Conversa de mercado

Revista Mercado Edição 35 - outubro 2010

Conversa de mercado

POR Alzira J. M. Almeida

Caro leitor,

Quero falar aqui sobre níveis de atuação e desenvolvimento de carreira.
Atualmente, em consonância com as exigências de qualificação estabelecidas no cenário mundial, a nova geração de profissionais apresenta valores, expectativas e aspirações que precisam ser compreendidos pelas diversas organizações que participam do desenvolvimento de suas carreiras, a fim de oferecer-lhes as condições para que se mantenham entusiasmados e motivados a discutir, colaborar, inovar e aderir a causas sociais e ambientais.
Ao se colocarem como parceiras nessa tarefa de apoiá-los em suas trajetórias e levá-los a enxergar o que têm de melhor, é essencial que essas organizações sigam uma estrutura baseada nos melhores direcionadores para a construção dos alicerces de uma carreira marcada pela competência, pela assertividade e pela extraordinária inserção e atuação social.
O desenvolvimento na carreira se dá de forma progressiva, acompanhando a gradação inerente à aquisição de novos níveis de consciência, à medida que o profissional vai assumindo mais responsabilidades e sendo exigido em termos de conhecimentos, habilidades e atitudes.
A observância dessa progressão nos níveis de atuação favorece a passagem de uma fase para outra da maturidade profissional, até que o desempenho alcance maior eficácia. Ou seja, ajuda o profissional a evoluir da dependência para a independência e desta para a interdependência, tornando-se capaz de combinar o esforço individual com os esforços de outros para obter os melhores resultados.
Segundo a consultora da Right Management, Elaine Saad, a conquista da experiência não pode ser acelerada, uma vez que por meio dela o profissional se torna melhor a cada ano. Porém, não há dúvida de que as oportunidades vão surgindo para quem tem mente aberta e capacidade para coordenar suas metas com a realidade multifacetada do mercado.
Tal postura advém do compromisso de cada pessoa com o planejamento do seu futuro profissional e com o gerenciamento de sua carreira. Na verdade, antes de fazer qualquer escolha relativa à continuidade dos estudos em nível de pós-graduação, o profissional precisa traçar um plano de carreira, definindo claramente os objetivos, as prioridades e as estratégias que utilizará para alcançá-los.
No início da carreira, o profissional deve estar receptivo a um papel mais técnico e a procurar intercalar períodos de dedicação plena ao trabalho com a realização de cursos que proporcionem uma abertura de conhecimentos em várias áreas, especialmente aquelas que tenham conexão com a de sua formação, em observância às tendências emergentes no mercado de trabalho.
A dedicação ao trabalho pode se dar mediante a inserção em programas de trainee voltados para a identificação de jovens lideranças, nos quais o candidato passa por um processo de seleção rigoroso e, se aprovado, aí sim, tem sua carreira acelerada. Geralmente, são empresas competitivas, extremamente focadas em resultados e desenvolvimento.
O salário médio de trainees é de 3,5 a 4 mil reais – segundo os Classificados de O Estado de S. Paulo – e os programas duram de um a dois anos; se o desempenho do profissional for satisfatório, ao fim desse período pode ser contratado.
A faixa de dois a quatro anos de experiência é a mais favorável para se obter uma visão internacional por meio de cursos de MBAs que oferecem alguns módulos no exterior ou que têm parte da sua carga horária desenvolvida por professores estrangeiros. Seja qual for a sistemática adotada pelas instituições, o importante é que ofereçam dupla diplomação: da instituição brasileira e estrangeira,  a exemplo do MBA de Gestão de Negócios Internacionais da Business School- São Paulo (BSP). Nele, o aluno pode realizar um módulo internacional na Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), em Barcelona, na Espanha, e outro em Harvard, em Cambridge, Estados Unidos.
Ainda nessa faixa, se o profissional decidir sair do país, poderá ser admitido em MBA Full Time, com dois anos de duração, incluindo estágios e cursos eletivos.
Para o profissional com cinco anos de experiência e que se encontra, ainda, numa fase da carreira mais específica, gerencial, há o chamado Part Time MBA, a exemplo dos MBAs em Finanças, em Gestão de Projetos. Esse é um momento em que o profissional já alcançou um nível de maturidade que lhe permite o máximo de aproveitamento e resultados satisfatórios.
A partir de seis anos de experiência, o MBA Executivo passa a ser fundamental por coincidir com o momento em que o profissional está procurando um papel mais estratégico, de liderança, de automotivação. Para quem quer aliar à formação o contato com outras culturas, especialmente a cultura dos negócios, os cursos no exterior são uma excelente opção, tanto pelo valor da titulação internacional como pela experiência de troca cultural.
Com esse entendimento, é importante que o profissional passe a pesquisar o curso compatível com suas condições financeiras, sua disponibilidade de tempo e suas necessidades pessoais. Cursos reconhecidos no Brasil custam entre 20 e 30 mil reais, com a exigência de dedicação de seis a oito horas semanais, em média, de estudo. No exterior, recomenda-se ter disponível para investimento pelo menos de 90 a 100 mil reais.
Nunca é demais insistir para que a escolha do curso seja feita de forma cautelosa, no sentido de que a aprendizagem deve estar inserida em um projeto de carreira e desenvolvimento pessoal. Em outras palavras, o curso deve decorrer da percepção do verdadeiro significado do aprendizado e contribuir para a consecução de um objetivo que leve o profissional a um novo patamar de sua vida pessoal, social e profissional.
Feita a escolha do curso, o profissional precisa saber se atende às exigências das instituições para ingresso. A maioria dos cursos conceituados requer proficiência em língua estrangeira e apoio da empresa, importante do ponto de vista da liberação de horários e do financiamento. Caso não consiga atender a todos os requisitos, é necessário saber lidar com a frustração não só de adiar a realização do curso, mas de adiar planos de ascensão, de aumento salarial ou de ampliação das oportunidades de atuação.
Esse ordenamento evidencia a importância de se ter objetivos e metas claramente definidos, na medida em que servem como referência para as decisões a serem tomadas na perspectiva da tendência atual de ciclos de carreira curtos, que projetam o profissional para o próximo ciclo. Além disso, evidencia a necessidade de um olhar mais estratégico sobre a carreira para que sejam criadas condições de autonomia e crescimento essenciais a cada um dos seus diferentes estágios.
Fica claro, então, que no mundo atual é preciso pensar a carreira como um caminho sem fronteiras, não limitado a organizações, mas que se amplia por meio de competências baseadas em projetos dentro de uma rede de atuação da qual fazem parte projetos sociais não remunerados.
Esses caminhos, com muita frequência, se cruzam, entortam, dão em becos, enfrentam armadilhas e tornam-se promissores para os que se preparam e apresentam os requisitos comportamentais e o talento certo para o lugar estratégico.

Alzira J. M. Almeida é graduada em Psicologia e mestre em Política, Planejamento e Gestão da Educação, com larga experiência na Docência e Gestão Universitária