Investimentos&etc.

Revista Mercado Edição 39

Como se proteger das oscilações do mercado de ações

POR George Lucas Furini

Daqui a três anos, investir na Bolsa de Valores será uma atividade comum para um número de brasileiros quase dez vezes maior do que o atual. Isso porque a BM&FBOVESPA pretende ter, até 2014, cinco milhões de investidores – hoje são 610 mil CPFs cadastrados. No entanto, um dos maiores desafios para o investidor é conviver todos os dias com as oscilações do mercado, mesmo sabendo que o investimento em bolsa de valores é, historicamente, o mais rentável no longo prazo.
O que muitas pessoas não sabem é que existem estratégias para a proteção de carteiras, as chamadas operações de “hedge” (do inglês, cobertura). Uma das mais eficazes é a proteção através da venda de índices como o Ibovespa – que representa uma carteira teórica de ações mais negociadas na BM&FBOVESPA, como explicado no artigo do mês passado.
A negociação de índices é feita através da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), onde são negociados ativos agrícolas e financeiros, como milho, soja, boi, café, dólar, ouro e índice Bovespa, na forma de contratos financeiros. Assim, podemos negociar quanto estará o Ibovespa daqui a dois meses, por exemplo. Para isso, não é necessário ter o valor total da operação, basta uma margem de garantia – dinheiro, ações, CDBs ou títulos públicos -, que é uma espécie de “cheque caução” dado para viabilizar a negociação.
Em relação ao Índice Ibovespa, cada ponto do índice representa 1 real. Ou seja, se você comprar o índice a 68.000 pontos e vendê-lo a 69.000, terá um ganho de R$ 1.000 por contrato. Entretanto, por exigir uma margem alta (cerca de R$ 15.000), pequenos investidores podem utilizar o mini-índice com a mesma finalidade. Neste último, cada ponto equivale a R$ 0,20 e a margem exigida é em torno de R$ 2.500.
Suponhamos que você tenha uma carteira teórica no mercado à vista com 5 ativos no valor de R$ 15.000 e haja uma expectativa  baixista  para  o  mercado  no  futuro  próximo.  Neste cenário, você vende 1 contrato de mini-índice futuro a 70.000 pontos, por exemplo, antecipando um movimento esperado do mercado e deixa como margem parte de sua carteira de ativos.
Dessa forma, mesmo que o mercado desvalorize 3% e sua carteira perca o mesmo valor, o mini-índice também  cairia  cerca  de  3%  (de  70.000  para  67.900  pontos). Financeiramente falando, suas ações perderiam R$ 450 em valor, enquanto você ganharia R$ 420 (2.100 pontos x 0,2) na sua proteção.
O uso dessa estratégia de proteção é, atualmente, muito comum entre investidores no Brasil e no mundo. Para termos uma ideia, operações de mini-índices são mais negociadas que ativos da Petrobras e da Vale. No dia 7 de fevereiro deste ano, foram 31,3 mil negócios fechados com mini-índice, com volume estimado de 24,87 bilhões de reais. Contratos como estes são negociados não só como hedges, mas também por especuladores que buscam ganhos direcionais, apostando na alta ou na queda da Bolsa.


A grande vantagem de proteger uma carteira de ações com esta operação é o fato de ser extremamente simples e eficiente. Além disso, evita que você tenha elevados custos operacionais para se desfazer de seus ativos numa possível queda do mercado, reduzindo ou até mesmo anulando as perdas em períodos de instabilidade.

Até breve e bons negócios!!!

* Colaboração: Ápis Investimentos | Afiliada XP-Uberlândia
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