Decoração

Revista Mercado Edição 50 - abril 2012

Um só corpo e…

Por Ana Paula Horta

Os tempos mudaram e, hoje, a união entre homem e mulher passa pela divisão de tudo, inclusive de espaço, mesmo no banheiro

A nova forma de relacionamento dos casais se reflete na decoração, em que cada um quer o seu espaço: no detalhe, banheiro com duas cubas - uma para ele e outra para ela

Para tudo! O discurso pronunciado no ato do casamento não se aplica ao dia a dia. O casal é composto, sim, por dois corpos, duas carnes. E para que essas duas pessoas tão singulares possam ter uma união duradoura e estável, é necessário adotar algumas regrinhas, principalmente quando sob o mesmo teto.
Dividir a vida e a casa com uma outra pessoa completamente diferente, na prática não é tão fácil como nos contos de fadas. Todavia, a adesão de algumas regras no dia a dia pode ajudar na manutenção de uma convivência harmônica. Pensando em facilitar a vida do casal, a arquitetura e a decoração encontram soluções que valorizam a individualidade de cada pessoa.

Segundo as profissionais da VS design, Fabiana Visacro e Laura Santos, as relações de convivência mudaram, o que se reflete também no ambiente residencial

Os tempos mudaram e, nos dias atuais, a união entre homem e mulher parece se tratar de um manual de convivência, um contrato em que a principal premissa é a divisão de tudo, com a condição de não deixar a singularidade de cada um em segundo plano. Essa parece ser a receita para um casamento duradouro. Respeitar a individualidade e o espaço do parceiro é fundamental.
“A escolha de se unir a alguém, passar os dias compartilhando o mesmo ambiente, os problemas, as possibilidades financeiras e mais, sem imposição familiar, como ocorria antigamente, faz com que todo o conceito de casamento se altere e, junto a este, as relações de convívio. Esse novo conceito de união se reflete também no lar. Os ambientes retratam essas relações”, comentam as profissionais da VS Design, Fabiana Visacro e Laura Santos.
Quando marido e mulher passam a conviver sob o mesmo teto, as diferenças entre eles ficam mais evidentes. Ela reclama da bagunça dele. Ele reclama que ela demora muito no banho. Ela quer ver novela, ele, futebol… E por aí vai. Então, como planejar o lar para atender as necessidades dos dois? A resposta está na segregação de ambientes.
Segundo a designer de interiores Iara Santos, a mulher é quem mais pede essa opção. “A esposa, geralmente, é mais organizada, cuidadosa e se sente mais incomodada em ter que compartilhar, por exemplo, o banheiro com o marido, uma vez que o homem tem mania de jogar a toalha pelo chão, deixar a pia molhada etc. Isso costuma irritar mais as mulheres”, explica.

Os closets, com espaços bem definidos para o uso do homem e da mulher, são outro exemplo de segregação dos espaços nas moradas contemporâneas

O banheiro costuma mesmo ser o cantinho mais solicitado por elas para ser duplicado. E as profissionais defendem: “A mulher precisa cuidar da estética, por isso, principalmente pela manhã, costuma demorar no banho e gastar um bom tempo com a maquiagem e o cabelo. Como o horário de trabalho do marido geralmente é o mesmo, a mulher acaba tendo que abrir mão do tempo dispensado para cuidar de si”, lembra Iara.
A solução para isso, de acordo com Fabiana e Laura, é a colocação de pares de cubas, vasos sanitários e chuveiros no banheiro, possibilitando o uso do banheiro pelo casal ao mesmo tempo. “Essas são as solicitações mais comuns. E realmente isso torna a vida do homem e da mulher mais confortável e prática”, ressaltam. Elas recomendam ainda que se mantenha um padrão. “Os revestimentos, cores e etc. devem manter a unidade, evitando-se a distinção, para que a sensação seja de harmonia. Nada de poluição visual”!
Além do banheiro, os armários e o closet entram na lista dos itens solicitados para a segregação. Os projetos de decoração têm atendido de forma bastante criativa essa demanda. Uma contribuição da arquitetura e do design de interiores para que os pombinhos possam, de fato, viver felizes para sempre…