Saúde

Revista Mercado Edição 53 - agosto 2012

Colírio é remédio

Por Iolanda Carneiro (Serifa)

Automedicação pode causar sérios danos à saúde ocular

É comum quando alguém reclama de algum problema de saúde receber de familiares ou amigos a recomendação de algum medicamento como solução para tratamento ou cura. Contudo, esse tipo de atitude pode ser extremamente perigoso, pois o que foi receitado para uma pessoa pode não ser o mesmo indicado à outra. A automedicação é um ato arriscado e pode acabar por gerar consequências ainda piores do que a própria doença. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o quinto maior consumidor de medicamentos do mundo e, quando se trata da saúde ocular, o cenário não é muito diferente.
Se o assunto é a saúde dos olhos, a recomendação é a mesma: não use colírios sem recomendação médica, pois o que é bom para um pode acarretar problemas para outro. Isso porque o que muitas pessoas ignoram é que colírio também é remédio. A oftalmologista Raquel Souza Nunes Paiva, responsável pelo Departamento de Cirurgia Plástica Ocular, Oftalmopediatria e Vias Lacrimais do HCO explica que o colírio, se usado indevidamente, pode causar problemas sérios à saúde. “Quando pergunto aos pacientes se eles tomariam algum medicamento sem a consulta de um médico, na maioria das vezes a resposta é negativa, o que geralmente não acontece com o uso dos colírios. Isso por que muitas pessoas não entendem que o colírio também é um remédio e deve ser usado somente com prescrição médica”.

A oftalmologista Raquel Souza Nunes Paiva alerta sobre os perigos do uso de colírios sem orientação médica

Mais um exemplo dado pela oftalmologista sobre os riscos da automedicação é em relação ao uso do colírio de antibiótico, que tem o mesmo risco da automedicação feita com o antibiótico via oral.  “Muitas vezes, a pessoa acha que tem uma infecção, mas não tem, e faz o uso do colírio de antibiótico. Isso pode gerar uma resistência ao antibiótico em uso, ou seja, no dia em que esse antibiótico realmente for necessário, ele não vai funcionar. Talvez a pessoa até tenha uma infecção, mas resolveu usar um antibiótico que não é o correto para aquele tipo de doença. O paciente não vai curar a infecção e pode até atrasar o tratamento, piorando a doença”, explica a oftalmologista.
Existem vários tipos de colírio, cada um indicado para um determinado tipo de problema. “É fundamental que se consulte um oftalmologista para que seja identificado corretamente qual o melhor tratamento. Usar aleatoriamente colírios, seja para clarear os olhos, seja os que contenham corticoide ou antibiótico, pode acarretar danos mais graves à saúde ocular”, finaliza a oftalmologista Raquel Nunes.

Tipos de colírios e seus riscos
Vasoconstritor - Diminui a vermelhidão dos olhos. Usar continuamente pode fazer com que o problema volte com intensidade maior. Se usado de forma errada pode mascarar patologias que necessitem de outro tratamento.
Anti-inflamatórios – Usar indevidamente e por muito tempo pode causar o desenvolvimento de catarata, glaucoma e até perfurar a córnea. Os anti-inflamatórios não hormonais podem retardar a cicatrização da córnea.
Antibiótico - Deve ser usado sempre com prescrição médica. Se aplicado por um período não recomendado pelo oftalmologista pode tornar a bactéria resistente ao medicamento.
Anestésico - Usar de forma indevida pode dificultar a cicatrização e causar infecção e úlcera da córnea.
Fonte: HCO

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