Profissão

Revista Mercado Edição 34

Procura-se profissional especializado em fotografia

Camila Lemes (Ares)

Mesmo com o advento da máquina digital, a profissão ainda tem ganhado cada vez mais espaço dentro de agências publicitárias, estúdios fotográficos e revistas – falta feeling

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Não há maior prova de que essa afirmação é verdadeira quando se leva em conta a expansão da arte da fotografia, que vem se modernizando mais e mais a cada dia e ganhando destaque por causa dos sempre novos recursos tecnológicos que não param de aparecer. Desde 1825 – quando o francês Joseph Nicéphore Niépce utilizou uma placa de estanho coberta com derivado de petróleo para fotografar – até os dias atuais muita coisa mudou. Especificamente os processos de revelação foram ficando mais simples e hoje quase não se utilizam mais os charmosos filmes de película ou negativos. As câmeras digitais chegaram com força total, facilitando principalmente a vida de quem trabalha com fotografia ou revelação de fotos. Toda essa revolução trouxe consigo um problema: sumiu do mercado aquele profissional tenaz e sensível ao mesmo tempo, especialista na arte da fotografia. Este foi perdendo espaço ao “qualquer um” da vida que consegue comprar e operar uma dentre as tantas máquinas digitais que o mercado oferece. Pessoa que só aperta o botão, a máquina e o computador fazem o resto. Diante disso, agências de publicidade, estúdios e a mídia impressa garimpam os poucos “sensíveis” que ainda restam.

Como dizia Henri Cartier Bresson: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”, e hoje não são muitos os que sabem realmente fazer isso.

O mundo da fotografia foi do preto e branco a uma gama de tonalidades, tornando as fotos cada vez mais ricas em cores e definições. Hoje, existem recursos disponíveis para tratamento das fotos em que se pode modificar o que foi registrado. O uso de programas de edição de imagem, principalmente o Photoshop, vem sendo empregado em grande escala em diversos meios (revistas, agências publicitárias, estúdios fotográficos, etc). Há inclusive profissionais especializados na delicada arte de “brincar” com os formatos e cores das fotografias. Na era digital, imagem é tudo. Antes, a boa fotografia demandava mais. O processo de uma boa imagem começava na percepção e click do fotógrafo, passava pela revelação do negativo e terminava na ampliação sob compostos químicos e luz nenhuma. Mas, hoje, mesmo em plena era digital, a sensibilidade ainda é um diferencial.

Em Uberlândia, uma das mais desenvolvidas cidades do interior mineiro e do Brasil, agências publicitárias e veículos de comunicação reclamam que até existem profissionais atuando no campo de tratamento de fotos, mas são poucos os que dominam com destreza essa arte. Na opinião do diretor de atendimento da Agência Sic, Thales Schmidt, vários ingredientes contribuem para o sucesso do bom profissional. “Poucos são os bons. Muito mais que dominar a técnica, é preciso que o profissional tenha referências modernas, sensibilidade, boa sinergia com o diretor de criação e estude constantemente. Isso é necessário, pois a cada dia a exigência da qualidade vem crescendo no mercado. Para ele, se não houvesse uma interação entre os componentes básicos que trabalham com a fotografia dentro da agência, teríamos dificuldade para nos adaptar ao que o cliente precisa”, afirma o publicitário.
Outra agência que também reclama da falta de profissionais com domínio em tratamento de fotos é o Grupo Creative. Para o diretor de criação, João Paulo Guimarães, a cidade e os clientes não valorizam esse tipo de profissional. “Em Uberlândia existem vários profissionais capacitados para o tratamento de fotos, porém não há grande valorização desse serviço por parte do mercado. Muitos clientes não percebem o valor de um tratamento diferenciado, personalizado, aliado às situações e aos mais variados propósitos”, explica João.

Mas não são somente as agências publicitárias que se preocupam com o mercado escasso de profissionais de fotos, os estúdios fotográficos também têm sentido falta. Erich Gebhardt, fotógrafo responsável pelo Studio Erich, já trabalha com um profissional, mas necessita de contratar outro para atender à demanda. Uma vaga que está aberta há meses sem ter alguém qualificado para ocupá-la. “A profissão de design gráfico ainda é nova, então não faltam somente profissionais, mas também cursos profissionalizantes na região. Todos os profissionais que temos hoje em nosso estúdio se capacitaram sozinhos por meio de muita pesquisa. Outro fator que consideramos primordial é a criatividade. Não basta apenas dominar programas, é preciso saber usá-los com criatividade”, afirma o fotógrafo.
Com a falta de profissionais capacitados na cidade, muitas empresas são obrigadas a procurar profissionais de outras cidades ou estados a fim de suprir as necessidades do negócio. E quem se beneficia com essa escassez afirma: “o diferencial do trabalho é tudo”. O publicitário Rodrigo Boente atua no mercado de manipulação de fotos há oito anos, prestando serviços em todo o Brasil. Morando atualmente em Olinda (PE), Boente realizou diversos trabalhos para a agência publicitária Atittude Política, em Uberlândia. Segundo ele, a manipulação de fotos é importante para corrigir os detalhes nas imagens. “O diferencial em nosso trabalho é justamente criar imagens utilizando como matéria-prima a montagem fotográfica e a ilustração, sem perder o equilíbrio entre técnica e arte. Assim, como uma foto possui produção fotográfica, o importante é a realização da ‘pós-produção’ para corrigir os detalhes”, afirma o publicitário.
O Grupo Luz, de Ribeirão Preto, em São Paulo, ministra cursos de preparação para manipulação de fotos pelo menos uma vez por ano em Uberlândia. A ideia é tornar a área mais conhecida e os profissionais da região mais capacitados – e com feeling – para o trabalho.

Um profissional em tratamento de fotos precisa

A pessoa interessada em trabalhar como manipulador de imagem deve estudar diversas áreas, tais como: ilustração, artes e, principalmente, fotografia.

É necessária a instalação de uma máquina potente, geralmente os profissionais preferem máquinas do tipo Mac Pro Quad-Core, 8-Core e 12-Core. Também é recomendável usar uma mesa digitalizadora (Tablet), as melhores são produzidas pela Waccom, que permitem um grande controle de ferramentas, como os pincéis do Photoshop.

Principais programas utilizados na manipulação de fotos: Photoshop, Corel Painter, Paint Shop Pro Photo, Photo Paint, Knockout, Photo-Brush, Gimp, AceDesign Pro e outros.

A calibração das cores do monitor é muito importante, pois da mesma forma que aparecer a imagem no monitor, ela terá que sair igual na impressão. Dica: para o seu monitor exibir cores mais confiáveis, é fundamental utilizar o gerenciamento de cores e perfis precisos. Utilizar um perfil de monitor correto ajuda a eliminar muitas distorções de cores do monitor e também faz com que ele exiba tons de cinza da maneira mais neutra possível, padronizando a exibição da imagem.