Habitação

Revista Mercado Edição 42

Conviver bem – pessoas e bichos de estimação

POR Alitéia Milagre (Serifa)

A administradora e mãe, Flávia Cristina, encontrou por detrás dos portões de um condomínio paz e segurança para ser mais “família” ao lado de seus filhos

O dito popular diz que “o direito de um termina onde começa o direito de outro”. E essa regra funciona muito bem na vida das famílias que convivem dentro de condomínios, onde boa parte dos moradores possui algum tipo de animal de estimação, entre outros caprichos. Aliás, muitas dessas pessoas escolheram morar nesse tipo de local justamente por ter algum bichinho, que em alguns casos tem status de legítimo membro da família. Exemplo desse tipo de pessoa é a administradora de empresas Flávia Cristina Araújo Nascimento Andrade, que possui nada menos do que quatro cachorros – dois mestiços e dois poodles -, e não abre mão da companhia deles de jeito nenhum. Ela lembra que antes de comprar o imóvel onde mora procurou saber se a administração do condomínio aceitava animais de estimação. Contudo, apesar do sim, que foi fundamental para sua mudança, ela afirma não se esquecer do básico: “Nossos cachorros são vacinados e bem tratados. Quando damos banho, tomamos o máximo cuidado para que os pelos não caiam nos ralinhos. Eles só saem para passear uma vez ao mês e são muito dóceis. Fazem parte de nossa família”, diz Flávia.
Em Uberlândia, no condomínio Jardins Barcelona, onde Flávia Cristina reside, cães, gatos e até calopsitas vivem em harmonia, cada qual no seu canto. E isso não poderia ser diferente, conforme explica Rogério Moreira, coordenador da filial FGR – empresa que construiu o condomínio. “O convívio entre famílias e animais de estimação faz parte da política ambiental adotada pela FGR na construção de seus condomínios, que inclui planejamentos com muita área verde e grandes projetos de arborização e paisagismo. Tudo para que a família possa dar liberdade aos filhos de estar em contato com a natureza e também com os animais, caso os tenha”, explica Rogério, acrescentando que vender um imóvel onde os moradores não tivessem o “direito de possuí-los seria até contraditório”.

Regras são regras, para que a presença de animais de estimação dentro do condomínio não gere conflitos entre administração e moradores

Contudo, regras são regras, e para que a presença de animais de estimação dentro do condomínio não gere conflitos entre administração e moradores, o regimento interno é claro: “Os cães só podem sair com a guia, acompanhados dos tutores, que devem portar o saquinho higiênico, para não deixar sujeira no chão. Os de grande porte, como Boxer, por exemplo, só saem de casa com focinheira e guia, mesmo sendo considerados cachorros dóceis”, informa a administradora do Jardins Barcelona, Mônica Melo.
Por sua vez, a administradora do Jardins Roma, Maria Madalena Melo, vai mais longe. Ela acrescenta que o regimento interno, além de explicar sobre focinheira, guia e material de higienização, menciona onde é restrita a entrada dos animais. “Áreas de lazer, como academia, parque infantil, quadras de tênis e gramado”, lista Maria Madalena.
O Barcelona conta com quase 150 casas, entre as quais 50% dos moradores têm cachorro. Já no Roma, são 87 moradores, sendo que em torno de 80% possuem algum animal de estimação. “Todos sabem do regimento interno e procuram se ajustar a ele e respeitá-lo”, ressaltou Mônica, referindo-se aos moradores do condomínio que administra.
Além de tudo, nos referidos condomínios, todo animal possui uma coleira de identificação com número de telefone. Além disso, a administração tem o registro do bicho com cartão de vacinação e até foto. “Em raríssimos casos, quando os animais saem de casa sem o dono, o proprietário é notificado e pode, na reincidência, ser multado”, esclarece Maria Madalena.

Convívio entre criança e animais

A bancária Cristine Luise Handel tem um cachorro da raça Whippets que atende pelo nome Galgo,  e outro da raça Pug, de três anos. Para ter esses animais, ela conta que procura seguir à risca as normas estabelecidas no regimento do condomínio onde reside. A bancária informa que Galgo é adestrado e quase não sai de casa. “O Whippet aproveita o jardim, que é grande, para fazer o que mais gosta: correr. Porém, quando saímos, ele está sempre muito bem identificado e com a guia. Temos cuidado com o asseio da área por onde circulamos”, diz a bancária.

Os filhos de Cristine, Handel, Gabriel e Laura, com os animais da casa: brincadeira, liberdade e descontração com segurança

Tanto Flávia quanto Cristine valorizam morar em um lugar onde é possível possuir animais de estimação. As duas moradoras acreditam que ter um bichinho em casa ajuda na formação dos filhos, tornando-as crianças mais responsáveis. “Meus filhos colocam ração e água para os cães. É um modo de ensiná-los que a vida também é feita de responsabilidades e que cuidar de um animal é mais que dar comida, mas carinho, atenção, banho, e isso para eles é festa”, informa Flávia. Por sua vez, Cristine informa que os animais que cria em casa ajudam no bom relacionamento familiar. Eles são capazes de desenvolver afetividade, responsabilidade e respeito. Ela acrescenta que os seus filhos, incluindo o de três anos e meio, também ajuda a cuidar dos bichos. Na opinião dela, as crianças desenvolvem sentimentos positivos, autoestima e autoconfiança.