Revista Mercado Edição 38
Valorizar para crescer
POR Michele Borges (Ciclo)
Empregado, funcionário ou colaborador? Chefe ou gestor? Recursos Humanos ou Gestão de Pessoas?
A diferença, que pode parecer uma simples questão semântica, é na verdade algo mais sério e que pode afetar diversos interesses

Trabalho com prazer: colaboradores da PDCA Engenharia de Uberlândia, empresa classificada em 1º lugar no PSQT estadual, na categoria Gestão de Pessoas
Muito se fala da necessidade de se buscar novos paradigmas de gestão humana, podendo até se afirmar que gerir pessoas não é mais o fator de uma visão mecanicista, sistemática, metódica ou mesmo sinônimo de controle, tarefa e obediência. É preciso, agora, discutir e entender o disparate entre as técnicas tidas como obsoletas e tradicionais e as modernas, empreendendo uma gestão participativa e de conhecimento. Mas o que isso significa? Encarar a área de Recursos Humanos não mais como um mero departamento de pessoal, mas como o personagem principal de transformação dentro da uma empresa. Significa compreender o Capital Humano como o grande diferencial competitivo no mercado atual.
Wanderson Tavares Alves é analista financeiro da PDCA – empresa de engenharia de Uberlândia – há seis anos e nem passa por sua cabeça deixar esse emprego tão cedo. Isso porque, há quase dois anos a empresa deu início à implementação de novos conceitos de gestão de pessoas. “Antigamente, havia salários diferentes para cargos iguais. Agora não. Contamos com um plano de cargos e salários, cartão alimentação, auxílio combustível e até bolsa educação, benefício este que quero aproveitar para fazer uma pós-graduação em Controladoria em Finanças, o que irá me dar ainda mais perspectiva de crescimento”, afirma Wanderson.
Na contramão do analista, a professora M.L.P, que trabalha em um colégio particular da cidade e que não quer se identificar por medo de sofrer retaliações, lamenta o fato de não trabalhar numa empresa que não dá nenhum sinal de avanços no sentido de valorizar mais a sua força de trabalho. “Ficaria mais satisfeita se tivesse alguns benefícios, pois não é só o dinheiro que conta. Quero também bem-estar, qualidade de vida e possibilidade de crescimento no mínimo proporcional à minha dedicação ao que faço”, diz.

Wanderson Tavares é exemplo do empregado satisfeito: ele nem pensa em deixar o trabalho na PDCA, onde está há seis anos
Investir em pessoas vale a pena
Mas o que mais chama a atenção é que muitos administradores de empresas ainda não perceberam que investir em talentos humanos só traz resultados positivos para a organização e não são poucos. No caso da PDCA, onde trabalha o “satisfeito” Wanderson, a empresa acaba de conquistar o 1º lugar – entre 245 empresas mineiras – na categoria Gestão de Pessoas na Etapa Estadual do PSQT 2010 – Prêmio Sesi de Qualidade no Trabalho.
Segundo o gestor administrativo da PDCA, Oberdan Veras Tostes, muitos foram os avanços nas últimas décadas, como a introdução de novas técnicas orçamentárias, a descentralização administrativa de alguns setores, a redução das hierarquias e a implementação de programas de desempenho, mas ainda há muito por fazer. “Não podemos jamais esquecer que a mão de obra são os seres humanos e não simplesmente objetos de mais valia. São as pessoas que fazem as empresas se desenvolverem, que as dinamizam e impulsionam. Um dos grandes obstáculos para o crescimento corporativo é a falta de pessoas eficientes, a perda de entusiasmo, a falta de motivação, o que, ao meu ver, pode ser solucionado com pequenas ações, como, por exemplo, bonificações por resultado alcançado”, afirma.
Prêmio Sesi de Qualidade no Trabalho
O PSQT existe desde 1996, e tem como objetivo estimular as empresas brasileiras a incorporarem a responsabilidade social como parte integrante de suas estratégias mediante o reconhecimento e a difusão de boas práticas.
Em Uberlândia, além da PDCA, a empresa Bom Jesus Extração Mineral também conquistou o prêmio, ficando em 2º lugar na categoria Educação e Desenvolvimento no PSQT 2010. A Bom Jesus tem 85 funcionários e está no mercado desde 1967.

Oberdan Veras Tostes, gestor administrativo da PDCA: “São as pessoas que fazem as empresas se desenvolverem, que as dinamizam e impulsionam”
Para José de Assis, gestor administrativo da empresa, hoje não tem como crescer sem valorizar o trabalhador. “Já possuíamos uma política de desenvolvimento de oportunidades para nossos colaboradores, mas intensificamos isso em 2010, com capacitações, círculo de palestras e coparticipação no financiamento da formação continuada. A boa colocação no PSQT para nós é muito importante e serve de incentivo”, diz José de Assis.
Com relação ao PSQT, agora os primeiros colocados nas diversas categorias avaliadas em cada estado do Brasil seguem para a disputa na etapa nacional, que acontece de 25 de fevereiro a 25 de março de 2011, quando Uberlândia será representada pela PDCA Engenharia.
















