Ponto de Vista

Revista Mercado Edição 42 - maio 2011

Ponto de Vista

Gasoduto

Após o governador Antonio Anastasia e a presidente Dilma Rousseff assinarem em março o protocolo de intenções para a implantação do gasoduto ligando São Paulo a Uberaba, no Triângulo Mineiro, Uberlândia entrou forte na briga para ter essa obra estendida até seu município e, se possível, também até Senador Canhedo, em Goiás.
O projeto do Gasoduto Bolívia-Brasil está previsto para chegar a Uberaba em 2014 e terá um custo estimado em R$ 800 milhões.
No dia de assinatura do protocolo, o governador Anastasia já se manifestou favorável a que o gasoduto chegue a Uberlândia, para que dessa forma possa beneficiar toda a região do Triângulo Mineiro. Anastasia disse que o governo de Minas não iria medir esforços para isso acontecer. Recentemente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, foi outro a aliar-se a essa causa.
Diante desse quadro, percebe-se que a passagem do gasoduto Bolívia-Brasil pelo Triângulo virou alvo de cobiça dos dois principais municípios da região.
As questões são: essa disputa vale a pena? Quais as vantagens de um ramal do gasoduto extensivo por todo o Triângulo Mineiro? O é preciso ser feito para efetivar essa conquista?
Com a palavra, o G7…

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Considero fundamental a implantação do Gasoduto Brasil-Bolívia a partir de São Carlos, no interior paulista, não somente até Uberaba – onde será instalada uma fábrica de amônia – mas também passando por Uberlândia e seguindo para Goiás e Brasília. Dessa forma, abastecendo os dois principais polos industriais do Triângulo e também facilitando mais a distribuição pela região central do país do gás natural, uma importante fonte geradora de energia para indústrias e também automóveis.
A importância dessa obra, em principio, pode ser avaliada sob dois aspectos. O primeiro tem a ver com questões ambientais.  Atualmente, grande parte da amônia consumida na região é importada via porto de Santos e transportada por carretas até a planta situada no Distrito Químico de Uberaba. Com o gasoduto, a produção de amônia no município irá retirar das principais estradas, diariamente, cerca de 100 caminhões do produto, evitando acidentes ambientais e riscos para a população. Além disso, com a produção da matéria-prima naquele município, a expectativa é que o segmento reduza os custos com transporte do material, permitindo a redução de custos da produção e alimentos mais baratos para a população.
O segundo aspecto tem a ver com o maior desenvolvimento que o gasoduto irá trazer para o Triângulo, impulsionado pelo sequente aporte de novas e diferentes indústrias na região e o fortalecimento do parque industrial que poderá usar o gás natural como fonte de energia alternativa. Isso sem precisar mencionar a redução de custos para outros tipos de empresas que demandam esse tipo de energia, como é o caso dos hospitais e o abastecimento de veículos movidos a gás natural, uma energia mais barata e menos poluente.
Nesse contexto, Uberlândia, que hoje é a segunda maior cidade e o segundo maior polo industrial de Minas Gerais, não pode ficar de fora. Seria uma tremenda insensatez não estender por meros 100 quilômetros a mais de gasoduto, mas para tanto contamos com o apoio do nosso governador, professor Anastasia.

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A CDL Uberlândia, como membro do G7, está acompanhando de perto a viabilização econômica da implantação do gasoduto na cidade. Nesse sentido, participou recentemente de uma audiência pública com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para tratar da extensão do ramal do gasoduto Bolívia Brasil até Uberlândia.
Com visão de uma política de desenvolvimento sustentável, a cidade de Uberlândia tem potencialidades para receber o gasoduto, um insumo que vai diminuir o custo operacional e aumentar a competitividade com empresas que já usufruem desse tipo de energia em outras regiões. Além disso, novas empresas que poderão utilizam o gás serão atraídas para a região. É uma forma de impulsionar o crescimento da economia e a geração de emprego e renda, por ser uma fonte natural, alternativa barata e viável que, além de beneficiar as indústrias, servirá de combustível para veículos e cozinhas industriais de escolas, creches e hospitais, por exemplo.
Estamos convictos de que, com a parceria do ministro Pimentel, nossa proposta se tornará um projeto e a Cemig será uma grande aliada. Além do apoio do governo Federal, o governo municipal e o de Minas Gerais estão empenhados para que esse projeto se concretize também em Uberlândia. Esse foi o compromisso do governador de Minas, Antonio Anastasia, que na última visita a Uberaba afirmou que em parceria com o governo federal o gasoduto chegaria também a Uberlândia para atender a todo o Triângulo Mineiro. Agora, é aguardar!

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Um dos propósitos da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub) é encontrar caminhos e soluções para escoar a produção de bens e serviços de nossa cidade. Neste contexto, a entidade empenha esforços para reestruturar nossa malha viária e criar elementos facilitadores para o trabalho do empresariado local, ajudando a consolidar Uberlândia como a capital nacional da logística.
Em quase oito décadas de existência, a história da Aciub foi marcada por conquistas que ajudaram a promover o desenvolvimento da região. Uma das nossas lutas é hoje conquistar um ramal do Gasoduto Brasil-Bolívia até Uberlândia. Com isso ganham as empresas locais e ganha a cidade, pois terá acesso a uma matriz energética alternativa, que eventualmente poderá ser mais barata que a hidrelétrica.
Há um caminho a trilhar para conquistar o gás natural para nossa cidade: o primeiro passo já foi dado pela Aciub, junto às demais entidades que compõem o G7, que é estreitar relações e buscar o aval de pessoas estratégicas para isso. O G7 já conta com o apoio do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e do deputado federal petista Gilmar Machado. Temos agora de mostrar a viabilidade econômica do projeto para comemorarmos mais uma vitória e, em um breve futuro, apreciarmos os resultados.
O saldo positivo – dessa e de outras lutas em prol de um desenvolvimento elaborado na região – é perceber que vitórias reais são obtidas com a força do associativismo. As entidades que compõem o G7 somam forças nesse momento para garantir o Gasoduto também para Uberlândia. Como a atualidade se configura em um progresso oriundo também de conquistas que a ACIUB sempre defendeu, o futuro agradecerá nosso esforço pela conquista do Gasoduto.
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Obs: Até o fechamento desta edição, os responsáveis pelas demais instituições que congregam o G7, ou suas respectivas assessorias de imprensa, não haviam enviado cada um a sua resposta.