Revista Mercado Edição 45
Um problema chamado siso
Por Alitéia Milagre

O sorriso perfeito vai depender dos cuidados dispensados ao dente siso
Odontologista explica os cuidados que se deve ter com o dente siso, e faz uma relação entre o seu nascimento e o tratamento ortodôntico
O terceiro molar, mais conhecido como dente do siso, é o último a nascer e também o que provoca mais temor. Esse dente nasce geralmente entre os 15 e 19 anos de idade, sendo dois na arcada superior e dois na inferior – bem no final das fileiras -, porém, em algumas pessoas, podem nascer apenas três, dois, um e, nas mais sortudas, nenhum, conforme explica o odontologista Plínio Antônio de Moraes. Assim, é comum encontrar pessoas que não possuam esses dentes, enquanto em outras eles até existem, mas não nascem por falta de espaço na arcada dentária para seu posicionamento, ou por encontrarem como obstáculo o dente vizinho. Já em certos casos, o siso não nasce por não conseguir vencer a resistência oferecida pelo osso e pela gengiva que o envolve. Enfim, cada caso é um caso, mas, para certas pessoas, os dentes do siso podem acarretar sérios problemas à saúde da boca e do corpo, além de afetar negativamente a estética do rosto quando o seu mau posicionamento acaba deslocando os dentes vizinhos e deformando a linha do sorriso.
O odontologista Plínio de Moraes explica que a falta do siso, também chamada de agenesia, pode ser hereditária. Em outros casos, acontece o que se chama de regressão atávica, que nada mais é do que a acomodação do organismo à falta de mastigação num determinado local, o que leva a pessoa a ter regressão ou menos dentes na arcada.

O pequeno Vinícius Tadine com a mãe, Adriana Rezende. Ela já sabe que o tratamento ortodôntico de seu filho não será perdido por causa do siso

O raio X de um problema: no detalhe, os sisos inferiores estão totalmente tortos e pressionando os demais dentes vizinhos
Além de temido, o nascimento dos dentes sisos causa muitas dúvidas na cabeça dos pais, principalmente quando os filhos precisam usar aparelho ortodôntico mais cedo. Esse é justamente o questionamento da mãe de Vinicius Tadine, de seis anos. “Já vi muitas crianças com a mesma idade do meu filho usando aparelho ortodôntico, por isso sei que quando os dentes sisos dele nascerem, não corro o risco de perder todo o investimento que farei agora com o aparelho ortodôntico”, avalia a advogada Adriana Rezende.

De acordo com o odontologista Plínio de Moraes, é difícil o siso ocasionar algum tipo de problema ao tratamento ortodôntico
De acordo com Plínio, o tratamento com o aparelho ortodôntico tem que começar mesmo cedo, pois é muito mais fácil fazer a previsão do crescimento pelas radiografias e verificar o tamanho dos dentes que irão nascer para poder providenciar o aumento ou a diminuição de espaço. “É difícil o siso dar problema, porque quando se coloca o aparelho, a sua força de erupção é em torno de 30 graus, e como a do aparelho é maior, o dente não terá condição de fazer nenhuma modificação. E também é feita uma previsão se ele terá condição de erupcionar”, explica. Caso a posição não seja favorável, é pedida a extração no final da correção. Por isso, mesmo depois de tirar o aparelho, é preciso fazer as revisões com o ortodontista, periodicamente, para poder acompanhar a estabilidade do tratamento. “O que pode mudar a posição dos dentes são hábitos que a pessoa tem e não consegue eliminar, nestes casos, tem que usar contenção toda a vida. Se ao começar o tratamento, os dentes estiverem erupcionados e forem atrapalhar o processo, devem ser removidos”, completa.
Ainda segundo o odontologista, outro agravante é que se a erupção do siso for parcial, pode ocorrer gengivite, irritação local e, consequentemente, muita dor. Nesse caso, também é indicada a extração ou a eliminação da parte inflamada (ulotomia). De qualquer forma, ele afirma que tudo vai depender de os quatro dentes estarem bem posicionados, pois, se for necessário movimentar o segundo molar com o aparelho ortodôntico, pode ser preciso extrair o terceiro molar (siso) para que ele não dê problema depois. “Hoje os tratamentos são precisos e modernos. Os sisos não são ameaça para os ortodontistas. Quando o paciente faz retorno constante ao ortodontista competente, tudo já deve ter sido planejado, inclusive a necessidade de extrações. Muitas vezes, as pessoas tiram o aparelho e demoram a voltar, ou não usam corretamente o aparelho de contenção que se usa no final da correção, que seria como o gesso em uma fratura. O que acontece se você tirar o gesso antes da hora? Aí está o grande erro”, conclui Plínio de Moraes.
















