Negócios

Revista Mercado Edição 44

Empresários uberlandenses viram franqueadores

Por Evaldo Pighini com Agência Sebrae

Os empresários uberlandenses, novos franqueadores do mercado: da esquerda para direita, Flávio de Paula (Ducks Sports), Pablo Vieira (Crazzy Doggy), Lauro Teixeira (Cia Mineira de Chocolates), Augusto Hori (Ferreira Matos), João Luiz Maia (Vozzuca) e Letícia Gomides (Cafeeiro)

O vice-presidente da Aciub, Fábio Pergher, diz que o aumento de shopping centers e a economia aquecida favorecem o investimento no mercado de franquias

Amparadas pelo projeto Minas Franquia, do Sebrae-MG, seis empresas de Uberlândia investem para tornar suas marcas conhecidas e rentáveis no mercado do franchising

Atraídos por um setor que cresce 20% ao ano e que faturou somente em 2010 cerca de R$ 76 bilhões, seis empresas de Uberlândia lançaram suas marcas no mercado de franquias criando suas próprias redes. São elas, Cia Mineira de Chocolate, Crazzy Doggy, Cafeeiro, Vozzuca, Ducks Sports e Ferreira Matos. Foram meses de estudo e capacitação até o anúncio oficial que aconteceu em evento empresarial realizado no dia 18 de agosto, na sede da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), instituição parceira do projeto Minas Franquia, do Sebrae-MG, que viabilizou todo o processo.
A “investida” dos empresários, donos das seis marcas no mercado de franchising, começou há cerca de um ano. De acordo com a analista de negócios do Sebrae-MG, Luisa Vidigal, durante esse tempo até hoje, os empresários foram sendo capacitados quanto à documentação necessária e à operacionalização dos negócios em formato de franquia.  Segundo informações do Sebrae, os empreendimentos apoiados pelo projeto Minas Franquia chegam a custar 60% mais barato que as ofertas de grandes redes.
Para o vice-presidente da Aciub, Fábio Pergher, que esteve presente no evento do dia 18, uma conjunção de fatores, como o aumento do número de shoppings centers e a proliferação de centros comerciais por bairros das grandes cidades aliada à economia aquecida favorecem o investimento no mercado de franquias. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram um crescimento do franchising de 200% nos últimos dez anos – 20% ao ano -, saltando de R$ 25 bilhões em 2001 para R$ 76 bilhões no ano passado.

Novos franqueadores

Pablo Vieira, da Crazzy Doggy, quer conquistar o mercado de sanduíches

Com apenas dois anos, a empresa de fast food Crazzy Doggy quer expandir a marca. Após seis anos de pesquisa feita em empresas brasileiras e estrangeiras, o empresário Pablo Vieira Cintra abriu sua primeira loja em Uberlândia.
Buscando sempre um diferencial para seu negócio, Pablo passou a investir não só em sanduíches, mas também em hot dog. No cardápio são mais de 11 tipos de lanches e cinco de cachorros-quentes de 15 cm e 30 cm.
O negócio deu certo, e ele abriu há um mês uma nova loja em Caldas Novas (GO). Agora, o empresário quer ir mais longe e levar a marca para outros estados. De acordo com Pablo, o investimento inicial seria de R$ 150 mil, referente ao maquinário e a arquitetura.  “Este valor é 60% menor que o investimento que se teria na aquisição de uma franquia de fast food mais barata no mercado, que chega a custar R$ 330 mil”, afirma.

Para o novo franqueador João Luiz, da cafeteria Vozzuca, a alimentação fora do lar cresce a cada ano, constituindo-se num bom investimento

Ainda de acordo com ele, cada franqueado terá metas de faturamento de acordo com a cidade. “Iremos ainda avaliar se o interessado em adquirir a franquia tem um perfil empreendedor e se o ponto de vendas escolhido é viável para o negócio”, explica.
A tradição do café também levou o dono da cafeteria Vozzuca a investir no mercado. O negócio que oferece mais de 50 tipos de bebidas quentes, frias e alcoólicas, doces e tortas feitas com a especiaria vem despertando o interesse na região. “Muita gente me procura querendo abrir um negócio semelhante. Nada melhor que criar uma franquia para os interessados”, conta João Luiz Maia.
Por dia, a Vozzuca chega a vender cerca de 200 bebidas. Para o empresário, a alimentação fora do lar cresce a cada ano e vem se constituindo num bom investimento. “As pessoas têm pouco tempo. E o cafezinho vai além de uma xícara, ele está nas reuniões de negócios ou no encontro entre amigos”, diz.
Os interessados em investir na marca teriam uma lista de fornecedores da região, treinamento de pessoal e assessoria administrativa. O café fornecido seria o mesmo produzido pela família do empresário. “Nosso objetivo é manter o padrão de qualidade e oferecer o melhor atendimento aos clientes”, conta João Luiz.

Projeto Minas Franquia

O empresário Lauro Teixeira, da Cia Mineira de Chocolate, diz que “sem a ajuda do Sebrae-MG ficaria difícil organizar a papelada e pagar um profissional”, referindo ao projeto Minas Franquia

A Vozzuca e a Crazzy Doggy são duas das seis empresas (Ferreira Matos, Cia Mineira de Chocolate, Cafeeiro e Ducks) que participaram do projeto Minas Franquia, em Uberlândia. Apoiadas pelo Sebrae-MG, as empresas foram orientadas desde a preparação da documentação até o posicionamento que deveriam ter com o lançamento da marca no mercado.
Para o empresário Lauro Teixeira, proprietário da Cia Mineira de Chocolate, a preparação dos documentos é um processo muito técnico e caro. “Sem a ajuda do Sebrae-MG ficaria difícil organizar a papelada e pagar um profissional”, admite. Com duas lojas em Uberlândia, que empregam 20 funcionários e fabricam mais de 800 kg de chocolate por mês, Lauro quer ampliar ainda mais o negócio. “Hoje é muito complicado e caro administrar um negócio próprio fora da cidade. Como franqueador posso expandir meu negócio com recursos de terceiros, reduzir riscos e tornar minha marca mais conhecida”, explica.
O Projeto Minas Franquia visa a estimular o mercado de franquias em Minas Gerais, oferecendo às micro e pequenas empresas oportunidades de expansão dos negócios. A iniciativa orienta a estruturação de empresas com potencial de crescimento para que se tornem franqueadoras nos termos estabelecidos pela Lei do Franchising (Lei Federal 8.955/94).

A equipe constituída pelo Sebrae-MG, responsável por tocar o projeto Minas Franquia junto a empresários uberlandenses: da esquerda para direita, Luíza Vidigal, Marden Magalhães, José de Castro Schwarts, Alessandra Simões, Carlos Ruben Pinto, Tereza Cristina Magalhães e Lina Volponi

Franqueador de sucesso, Golfeto esteve presente como palestrante na lançamento das seis marcas uberlandenses no mercado de franquias

Palestra - Durante o evento do dia 18, na Aciub, que marcou o lançamento oficial das marcas da seis empresas uberlandenses no mercado do franchising, quem esteve presente foi o presidente da Água Doce Cachaçaria, Delfino Golfeto, que fez a palestra “Os desafios da implantação do sistema de franchising”. Muito apropriado por sinal, devido à expressiva carreira de sucesso que o empresário empreendeu como franqueador.
Golfeto, considerado o Embaixador da Cachaça no Brasil, especialista em Tecnologia do Açúcar e do Álcool, começou o seu negócio na garagem de casa, em Tupã, na época denominado Água Doce Aguardenteria. Apenas dois anos depois, com o negócio consolidado, criou a Água Doce Cachaçaria e seu sistema de franquias, que em apenas 12 meses abriu 12 unidades. Hoje são mais de 100 unidades da rede presentes em nove estados e no Distrito Federal, que oferecem o que há de melhor em comidas e bebidas típicas do Brasil.