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Revista Mercado Edição 42 - maio 2011

Opções: proteção acima da especulação

POR George Lucas Furini

O mercado financeiro dispõe de diversos mecanismos de proteção contra a volatilidade dos preços dos ativos. Já falamos do hedge (do inglês, proteção) de carteira através do índice futuro do Ibovespa na edição de fevereiro. Hoje, iremos falar sobre como rentabilizar sua carteira de ações de forma segura com opções.
Opções são derivativos financeiros que derivam, como o próprio nome já diz, de um outro ativo. Estas conferem ao titular o direito – e não a obrigação – de comprar ou vender um ativo (ação, título ou bem qualquer) por um valor e até uma data predeterminados. Para tentar se defender de oscilações de preços futuros ou até mesmo alavancar suas aplicações, investidores apostam na negociação desses contratos.
Nesse mercado se negociam direitos de compra ou venda de ações, ativos financeiros, commodities e dólar, com preços e prazos de exercício preestabelecidos contratualmente. Por esses direitos, o titular de uma opção paga um prêmio, podendo exercê-los a qualquer momento até o dia do vencimento, ou revendê-los no mercado durante o período de validade da opção.

A opção de compra é semelhante ao sinal pago na compra de um imóvel, pois garante o preço fixo e a preferência na compra. Já a opção de venda pode ser vista como um seguro de automóvel, pois permite recuperar um valor predeterminado pelo ativo, mesmo que este tenha desvalorizado muito. Por exemplo: o investidor compra um lote (100 ações) da Petrobras PN (PETR4) por R$ 2.500,00 (R$ 25,00 por ação), e compra a opção de venda para o mês de junho referente a este ativo (PETRF25) por R$ 0,29 (R$ 290,00 o lote), aumentando seu custo para R$ 25,29 por ação. Dessa forma, no vencimento, mesmo que o preço de PETR4 esteja abaixo dos R$ 25,00, o investidor terá o direito de vender ao preço predeterminado (R$ 25,00), travando, assim, seu prejuízo máximo em -1,15%.
Utilizando-se do mesmo exemplo, quem acha que o preço de PETR4 vá subir, pode comprar, nesse caso, uma opção de compra. Desse modo, garante que, mesmo que daqui a um tempo o preço da ação suba, comprará pelo preço combinado (R$ 25,00 por ação). Se o preço não estiver acima desse patamar, ele simplesmente não utilizará o “sinal” que havia dado na compra da opção.
A codificação das opções na BMFBOVESPA deriva do código da ação. É formada pelas letras referentes ao ativo no mercado à vista, mais uma quinta letra que indica se a opção é de compra ou de venda e seu mês de vencimento. Por último, é indicado o preço de exercício (strike) da opção. Esse valor refere-se a qual preço a opção dá o direito de compra ou venda até o vencimento. VALEF50 é, por exemplo, o código da opção de compra de Vale do Rio Doce para o mês de junho, com preço de exercício igual a R$ 50,00.

O mercado de opções foi criado para a proteção de carteira. No entanto, muitos investidores utilizam esse mercado para especular sobre o preço desses direitos.

O mercado de opções foi criado para a proteção de carteira. No entanto, muitos investidores utilizam esse mercado para especular sobre o preço desses direitos. Diante da expectativa de valorização do ativo, o preço da opção tende a se valorizar muito percentualmente, o que chama a atenção dos especuladores. Essa forma de negociação, entretanto, apresenta alto risco e não é recomendada pelos mais experientes.
Um excelente exemplo para ilustrar as consequências que as opções podem trazer quando não são utilizadas como proteção e controle de risco é o que ocorreu na Holanda, no século17. O principal mercado da época não era o de ações ou produtos, mas sim o de tulipas. Para se ter ideia, naquela época, para se comprar apenas um bulbo da flor, eram necessárias 24 toneladas de trigo. A valorização irracional das tulipas fez com que produtores e intermediários começassem a fechar contratos futuros, os chamados “windhandel” (negócio de vento). Esses contratos nada mais eram que opções de compra e venda de tulipas.
Não demorou muito para que esses contratos passassem a ser negociados livremente apenas como forma de especulação, afinal, com a alta valorização das tulipas, esses direitos também passaram a valer mais, e especuladores preferiam vendê-lo com lucro ao invés de exercerem seus direitos de compra das tulipas. Dessa maneira, os contratos passaram a não mais ter o ativo-objeto (tulipas) como referência.
Quando o mercado percebeu que as tulipas não valiam o preço pelo qual estavam sendo negociadas, a bolha estourou. Os especuladores passaram a vender seus direitos, e os que não conseguiam vender, também não tiveram como honrar seus compromissos. Foi o caos.
Esse marco histórico serve para ilustrar o perigo do caráter especulativo da negociação. O que proponho, no entanto, é a utilização de derivativos financeiros como alternativa para proteger e melhor rentabilizar uma carteira de investimentos.

* Colaboração: Ápis Investimentos | Afiliada XP-Uberlândia
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