizadores espanhóis renderam frutas impróprias para o consumo. No século 19, uma família judia descobriu que podia extrair dessas frutas um licor saboroso: assim nasceu o Curaçao Blue.
Em uma visita à fábrica, você pode ver o trabalho de engarrafamento da bebida, descobrir em um painel explicativo como ela é feita, conhecer os diversos formatos de garrafas e, o mais interessante, experimentar os diversos sabores. É uma ótima opção se você quer trazer presentes para amigos e familiares. Ah, se resolver experimentar todos os sabores, vá de táxi para não sair de lá dirigindo!

4 – Desejar Bom Bini para a sua dushid

O papiamento é um idioma intrigante. Ao ouvi-lo, dá até a impressão de que você consegue distinguir algumas palavras, mas se os curaçolenhos dispararem a falar, com certeza você ficará perdido. O papiamento é uma mistura de holandês (a ilha foi colonizada pelos holandeses), português, espanhol, inglês e a língua dos nativos. Embora o idioma ensinado nas escolas seja o holandês, o papiamento é passado de pai para filho e falado em toda a ilha. O nome vem do verbo “papiar”, de papear mesmo, conversar. Algumas frases para se arriscar: “Bom Bini” (bom-dia), “Dushid” (querido/a), “Con ta bai? (como está?), “Danki” (obrigada).

5 – Praias paradisíacas, como Kenepa Grandi

Se as férias dos seus sonhos têm sempre uma praia com areia branca e águas tranquilas, cristalinas e tão azuis que chegam a doer nos olhos, você não pode deixar de visitar Kenepa Grandi. Sem exageros, o local realmente dá sentido à palavra “paraíso” e é o lugar perfeito para passar o dia relaxando. Sem dúvida, será a lembrança mais linda que terá de Curaçao. A praia fica a aproximadamente meia hora da capital do país, a oeste, e vale cada minuto da viagem. Os hotéis geralmente levam e trazem seus hóspedes, mas alugar um carro é uma boa dica para quem não quer se preocupar com horários. Cerca de seis quiosques garantem sombra durante todo o dia, já que, mesmo no inverno, Curaçao é quente (muito quente mesmo!). Protetor solar é um item indispensável.

6 – Museu Kura Hulanda

Não é só pela beleza que Curaçao impressiona os turistas, mas também pela riqueza cultural. Para conhecer melhor a história da ilha, uma visita ao museu Kura Hulanda é essencial. Entrar no local é uma viagem no tempo por meio de objetos, documentos, pinturas e esculturas. O tráfico de escravos é o tema principal. Na praça central, vista de frente, uma grande escultura mostra o rosto de um africano. Vista de lado, é o mapa da África, criação do artista Nel Simon. Vários jardins repletos de esculturas compõem o museu.

O Kura Hulanda foi construído pelo holandês Jacob Gelt Dekker exatamente no local onde antes existia uma senzala (que ainda permanece de pé). Réplicas de navios negreiros em miniatura, objetos utilizados para tortura e roupas de diferentes épocas ajudam a contar a história da ilha.

7 – Passeio pelas ruas coloridas da capital Willsmetad

A capital do país, Willemstad, é tombada como patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO. Dividida pela Baía de Santa Anna, cada lado tem características próprias. Em Punda, por exemplo, chama a atenção a arquitetura típica europeia e as cores vibrantes com que são pintados os comércios, que mais parecem simpáticas casinhas de boneca. A construção mais charmosa, antiga (datada de 1708!) e também a mais conhecida é a loja de perfumes e cosméticos Penha. Pintada de amarelo escuro, quase mostarda, é impossível não vê-la. Aproveite que você está por ali e não deixe de entrar para fazer umas compras, os preços são muito convidativos. Nas calçadas beirando a baía, além de bares com mesinhas estrategicamente localizadas, você pode se deparar com alguns canhões, resquícios da época da colonização.
Para ir de um lado a outro da capital, ou seja, de Punda a Otrobanda, e atravessar a Baía de Santa Anna, vale a pena esperar um tempinho e atravessar a Ponte Rainha Emma, uma das poucas pontes flutuantes do mundo. Ela é toda formada por pequenos barcos que ajudam a abrir o canal para navios gigantes, de carga ou de passageiros, passarem pela Baía. Chegando a Otrobanda, você vai encontrar o mesmo estilo de prédios baixos e coloridos. O forte desse lado da capital está na cultura, já que é nessa região que se localizam o Museu Kura Hulanda e a Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel.

8 – Jantar no Fort Nassau

A vista noturna mais linda de Curaçao, como o próprio nome já diz, o restaurante está localizado em um forte que antigamente protegia a ilha. É possível optar entre as mesas localizadas ao ar livre ou no interior do restaurante, que tem uma janela panorâmica maravilhosa. É um lugar chique! A rainha Beatrix, da Holanda, costuma jantar lá quando vai a Curaçao. Portanto, prepare-se para uma refeição digna de reis e rainhas. Peça o medalhão de carne com tomate recheado. Vale cada pedaço! De sobremesa, peça o profiteroles, que vem com a massa crocante e o recheio macio e leve. Pecado é não experimentar. Um bom vinho e uma ótima companhia farão deste um jantar mais do que inesquecível.

9 – Dançar a noite inteira no Mambo Beach ou no Ay Caramba

Quando anoitece, Curaçao é diversão na certa. Como o calor é intenso, a maioria das casas noturnas tem pista ao ar livre. O Mambo Beach reúne curaçolenhos e turistas em uma pista de dança e um bar à beira da praia. Além dos ritmos latinos, que fazem a pista ferver, o DJ toca muita música eletrônica. Cansou do bate-estaca? Basta sentar em uma das cadeiras estrategicamente localizadas na beira-mar (dá até para descansar os pés na água). O Ay Caramba é uma balada um pouco mais eclética. Dentro do local, sempre cheio, todos os tipos de música latina fazem o pessoal rebolar. O espaço aberto, em geral, é reservado para diversos shows e apresentações do local. E você não paga nada a mais por isso. Para aproveitar tudo sentado, em um clima mais reservado, você pode tentar um lugar no terraço (subindo as escadas) que tem vista para a baía e Punda. Juntos à Ponte Emma, iluminadas à noite, são uma visão imperdível, além de romântica.

10 – Sea Aquarium

Visitar o Sea Aquarium pode parecer um programa batido e para lá de comum. Mas não em Curaçao. Você até pode assistir ao tradicional show de golfinhos, mas o que vale mesmo a pena neste passeio é o contato próximo com a vida marinha. Entre em um tanque repleto de arraias e as toque delicadamente; chegue perto de flamingos ou pegue estrelas marinhas gigantes nas mãos. Os mais corajosos podem até alimentar tubarões embaixo da água – claro que protegidos por um vidro. Para os menos corajosos, há a opção (não menos emocionante) de alimentar tartarugas marinhas.