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Revista Mercado Edição 44

Maioria dos brasileiros reprova união de gays

Da Redação com Agência

Casamento gay divide opiniões: pesquisa do IBOPE Inteligência revela que 55% dos brasileiros são contra a união estável entre casais do mesmo sexo

A decisão do Superior Tribunal Federal de autorizar a união estável entre casais do mesmo sexo não conta com o respaldo da maioria da população brasileira, embora a questão ainda divida muito a sociedade, conforme revela estudo inédito do IBOPE Inteligência, cuja motivação foi a de contribuir com o debate público. Segundo pesquisa nacional realizada entre os dias 14 e 18 de julho, 55% dos brasileiros são contrários à decisão e 45% são favoráveis.
De maneira geral, a pesquisa identifica que as pessoas menos incomodadas com o tema estão mais presentes entre as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados e as classes mais altas. Regionalmente, Norte/Centro-Oeste e Nordeste se destacam como as áreas do país com mais resistência às questões que envolvem o assunto.

Aprovação da união estável entre homossexuais

Base: Amostra - Total (2002) | Sexo: Masc. (956) / Fem. (1046) | Idade: 16-24 (396) / 25-29 (250) / 30-39 (441) / 40-49 (387) / 50+ (528) P.01) O Superior Tribunal Federal autorizou a união estável para casais do mesmo sexo. Você, pessoalmente, é a favor ou contra esta decisão?

Laure Castelnau, do IBOPE: “O brasileiro ainda se mostra resistente à institucionalização da união estável entre homossexuais ou ao direito à adoção de crianças por casais desse gênero”

“Os dados apresentados pela pesquisa mostram que, de uma maneira geral, o brasileiro não tem restrições em lidar com homossexuais no seu dia a dia, como profissionais ou amigos que se assumam homossexuais, mas ainda se mostra resistente a medidas que possam denotar algum tipo de apoio da sociedade a essa questão, como o caso da institucionalização da união estável ou o direito à adoção de crianças”, analisa a diretora executiva de marketing e novos negócios do IBOPE Inteligência, Laure Castelnau.
Sobre a decisão do STF, 63% dos homens são contra, enquanto apenas 48% das mulheres são da mesma opinião. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são favoráveis. Já os maiores de 50 anos são majoritariamente contrários (73%).  Entre as pessoas com formação até a quarta série do ensino fundamental, 68% são contrários. Na parcela da população com nível superior, apenas 40% não são favoráveis à medida. Territorialmente, as regiões Nordeste e Norte/Centro-Oeste dividem a mesma opinião: 60% são contra. No Sul, 54% das pessoas são contra e, no Sudeste, o índice cai para 51%.

Adoção de crianças

Quanto ao questionamento sobre a aprovação à adoção de crianças por casais do mesmo sexo, os resultados seguem a mesma tendência: 55% dos brasileiros se declaram contrários. Entre os homens, o indicador é mais alto, com 62%, da mesma forma que entre as pessoas maiores de 50 anos, em que 70% rejeitam a ideia. A tendência também se confirma entre os brasileiros com escolaridade até a quarta série, cuja contrariedade é declarada por 67% destes. Em termos regionais, os que se declaram contrários são 60% no Nordeste, 57% no Norte/Centro-Oeste, 55% no Sul e 52% no Sudeste.

Adoção de crianças por casais homossexuais

Base: Amostra - Total (2002) | Sexo: Masc. (956) / Fem. (1046) Idade: 16-24 (396) / 25-29 (250) / 30-39 (441) / 40-49 (387) / 50+ (528)

Base: Amostra - Total (2002) | Região: Norte/CO (294) / Nordeste (546) / Sudeste (868) / Sul (294) Religião: Catol. (1209) / Prot./ Evang. (463) / Outras (80) Ateu/s. religião/NR (250) P.02) Você é a favor ou contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo?

Amigos gays

Em relação à possibilidade de um (a) amigo (a) se revelar homossexual, a pesquisa identificou que a rejeição da população é sensivelmente menor do que a apresentada nos dois questionamentos acima. Para a grande maioria de 73% dos brasileiros, essa hipótese não os afastaria em nada de suas amizades. Outros 24% disseram que afastariam muito ou pouco e 2% não souberam responder. Embora com menor intensidade, o mesmo padrão de opinião nas respostas anteriores se repete no comparativo por faixa etária, nível de escolaridade, sexo e região do país.
Para as mulheres, 80% não se afastariam. Da mesma forma, 81% dos jovens de 16 a 24 anos não se afastariam e 85% das pessoas com nível superior de escolaridade também defendem que não haveria mudança na amizade. Em termos regionais, 79% das pessoas do Sudeste dizem que não se afastariam, contra 72% no Norte/Centro-Oeste, 70% no Sul e 66% no Nordeste.

Religião

No tocante às diferenças de opinião observadas de acordo com a religião declarada pelos entrevistados, é possível identificar que há maior tolerância entre as pessoas cuja religião foi classificada na categoria “outras religiões”, em que 60% são favoráveis à decisão do STF. Dentre os católicos e ateus, há total divisão, com 50% e 51% de aprovação à união estável de pessoas do mesmo sexo, respectivamente. A população de protestantes e evangélicos é a que se manifesta mais resistente: apenas 23% se dizem favoráveis à iniciativa do STF.

Médicos, policiais e professores

A pesquisa ouviu a população em relação à sua aceitação de homossexuais trabalharem como médicos, policiais ou professores de ensino fundamental no serviço público. Apenas 14% se disseram total ou parcialmente contra a que estes trabalhem como médicos, 24% como policiais e 22% como professores. A parcela dos brasileiros que é parcial ou totalmente favorável é de 84% para o caso de médicos, 74% para policiais e 76% para professores.

Sobre a pesquisa

A pesquisa do IBOPE Inteligência é representativa da população brasileira e realizou 2.002 entrevistas domiciliares em 142 municípios do território nacional, ouvindo toda a população de 16 anos ou mais. A margem de erro amostral é de dois pontos percentuais, com 95% de intervalo de confiança. O IBOPE Inteligência é uma organização do Grupo IBOPE que contribui para seus clientes terem conhecimento e compreensão adequados da sociedade e dos mercados onde atuam, auxiliando na tomada de decisões táticas e na elaboração de estratégias no planejamento de negócios.

Perfil dos Entrevistados – %

Base: Amostra (2002)