Revista Mercado Edição 42
A Gestão Ambiental nas Empresas – SGA`s
POR Juliano Macedo*
Há algumas décadas, as pessoas perceberam que a preservação do planeta Terra significa também a preservação da própria vida. Inicialmente, houve a preocupação com a extinção dos animais, mais tarde com a questão da derrubada das florestas, da poluição do ar, dentre outros impactos ambientais negativos causados por todos os setores produtivos da economia.
Em seguida, veio a inquietação com a poluição industrial e agrícola e também com a poluição gerada nos países em desenvolvimento, pela falta de infraestrutura urbana. Finalmente, foram identificadas as grandes consequências da poluição mundial e seus riscos, como o efeito estufa, a perda de biodiversidade e a redução de importantes bens e serviços ambientais que a natureza nos oferece.
Antigamente, existia uma divisão nítida entre os defensores da natureza (ditos ecologistas) e os que pregavam a exploração irrestrita dos recursos naturais. Com o advento do termo “desenvolvimento sustentável”, tornou-se necessária a formação de pessoas com um diferente perfil, profissionais que agregassem a visão ambientalista à exploração “racional” dos recursos naturais, aí surgiram os gestores ambientais.
Hoje, muitas pessoas em todo o mundo lutam por essa nobre causa, tentando mostrar os resultados de décadas de uso insustentável dos recursos naturais e do consumo desregrado da sociedade global. Um dos últimos grupos a se integrar nesta luta, e talvez o que traga resultados mais diretos em menos tempo, é o setor empresarial. Movidas pelas exigências legais, pela ação de consumidores mais conscientes e por inúmeros investidores, as empresas começaram a perceber que seus clientes estavam dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente corretos, e mais, pretendiam deixar de comprar aqueles que contribuíam para a degradação dos bens ambientais, sociais e culturais da nossa sociedade.
Além disso, a pressão popular atingiu também os governos, os quais passaram a estabelecer legislações ambientais cada vez mais rígidas, fazendo com que as empresas tivessem que adequar seus processos industriais, utilizando-se de tecnologias mais limpas.
Essa mudança na percepção da questão ambiental obrigou o setor industrial e comercial a desenvolver e implantar sistemas de gestão de seus processos de maneira que atendesse a demanda vinda de seus clientes e cumprisse com a legislação ambiental vigente. A Gestão Ambiental visa a ordenar as atividades humanas para que estas originem o menor impacto possível sobre o meio ambiente. Essa organização vai desde a escolha das melhores técnicas até o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e financeiros.
O que deve ficar claro é que “gerir” ou “gerenciar” significa saber manejar as ferramentas existentes da melhor forma possível e não necessariamente desenvolver a técnica ou a pesquisa ambiental em si
O que deve ficar claro é que “gerir” ou “gerenciar” significa saber manejar as ferramentas existentes da melhor forma possível e não necessariamente desenvolver a técnica ou a pesquisa ambiental em si. Pode estar aí o foco da confusão de conceitos entre a enorme gama de profissionais em meio ambiente, pois muitos são parte das ferramentas de Gestão (ciências naturais, pesquisas ambientais, sistemas e outros), mas não a desenvolvem como um todo, essa função pertence aos gestores ou gerentes ambientais, que devem ter uma visão holística apurada.
A tais sistemas denominaram Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Com eles, os empresários começaram a verificar que uma postura ambientalmente correta na gestão dos seus processos refletia diretamente em produtividade, qualidade e, consequentemente, em melhores resultados econômico-financeiros. A falta de um SGA implica em danos à imagem, perda de lucratividade e competitividade, pagamento de pesadas multas, acidentes, paralisações e perda de importantes mercados consumidores.
Além disso, como uma forma de verificar e divulgar quais empresas realmente apresentam uma postura ambientalmente correta, estabeleceram-se sistemas de avaliação de desempenho ambiental com normas e critérios padronizados para o mundo todo. O conjunto de normas mais conhecido é o da série ISO 14000.
A implantação de um sistema de gestão ambiental por uma empresa pressupõe e exige um forte comprometimento de sua direção e colaboradores com o meio ambiente. Não basta apenas divulgar que seus processos e procedimentos não causam danos ambientais, é preciso provar, através de mecanismos como a auditoria ambiental.
A implantação de um SGA e a obtenção de um certificado da série ISO 14000 jamais pode ser simplesmente uma jogada de marketing ou o cumprimento de uma cláusula comercial, pois mais cedo ou mais tarde, a verdade será mostrada, com prejuízos ainda maiores para a empresa.
Essa decisão deve ser baseada em uma análise criteriosa dos benefícios a serem obtidos e dos recursos a serem utilizados. É fundamental lembrar que uma vez obtida a certificação, o compromisso passa a ser permanente, exigindo uma mudança definitiva da antiga cultura e das velhas práticas.
A implantação de um SGA e a obtenção de um certificado da série ISO 14000 jamais pode ser simplesmente uma jogada de marketing ou o cumprimento de uma cláusula comercial
Contudo, o gerenciamento de um processo, por meio das ferramentas de um Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA), possibilita inúmeros ganhos de produtividade e qualidade, além da satisfação das pessoas envolvidas diretamente no processo, pois estas aprendem que sempre é possível fazer melhor e percebem a evolução da qualidade de seus serviços.
E o mais importante nesse processo: o cliente passa a confiar muito mais na empresa e em seus produtos. Atuar de maneira ambientalmente responsável é ainda hoje um diferencial entre as empresas, destacando-as neste competitivo mercado.
Porém, em breve, esse diferencial se transformará em um pré-requisito e quanto antes as empresas perceberem essa nova realidade, maior será a chance de se manterem no mercado.
Pode-se então concluir que a Gestão Ambiental é consequência natural da evolução do pensamento da humanidade em relação à utilização dos recursos naturais de um modo mais sábio, em que se deve retirar apenas o que pode ser reposto ou, caso isso não seja possível, deve-se, no mínimo, recuperar a degradação ambiental causada.
*Juliano Macedo é consultor da Trópicos Consultoria Turística e Ambiental
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