Saúde

Revista Mercado Edição 35

Hospital de Uberlândia é pioneiro no tratamento de alta miopia

POR Luciana Rodrigues

O Iso Olhos, através do oftalmologista Mario Carvalho, é o primeiro hospital do interior brasileiro a realizar o novo procedimento para corrigir alta miopia que não altera a anatomia ocular e ainda evita o olho seco e reduz complicações pós-cirúrgicas

No Brasil, a taxa de alta miopia (acima de 6 graus) atinge entre 1,9 milhão e 5,7 milhões de pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Entretanto, uma nova tecnologia, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), surge como alternativa para pessoas que têm esse tipo de problema e que por isso são dependentes de óculos chamados de “fundo de garrafa”. Trata-se de uma lente intraocular produzida com material biocompatível e maleável que corrige de 6 a 16 graus de miopia.
A técnica, utilizada em larga escala na Europa, foi aprovada pela Anvisa em abril. Vinte cirurgiões brasileiros fizeram capacitação para a cirurgia no exterior e iniciaram o procedimento em junho no Brasil, onde, por enquanto, está restrito à rede privada.
Em Uberlândia, o oftalmologista Mario Carvalho, do Hospital Iso Olhos, é o primeiro médico a ter certificação para implantar lentes fácicas para o tratamento da alta miopia. Os pacientes que já passaram pelo pós-operatório atingiram uma correção visual satisfatória a ponto de realizarem atividades do dia a dia sem a dificuldade de antes. De acordo com o médico, o procedimento pode significar a retomada da qualidade de vida para boa parte da população. As pessoas que são portadoras de alta miopia têm menos de 10% de quantidade de visão e objetos que estão a menos de 3 metros de distância já não são vistos com nitidez.
A nova tecnologia é uma lente intraocular produzida pela Alcon com material biocompatível e totalmente maleável que, como descrito, corrige de 6 a 16 graus de miopia.

Cirurgia é pouco invasiva

O procedimento é feito com anestesia local. A lente é implantada sobre a íris – parte colorida do olho – através de uma pequena incisão feita na periferia da córnea, sem a retirada do cristalino. Como não altera a estrutura da córnea com aplicação de laser, isso evita o olho seco e tem resultado mais previsível que a cirurgia refrativa convencional.
As chances de complicações pós-operatórias também são reduzidas, pois as lentes intraoculares usadas anteriormente eram inseridas na câmara posterior, entre a íris e o cristalino, ou seja, exigiam uma incisão na íris, para garantir o aporte de nutrientes ao sistema ocular e evitar a formação de depósitos que aumentam o risco de opacificação do cristalino.

O oftalmologista Mario Carvalho é o pioneiro em Uberlândia na implantação de lentes fácicas

Segundo o oftalmologista, hoje esse risco foi eliminado, porque a nova lente é implantada na câmara anterior, entre a córnea e a íris, e isso impede qualquer contato com o cristalino, o que facilitaria o aparecimento de catarata.
Outro risco que foi reduzido pela nova tecnologia é o de aumento da pressão intraocular, que pode levar ao glaucoma. Isso porque o implante na câmara anterior interfere menos no bom fluxo do humor aquoso, que é essencial para manter a pressão intraocular em níveis normais.

Quem pode fazer o implante

A lente é indicada para maiores de 21 anos e com um ano de estabilidade de grau. Mas é preciso passar por uma avaliação oftalmológica. Para quem tem problema de retina, glaucoma ou catarata não é indicado esse procedimento. Mas a recomendação é que a pessoa procure pelo médico capacitado para fazer a cirurgia de alta miopia para sanar dúvidas relacionadas à correção.

Miopia

A miopia é uma situação em que os raios de luz que penetram no olho são focalizados antes de atingirem a retina. Como consequência, o míope tem dificuldade de enxergar à distância e tendência a aproximar objetos para enxergar melhor (tentativa de deslocar a imagem para a retina). Sendo assim, é necessário o uso de lentes corretoras (óculos, lentes de contato) com a finalidade de deslocar o foco para a retina, melhorando, dessa forma, a visão. Em alguns casos, depois de estabilizada a miopia, o erro refracional da miopia pode ser minorado, eliminando a dependência das lentes corretoras.
A alta miopia, grau mais avançado do problema e que demanda o uso dos chamados “óculos fundo de garrafa”, pode cursar com alterações de fundo de olho que devem ser acompanhadas de perto.
A miopia de início repentino na vida adulta deve ser avaliada minuciosamente, pois pode representar sinal de outra patologia (catarata ou diabete).