Revista Mercado Edição 40
Bruna Surfistinha
POR Kelson Venâncio

Sinopse: Bruna Surfistinha conta a história da jovem Raquel (Deborah Secco), filha de classe média paulistana que um dia sai de casa e toma uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Em pouco tempo, Raquel se transforma em Bruna Surfistinha e passa a ser uma celebridade nacional, contando sua rotina em um blog na internet.
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Crítica
O filme Bruna Surfistinha tem um começo complicado. A impressão que temos é que o longa vai ser lento e bem cansativo. O maior problema é o grande buraco no início do roteiro, que é baseado em fatos reais e no livro O doce veneno do escorpião. No início, somos apresentados a uma jovem garota que em princípio parece meiga, certinha, educada, estudiosa e vinda de uma família de classe média alta. Com todas essas qualidades, por que se tornar uma garota de programa? Bem, essa é a pergunta a que o filme não responde direito e, na minha opinião, a grande falha. Depois de alguns minutos assistindo à personagem sofrendo perseguições dos colegas da escola e tendo conflitos dentro de casa, sem que nos seja mostrada uma razão para isso, ela simplesmente já aparece na porta de um bordel à procura de um emprego como profissional do sexo.
Mas, felizmente após o primeiro ato, o filme finalmente decola e, para a alegria do público, alcança voos altos. Para começar, de cara a garotinha já é chamada para seu primeiro programa e essa cena em particular foi uma das que mais gostei. Especialmente nessa parte, a direção de Marcus Baldini é eficiente ao mostrar Bruna toda tímida e com muito medo por enfrentar aquela situação que mudará para sempre a sua vida. E isso é perceptível através de um ângulo de câmera que mostra bem de perto o rosto triste e amedrontado da personagem que, aos poucos, sem cortes, vai mudando de expressão facial, tornando-se mais corajosa e começando a sentir na pele o que irá ter que enfrentar daquele momento em diante. Mas o mérito não é só da direção. Deborah Secco, em poucos segundos, muda completamente o semblante e parece que nos convida a ver um show de interpretação a partir dali.
Show de interpretação! É exatamente isso! Ao contrário da mesmice interpretativa de seus personagens em muitas novelas, ela faz de Bruna Surfistinha o melhor papel de sua carreira. Para começar, aqui vão todos os meus elogios a Deborah pela sua grande coragem ao aceitar esse papel que exigiu muito dela, mas muito mesmo. Se para uma profissional que está começando, sonhando alto e disposta a tudo para se dar bem no cinema seria difícil interpretar Bruna Surfistinha, imagine para uma atriz que nem precisa disso. O que levou Deborah Secco a fazer nua inúmeras cenas, simulando todos os tipos de variações sexuais, com atores desconhecidos e em sua maioria desprovidos de qualquer beleza física?
Dinheiro? Fama?
Sinceramente acredito que é algo que vai muito além disso e se chama profissionalismo. Penso que Deborah queria provar que é, sim, uma boa atriz, e que é capaz de se projetar com firmeza no mundo do cinema. E ela consegue isso e bem. Chego a dizer que foi mais corajosa que diversos atores famosos de Hollywood, como Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, em Brokeback Mountain, ou Julianne Moore e Annette Bening no recente Minhas mães, meu pai.
Com cenas fortíssimas e muito polêmicas, Bruna Surfistinha é um bom filme e merece todo o sucesso que está tendo nas bilheterias. Só não é melhor pelo início. Até agora não sei o que levou a garota de programa mais famosa do Brasil a essa vida. Revolta, discriminação, falta de dinheiro ou simplesmente vontade de ser o que ela era?
Ficha Técnica
Filme: Bruna Surfistinha
Diretor: Marcus Baldini
Elenco: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Fabíula Nascimento, Cristina Lago, Guta Ruiz
Duração: 109 min.
Ano: 2010/Brasil
Gênero: drama
Classificação: 16 anos
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