Editorial

Revista Mercado Edição 32 - julho 2010

Editorial

POR Evaldo Pighini

134 milhões de “técnicos” e quase 21 mil “selecionáveis”

Passada a euforia da Copa do Mundo de Futebol – competição em que a seleção brasileira foi eliminada precocemente -, que vinha tomando conta de todos os noticiários e assuntos nas rodas de amigos, o povo brasileiro finalmente volta à sua rotina e deve começar já a se preocupar com as eleições que vêm por aí. É bom ressaltar que junho, além de ter copa do mundo, foi também o mês das convenções partidárias que definiram oficialmente quais seriam os candidatos de cada legenda ou coligação na disputa eleitoral. Afinal, agora é o futuro do nosso país que está em jogo.
Nas eleições deste ano o eleitor deverá escolher presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais, uma decisão bem mais importante do que torcer pela seleção brasileira. Na África no Sul nós perdemos, mas a vida segue: é bola para frente. No entanto, nessa próxima disputa – desta vez no campo eleitoral – que começa agora e se prolonga até outubro e, em caso de prorrogação, até novembro, o técnico que vai escalar quem entra em campo somos todos “nós”, eleitores, uma escalação que vai recair sobre quase 21 mil “selecionáveis”.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exatamente 20.839 candidatos se registraram para a disputa em 2010, um número 15% superior  a 2006, quando 18.112 políticos se inscreveram para a eleição. Assim, os 134 milhões de eleitores em condições de irem às urnas terão mais opções, principalmente, no que se refere ao cargo de deputado federal e distrital.
Há que se perceber aí que, nessa disputa eleitoral, o número de técnicos – digo, eleitores – é infinitamente maior que o de selecionáveis – digo, políticos -, mesmo havendo aumento no número de candidatos desta para a eleição passada. Portanto, o eleitor tem tudo para selecionar – digo, votar – bem, decidindo os melhores em cada posição para que possa comemorar o “título” daqui a quatro anos.
Além disso, e “até que enfim”, o número de candidatos das eleições de 3 de outubro pode ser alterado devido à lei da Ficha Limpa, que, pela primeira vez, proíbe políticos condenados em segunda instância (decisão de mais de um juiz) de participar do processo eleitoral.
Essa sim, é uma grande vitória no campo eleitoral, mas ainda há de se manter os pés atrás, pois, afinal, estamos no Brasil, onde nada pode, mas tudo pode. Só para se ter ideia, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o TSE já permitiram que três políticos com condenações por órgão colegiado de juízes concorram nas próximas eleições. São eles: o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a deputada estadual Isaura Lemos (PTB-GO) e o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), que estão elegíveis novamente. Por outro lado, cerca de dez pré-candidatos tiveram negados seus pedidos para derrubar inelegibilidade imposta pela legislação.
Dentro desse panorama, a Mercado traz a partir desta e nas próximas edições um perfil detalhado de cada candidato em nível regional, estadual e nacional, para facilitar ao eleitor escalar bem a sua “seleção”, ou seja, aqueles políticos que o irão representar, decidir por ele e fazer o melhor para a sua região, estado e país.
Assim sendo, nesta edição, começamos pelos candidatos à presidência, aqueles que segundo as pesquisas eleitorais se apresentam com mais chances de chegar ao Palácio do Planalto. Começamos com Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).
Então, que o eleitor fique atento aos perfis apresentados e de olho nos programas de cada candidato, assim como na propaganda eleitoral gratuita, que neste ano começa no dia 17 de agosto, avaliando detalhe por detalhe para que saiba escalar bem a sua “seleção”…

Evaldo Pighini
Editor