Editorial

Revista Mercado Edição 33 - agosto 2010

Editorial

POR Evaldo Pighini

De olho na Copa e nas Olimpíadas

Ainda não há como mensurar o impacto que as realizações da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 irão causar na economia brasileira, tanto em investimentos quanto em receitas. Mas já se sabe, por exemplo, que haverá um grande aumento na geração de empregos e na procura e oferta de serviços e produtos em praticamente todos os setores.
Enfim, para os próximos seis anos, o futuro reserva grandes oportunidades de empregos e negócios no Brasil, diretamente em setores como os de turismo, construção civil, educação (escolas de idiomas), recursos humanos (principalmente em recrutamento, seleção e treinamento), transporte, energia e comunicação, entre outros. Indiretamente, também, muita gente vai lucrar com a herança deixada pelos dois eventos com as obras de infra estrutura que serão feitas ou recuperadas, como, por exemplo, no que diz respeito a investimentos em transportes coletivos como metrô e trem bala, urbanização, iluminação e etc.
Tomando por base somente o evento Copa do Mundo, segundo estudo realizado, serão necessários 35,9 bilhões de reais em investimentos no Brasil nestes próximos cinco anos. A mesma pesquisa mostra ainda que o torneio vai gerar 3,6 milhões de empregos e resultar em uma renda de 64 bilhões de reais, o que será excelente para o país, levando-se em conta também que pessoas com mais empregos geram sempre mais lucros. E para não dizer que isso é só previsão, basta citar o exemplo da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, que deu um lucro total de 135 milhões de euros (370 milhões de reais). É certo que desse montante, 40,8 milhões de euros (112 milhões de reais) foram parar nos cofres da Fifa, enquanto os outros 56,6 milhões (155 milhões de reais) foram divididos entre a Federação e a Liga de Futebol da Alemanha. E, pasmem, a previsão é que no país canarinho a arrecadação com a Copa do Mundo seja 100% maior que na Alemanha.
Alguns poderão então perguntar: e para a população sobra o quê? Acontece que a realização de um evento como a Copa do Mundo leva às cidades-sede grandes investimentos em infra estrutura urbana e esportiva, comunicação, turismo, entre outros. Além do quê, benefícios parecidos também podem ser levados a outras cidades que não as escolhidas como sede dos jogos, como as subsedes ou mesmo outras com boa estrutura hoteleira e esportiva, como foi o caso de Weggis, na Suíça, onde a seleção brasileira se preparou antes da Copa de 2006 na Alemanha.
Diante disso, para responder à pergunta anterior, o que fica para a população é toda a estrutura construída ou reformada para a realização do evento, ou seja, o que foi investido na construção ou reforma de estádios, no setor de transportes (metrô, ônibus, aeroportos, etc), setor hoteleiro, e outros mais, além daqueles bilhões de reais que vão parar nas mãos de trabalhadores e que viram receita que passa a circular de comércio em comércio.
E um pouco de tudo isso pode vir parar em cidades como Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que mesmo não tendo sido escolhida como sede, nesse caso da Copa do Mundo, tem chances de ser subsede ou no mínimo um centro de pré-temporada para seleções. Nesse caso, também para as Olimpíadas de 2016. Como mostra a nossa matéria de capa, a cidade já goza de uma privilegiada estrutura esportiva, amparada por uma não menos significante rede hoteleira e localização geográfica invejável. Aliás, são estruturas que podem crescer e melhorar ainda mais, considerando os projetos em andamento e outros que ainda estão por acontecer.

Boa leitura (e fique por dentro)!

Evaldo Pighini
Editor