Editorial

Revista Mercado Edição 35 - outubro 2010

Editorial

POR Evaldo Pighini

Anastasia

Foi uma vitória incontestável, afinal, quase 63% dos eleitores que foram às urnas no dia 3 de outubro o reelegeram governador do estado. Um votação inimaginável há apenas 30 dias da eleição, quando todas as pesquisas já davam como certo, no mínimo, a realização de um segundo turno em Minas Gerais – a pesquisa Datafolha de 3 de setembro, por exemplo, apontava vitória do principal adversário com 40% dos votos, cinco  pontos percentuais a mais nas intenções de voto.
Assim que soube do resultado da votação, Anastasia correu para o seu comitê no bairro Funcionários, região centro-sul de Belo Horizonte, onde foi recebido por cerca de 250 militantes, e festejou a reeleição de forma entusiasmada. Tanto que o seu primeiro pronunciamento público soou em tom de desabafo: “Essa eleição representa, em primeiro lugar, o reconhecimento dos mineiros de um jeito novo de governar, baseado na eficiência, na ética, na responsabilidade, dizendo não às promessas irresponsáveis, à demagogia”.
Horas antes, o ex-governador Aécio Neves havia dito que uma eventual vitória de Anastasia e a dele próprio – eleito senador – representaria a afirmação de um projeto de gestão pública gerencial, reconhecido em todo Brasil.
Para Anastasia, a sua vitória ainda em primeiro turno significa a confiança dos mineiros em um projeto iniciado há oito anos. Mas que projeto é esse? Para muitos, Anastasia foi o cérebro por detrás do governador Aécio Neves.
De fato, Antônio Anastasia participou do governo de Aécio Neves, desde a sua posse, em 2003, e marcou seu primeiro governo pela recuperação das finanças públicas do estado, no que chamou de “choque de gestão” e “déficit zero”. Anastasia ocupava o cargo de secretário de Planejamento e foi o principal idealizador do programa que anunciava a recuperação econômica.
Ainda no primeiro mandato de Aécio, Anastasia assumiu a Secretaria de Defesa Social e enfrentou uma grave crise, com uma greve das polícias que chegou a ter a intervenção federal a pedido do próprio governador; e, finalmente, na campanha de reeleição, foi indicado para o cargo de vice-governador na chapa do tucano. Reeleito com ampla maioria, Aécio começou a preparar Anastasia para sucedê-lo na cadeira mais alta do governo mineiro.
Agora, a eleição de Anastasia em sua primeira disputa eleitoral – de fato – foi a maior virada das eleições em 2010. Basta lembrar que durante pelo menos seis meses, todas as pesquisas de intenção de voto realizadas no estado mostraram o peemedebista Hélio Costa com mais de 20 pontos percentuais à frente do tucano. Somente no último mês da campanha é que Anastasia reverteu o quadro e tomou a liderança de Costa nas pesquisas, mas, ainda assim, tudo sinalizava para um segundo turno.
A vitória de Anastasia é considerada por analistas políticos como a continuidade de uma administração que já dura oito anos em Minas Gerais. Até porque, do ponto de vista da administração pública, o governo estadual já está na mão de Anastasia há muito tempo.
Mas, quem de fato é Antônio Augusto Junho Anastasia? O que pensa, o que pretende e como avalia as eleições em Minas? Para responder e essas e outras perguntas a Mercado publica nesta edição reportagem completa, que inclui a análise de um cientista político e uma entrevista exclusiva com o governador reeleito.

Boa leitura!

Evaldo Pighini
Editor