Economia

Revista Mercado Edição 51 - maio 2012

Onde aplicar com a “Nova” Poupança?

Por Luana Magalhães

Especialista da escola de Economia da FGV-SP esclarece mudanças feitas pelo governo na aplicação mais popular do país, que ainda geram dúvidas na cabeça do poupador brasileiro

Mudanças na caderneta de poupança colocaram dúvidas na cabeça do brasileiro. E agora, onde aplicar?

A partir do dia 4 de maio, o rendimento da caderneta de poupança será diferente: sempre que a Selic for menor ou igual a 8,5%, o rendimento da poupança deixará de ser de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) e passará a ser 70% da Selic mais a TR. Essa medida será válida apenas para os montantes aplicados na caderneta de poupança a partir da data mencionada – 4 de maio de 2012. Diante dessa notícia, muitos investidores se perguntam: neste novo cenário, qual a melhor decisão de investimento? Se a Selic alcançar o patamar de 8,5%, devo aplicar os meus recursos na poupança, no tesouro direto ou no CDB?
De acordo com o professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (EESP-FGV), Samy Dana, a primeira decisão que o investidor deve tomar é entre poupança e tesouro direto. Uma vez decidido entre poupança e tesouro direto, o investidor deve procurar o seu banco e ver qual a rentabilidade do CDB oferecido como percentual do CDI para tomar a decisão final. “Vale lembrar que investir em um CDB é o mesmo que emprestar dinheiro ao banco. Dessa forma, o investidor deve procurar CDB de bancos grandes e com boa capacidade de crédito”, observa.

Samy Dana é professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo

Segundo ele, a principal vantagem da aplicação em poupança é a não incidência do IR sobre os seus rendimentos. Já as aplicações no Tesouro Direto e em CDBs não são isentas da cobrança do imposto. “A alíquota de IR será de: 22,5% para investimentos de até 180 dias; 20% para investimentos entre 180 e 360 dias; 17,5% para investimentos entre 360 e 720 dias e, por fim, 15% para investimentos com maturidade superior a 720 dias”, explica Samy Dana.
De acordo com o professor, além do IR, os investimentos no Tesouro Direto estão sujeitos a três taxas: taxa de negociação de 0,1% (paga uma única vez no momento da compra); taxa de custódia de 0,3% ao ano e taxa de corretagem que varia de corretora para corretora, mas que nas principais é nula.
Tendo em conta essas vantagens e desvantagens e assumindo uma TR média de 0,02% ao mês e a atual Selic em 9% ao ano, a rentabilidade do Tesouro Direto supera a rentabilidade da poupança, independentemente do período de investimento. Devido à alíquota regressiva do IR, o diferencial de retorno entre os investimentos no Tesouro Direto e as aplicações na poupança tende a ser maior quanto maior for o prazo de investimento.
“Quanto à decisão entre Tesouro Direto e CDB, no atual cenário temos que o Tesouro Direto será preferível a qualquer CDB com rendimento inferior a 94% do CDI”, informa Samy Dana. Caso contrário, segundo ele, o investidor deverá optar pelo investimento em CDB em detrimento do Tesouro Direto.
O professor também esclarece que, se a Selic caísse para 8,5% e o regime antigo da poupança fosse mantido, a rentabilidade da poupança superaria a rentabilidade do Tesouro Direto para investimentos com maturidade de 6 meses. Contudo, levando em consideração o novo regime da poupança, isso não ocorre, portanto, o Tesouro Direto se mantém mais vantajoso do que a poupança, independentemente do período de investimento.
Com o novo sistema de poupança e a Selic a 8,5%, as conclusões são basicamente as mesmas que com a atual Selic e o antigo sistema de poupança: o Tesouro Direto é preferível à poupança e a qualquer CDB cujo rendimento seja inferior a 94% do CDI.
“Com o novo regime da poupança, a sua rentabilidade só será superior à do Tesouro Direto com uma taxa Selic inferior 8,25% para investimentos de 6 meses; 5,5% para investimentos de 1 ano; 4,15% para investimentos de 2 anos e 3,40% para investimentos de 3 anos”, destaca Samy Dana.
Em síntese, considerando o novo cálculo do rendimento da caderneta de poupança, podem ser destacados os seguintes dados:

- Com uma taxa Selic maior ou igual a 8,25%, o Tesouro Direto é mais vantajoso que a Poupança e qualquer aplicação de CDB cujo rendimento seja inferior a 94% do CDI

- Com um taxa Selic inferior a 8,25%, a “nova” poupança será mais atrativa para investimentos de até 6 meses
- Com um taxa Selic inferior a 5,5%, a “nova” poupança será mais atrativa para investimentos de 6 meses até 1 ano

- Com um taxa Selic inferior a 4,15%, a “nova” poupança será mais atrativa para investimentos de 1 até 2 anos

- Por fim, com uma taxa Selic inferior a 3,40%, a “nova” poupança será mais atrativa até mesmo para investimentos de prazos mais longos, como de 3 anos

Resumo entre Poupança e Tesouro em função do prazo e da Selic
Até 3,40% de 3,40% a 4,15% de 4,15% a 5,5% de 5,5% a 8,25% acima de 8,25%
Até 6 meses Poupança Poupança Poupança Poupança Tesouro
6 meses a 1 ano Poupança Poupança Poupança Tesouro Tesouro
1 a 2 anos Poupança Poupança Tesouro Tesouro Tesouro
longo prazo Poupança Tesouro Tesouro Tesouro Tesouro

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