Editorial

Revista Mercado Edição 43 - julho 2011

Editorial

O “boom” da construção

Não precisa ir longe para perceber o bom momento que atravessa o mercado da construção civil no Brasil. Em Uberlândia, como é o caso, por todo lado que se olha existe uma obra em andamento. A Prefeitura está prestes a entregar quatro mil casas no residencial Shopping Park, e existe previsão de novas unidades habitacionais em 1.700 lotes no Jardim Glória e 300 lotes no Jardim Manaim. Também a Construtora Rossi está em fase final de construção de um condomínio próximo à UFU, composto por 348 apartamentos, e o complexo do Center Shopping está ganhando duas novas torres, com cerca de 15 andares cada: uma comercial e outra para hotel . Esses são apenas alguns exemplos.
Mas é preciso conter a euforia.
No início deste ano, especialistas estimaram que o setor deve crescer 6% em 2011, acima do setor da indústria como um todo e também do índice esperado para o PIB (Produto Interno Bruto). Além do bom momento da economia brasileira, após sair fortalecida da crise de 2008, e do aumento do poder de compra da população, contribuem para esse cenário as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e os megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O estudo mais recente sobre a cadeia produtiva da construção civil no Brasil, feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica um “boom” no setor. Conforme o levantamento, os investimentos – que tem participação de 9,2% na formação do PIB brasileiro – somaram R$ 244 bilhões em 2009. Em 2005, os aportes para o setor somavam R$ 168 bilhões, o que indica uma expansão de 10,3% ao ano. Isso equivale a uma taxa de crescimento anual 5,2% superior à da variação do IGP-DI no período.
Por conta disso, alguns reflexos – uns positivos e outros negativos – estão se evidenciando, por exemplo: falta mão de obra qualificada no setor, o preço dos imóveis disparou e o custo da construção civil não para de subir. Em contrapartida, o comércio de material de construção festeja. A estimativa é de que as vendas no setor neste ano cresçam entre 10% e 12%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
Contudo, se faz necessário cautela nesse momento. Os próprios executivos de algumas das principais construtoras do país são unânimes em afirmar que o ritmo de crescimento do seu próprio mercado deveria ser mais lento. Para eles, o preço dos terrenos subiu muito, os reajustes de salários estão sendo sempre acima da inflação, os fornecedores estão esgotando sua capacidade de atender à demanda, os cartórios não conseguem processar a papelada. Tudo isso ajuda a aumentar os custos. Com relação aos preços, o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin, disse à economista Mirian Leitão, em matéria publicada em O Globo, que existe uma distorção entre os segmentos de alta e média renda em relação aos de baixa renda. Os preços dos imóveis de maior renda têm tido forte aumento, mas no mercado de baixa renda os preços não podem subir porque, do contrário, perderão benefícios e linhas de financiamento. Há impedimentos burocráticos, mesmo que os custos fiquem mais altos. Menin explica que há um teto de preço para o mercado de baixa renda, imposto pelo Fundo de Garantia, pelo número de salários mínimos, pelo Minha Casa, Minha Vida. Por impedimentos como esses, o ideal é que o crescimento no setor seja moderado e por um período mais longo.
Outro alerta veio do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão. Ele constata que os gargalos já estão obrigando as construtoras a reduzir o ritmo de lançamentos em todos os segmentos. Talvez seja por isso que o crescimento do setor este ano desacelere para cerca de 6%, bem abaixo dos 11,5% registrados em 2010.
Números e opiniões à parte, o setor da construção civil merece destaque. Tanto, que é matéria de capa desta edição da MERCADO, que está repleta ainda de importante matérias.

Ao nosso leitor, desejamos boa leitura!

Evaldo Pighini
Editor