Revista Mercado Edição 39
O “quê” por detrás do estágio internacional
POR Carolina Ikeda (Lead)
No Brasil, as empresas estão em plena temporada de vagas abertas para estagiários profissionais estrangeiros, quando a troca de experiências é, na maioria das vezes, positiva
Os três primeiros meses do ano estatisticamente são os melhores para se encontrar estágio no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Estágios (Abres), este é um período no qual muitos jovens se formam e são efetivados ou mudam de emprego deixando vagas abertas. É a época também em que as empresas têm orçamentos aprovados para contratação logo nos primeiros meses do ano. Dados da Abres apontam que no Brasil estão abertas 210 mil vagas, sendo 170 mil para superior e tecnólogo e 40 mil para médio e técnico. O que revela um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Não é a toa que o primeiro trimestre do ano é chamado de “temporada de estágios”. E essa oportunidade não fica restrita somente aos brasileiros. Que o diga a estudante francesa Agathe Masson, que está no Brasil por conta de um intercâmbio profissional. Recentemente ela foi contratada para o setor de marketing do Aliança, uma das grandes empresas do setor atacadista de Uberlândia.
Agathe cursa administração na Université Paris-Est e conta que aprendeu a língua portuguesa em apenas dois meses antes de vir para o nosso país. Tanta determinação e interesse levam a uma pergunta: o que o mercado brasileiro tem que atrai essas pessoas?

A estudante francesa de Administração, Aghate Masson, que está em Uberlândia em busca de experiência no setor atacadista distribuidor
O que motivou Agathe a escolher o Brasil para um intercâmbio foi o interesse em mais um idioma e também a cultura de trabalho, além de ganhar experiência para futuramente atuar na área de marketing de uma empresa internacional. “O mercado da grande distribuição na França é diferente do Brasil. Lá não tem tantos atacadistas. Eu queria ver como funciona esse mercado para ter mais conhecimento para minha futura carreira”, conta a francesa.
O gestor de marketing do atacadista, Gilson Cantuário, explica que durante o estágio na empresa a proposta é que Agathe conheça em detalhes a cultura da organização, as ferramentas de marketing que são utilizadas em todo o processo de venda. Além disso, ela fará visitas técnicas aos clientes e ainda passará por todos os setores da empresa para entender como se dá a cadeia de distribuição. “Nós procuraremos demonstrar para ela o processo operacional de todos os setores da empresa, porém o foco maior será dado aos departamentos de Trade, Marketing, Compras e Vendas (comercial)”, relata.
Para a analista de Recursos Humanos, Fabiana Rocha Dias, além do profissionalismo encontrado nas empresas brasileiras, a receptividade, o clima organizacional e principalmente o calor humano do brasileiro são fatores determinantes para a busca do estágio. Porém, ressalta que nem todas as empresas estão preparadas para receber um intercambista. “Muitas vezes as organizações têm receio do novo, das inovações e enxerga o profissional de intercâmbio como uma ameaça para os colaboradores internos. Já as empresas que buscam crescer e têm uma gestão preocupada com o desenvolvimento das pessoas estabelecem um bom clima, facilitando a aceitação desse profissional”, esclarece.

Para do gestor de marketing, Gilson Cantuário, o estágio profissional resulta em benefícios para ambas as partes: empresa e intercambiário
E nesse sentido, o perfil da empresa que Aghate escolheu para estágio se encaixa na segunda argumentação da analista. “O período de estágio em que ela permanecerá conosco vai significar uma troca de informações extremamente positiva para elevarmos os nossos conhecimentos e, sobretudo, ampliar a nossa visão sobre gestão e estratégias de negócios”, finaliza Gilson.
Intercâmbio
Diante das constantes mudanças no mercado de trabalho, cada vez mais pessoas buscam experiências em outros países, o que agrega peso ao currículo.
Fabiana Dias lembra que essa é uma oportunidade única de expandir os conhecimentos profissionais, aprender novas culturas e ao mesmo tempo avaliar outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. “Para a empresa que recebe o profissional ficam nítidos dois aspectos relevantes: a troca de experiências e novas ideias. Quem está de fora do processo pode contribuir com sugestões inovadoras, avaliações críticas e também construtivas do que pode ser mudado e aprimorado na organização”, comenta a analista de RH. E seja em busca de oportunidade de trabalho, estudo ou troca cultural, Fabiana avisa: “O intercâmbio deve ser aproveitado e as oportunidades também”.
O Canadá é o país mais procurado pelos brasileiros nas agências de intercâmbio, dadas as condições que oferece e o menor custo de vida em relação aos Estados Unidos e a Europa; mas o Brasil também está sendo bem procurado, tanto por intercambistas quanto por profissionais em busca de emprego.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2010, só no primeiro trimestre, foram concedidas 11.530 autorizações para que profissionais estrangeiros trabalhassem no Brasil, sendo 94% das autorizações temporárias, com estada de até dois anos no país.
















