Profissões em Filme

Revista Mercado Edição 44 - agosto 2011

O poder e a lei

Por Kelson Venâncio*

Você já deve ter ouvido muito falar no termo “advogado de porta de cadeia”, não é? Pois o filme em questão parte exatamente dessa premissa para nos mostrar a ambição de um advogado ao colocar nas ruas criminosos que a polícia e a promotoria levaram anos para conseguir pôr na prisão. Somente por essa análise, “O poder e a lei” já valeria a pena ser visto, já que se trata de uma realidade cada vez mais comum no nosso país. Quantas vezes assistimos pelos noticiários que um marginal é solto imediatamente ao pisar em uma delegacia de polícia? Ou sabemos de infratores que vão e voltam para o mundo da criminalidade, mas nunca ficam encarcerados como deveriam para responder por seus atos cometidos aqui fora?

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Nessa produção, somos apresentados a um advogado que representa milhares que fazem esse tipo de trabalho. A única diferença é que este tem seu escritório dentro de um carro, já que passa a maior parte de seu tempo exatamente no caminho para a delegacia e os tribunais. Mas um dia um caso importante cai em suas mãos e ele se torna disposto a provar a inocência do réu, um jovem milionário acusado de estupro e assassinato. Só que ele não imaginava seu cliente escondendo a verdade, o que pode tornar todo o processo uma causa perdida.

Após esse fato, o filme se torna cada vez melhor ao longo da narrativa. O advogado se vê numa situação extremamente complicada, já que é contratado para defender uma pessoa em quem deixa de confiar aos poucos. É aí que a trama se torna mais atrativa e intrigante, revelando surpresas interessantes. Aliás, “O poder e a lei” tem uma história que não deixa lacunas e em que cada peça vai se encaixando à medida que o tempo passa. É daquelas projeções que nos deixam vidrados e curiosos o tempo todo.

A direção de Brad Furman não é esplêndida, mas bem competente. Já as interpretações de todo o elenco são excelentes. A começar por Matthew McConaughey, que nesse tipo de gênero apresenta uma interpretação infinitamente superior às dezenas de comédias românticas (a maioria bobinhas e fúteis) em que atuou. Nesse filme, o ator nos faz recordar seu ótimo papel em “Tempo de matar”, que também é um excelente filme e do mesmo gênero. Bem que ele podia abandonar de vez as produções “mamão com açúcar”! De outro lado, temos Ryan Phillippe, que andava meio sumido das telonas, mas veio abrilhantar esse longa encarnando um sujeito rico acusado de crimes e que, devido à sua ótima interpretação, nos impede de saber se o personagem cometeu esses delitos ou não. Aliás, sua interpretação é fundamental pra que a gente fique o tempo todo na dúvida, o que torna o filme extremamente instigante.

Os outros atores, apesar de aparecem como coadjuvantes, sempre se destacam ao surgirem na tela. Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Michael Peña, Josh Lucas e Frances Fisher complementam esse grande casting e fazem um ótimo trabalho.

“O poder e a lei” é, sem dúvida, um dos grandes filmes a que assisti este ano e acredito que a produção vá muito além das telonas de cinema. Já que é um filme polêmico, deve ser analisado nas salas de aula, especialmente de Direito, para servir para debates interessantes em torno do roteiro e das situações que ele nos apresenta. É preciso usá-lo como exemplo na tentativa de melhorar nossas leis e mudar a atitude de diversos advogados que pensam mais em dinheiro do que em fazer cumprir as leis.

FICHA TÉCNICA
Filme: O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer)
Origem: EUA
Ano: 2011
Elenco: Matthew McConaughey, Ryan Phillippe, Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Josh Lucas, Michael Peña, Bryan Cranston, Frances Fisher, Shea Whigham, Margarita Levieva
Direção: Brad Furman
Gênero: policial
Duração: 118 min
Nota: 8