Economia

Revista Mercado Edição 39 - fevereiro 2011

Importados invadem as ruas

POR Janaina Depiné (Lead)

No mercado de automóveis, o consumidor tem trocado de veículo cada vez mais cedo, além de estar ainda mais exigente

Desde os anos 90, o Brasil não recebia uma enxurrada de carros importados como agora. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os  importados corresponderam a 23,5% das vendas em janeiro. A Associação acredita que essa participação dos importados seja a maior desde 1994.

Em dezembro de 2010, os importados responderam por 21,7% das vendas de veículos no Brasil. Segundo a Anfavea, 52,7% dos veículos vieram da Argentina, seguidos do México, com 10,6%. Para Rubens Júnior, gerente comercial da Maqnelson Mitsubishi, a explicação é simples: “A tendência do mercado é criar plataformas mundiais e isso é distribuído no mundo todo, mantendo o padrão de qualidade do produto e globalizando a marca importada. Além disso, o poder de compra do brasileiro aumentou e houve uma migração de classe social. É um fenômeno nacional, com pessoas trocando da classe D para a C e da C para a B”, explica.

Mudança de renda e de carro

Além de comprar mais importados, outra mudança no comportamento do brasileiro está na redução do prazo de troca de carro. “Como estamos presenciando uma ascensão de classe, temos uma parcela maior de pessoas com maior poder econômico. Hoje a pessoa compra um veículo e com dois anos já quer um carro melhor. Por isso, as montadoras estão colocando veículos de entrada. Assim, o consumidor compra um primeiro carro da marca e vai ascendendo. Na medida em que ele vai tendo o desenvolvimento econômico, muda de carro sem sair da marca, porque conseguimos fidelizá-lo”, avalia o gerente.

O gerente comercial da Maqnelson Mitsubishi, Rubens Júnior, diz que hoje a pessoa compra um veículo e em dois anos já quer mudar para outro carro. Se for importado, melhor ainda

Foi esse o motivo que fez o analista de negócio da Pub Web Mídia Digital,  Marcelo Medeiros, trocar um carro básico por um modelo importado cheio de opcionais.  “Começei com um Gol básico, depois passei para um Palio e agora estou num modelo da Renault. Meu carro atual tem algumas vantagens a mais: painel digital, conta-giros, rodas aro-14, peito de aço de fábrica, tapetes originais, além do maior porta-malas da categoria pelo que pesquisei. Optei pela versão mais básica e ainda assim obtive diversas vantagens”, conta.
Rubens Júnior diz que esse comportamento é comum. “Conforme a renda cresce, o consumidor quer mais opcionais, pois cresce o nível de exigência. A pessoa às vezes começa com um carro popular, depois quer um importado e hoje esse é um carro acessível”, garante.
Foi exatamente o que percebeu o colega de trabalho de Marcelo. Carlos Oliveira trocou o Astra por um Citroën, mesmo o segundo sendo um ano mais antigo que o primeiro. “Não tem comparação a quantidade de opcionais que inclui, até aquecedor de banco e seis airbags, e o preço dos carros é praticamente igual. Além disso, existem peças disponíveis e, inclusive, a primeira revisão saiu mais barata que a feita no modelo nacional”, comemora.

Dicas básicas para a escolha de um importado
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