Comportamento

Revista Mercado Edição 54 - outubro 2012

Piercings… Na boca?!

Por Patrícia Limeira

O uso de piercings em várias partes do corpo fez parte da cultura de antigas civilizações – egípcia, romana, maia, hindu e chinesa – que veio sendo passada de geração em geração. Hoje em dia, esse tipo de adorno está cada vez mais usual entre os adolescentes, para quem os piercings refletem a busca pela independência, identidade, autonomia e uma forma a mais para se enfeitar. Especificamente na boca, lugar de uso mais comum, o piercing pode ser colocado no lábio, na língua, nos freios labial e lingual e nas bochechas.
Contudo, o uso do piercing requer cuidados redobrados com relação à maioria de outros tipos de adereços usados pelas pessoas. No caso dos piercings bucais, os riscos e complicações são muitos, conforme explica a pesquisadora do Departamento de Odontopediatria da Universidade de São Paulo (USP), a odontologista Juliana Machado Frigo. Fratura dentária, necrose dos dentes pelo traumatismo, dificuldade da fala, deglutição e mastigação, infecção por instrumentos não esterilizados, recessão da gengiva, transmissão de hepatite B, AIDS, tétano, sífilis e tuberculose, perda de paladar, formação de hematoma, hemorragia, aspiração do piercing, hipersalivação, crescimento tecidual localizado, formação de cálculo (tártaro) sobre o metal, halitose (mau hálito) e até alergias estão entre os problemas enumerados por Juliana Frigo. “A mucosa bucal é bastante sensível, ao contrário da pele, por isso exige cuidados especiais, por ser muito mais vulnerável a lesões”, observa a odontologista que, além da odontopediatria, também atua com clínica geral e odontologia estética.

Juliana Machado Frigo é pesquisadora do Departamento de Odontopediatria da USP e também atua como clínica geral e odontologista estética na Clínica Frigo

Mas, se mesmo sabendo de tantas contraindicações, a pessoa ainda seguir em frente com a ideia de colocar um piercing bucal, Juliana Frigo dá as seguintes orientações: diminuir a mobilidade do acessório (não brincar de torcer, girar ou tocar o piercing com as mãos, já que esses hábitos aumentam os traumas na mucosa); tomar muito cuidado durante a mastigação (na hora de provar os alimentos, certificar-se de que não está mordendo o piercing, o que pode provocar desgastes ou fraturas nos dentes); e tirar o adorno durante a higiene bucal. “Após alimentar-se, retire o piercing, escove os dentes, use o fio dental, higienize a língua e as bochechas internas com a escova e, em seguida, escove o piercing como uma prótese dentária antes de colocá-lo no local. O acessório precisa ser removido com frequência para permitir melhor assepsia”, informa a odontologista. Ela recomenda ainda a pessoas que usam piercing na boca evitarem alimentos duros e redobrar os cuidados ao praticar esportes de impacto. “É aconselhável ainda visitar o cirurgião-dentista para controle”, afirma.

O piercing dental é uma boa alternativa para quem quer ser irreverente sem correr riscos

Agora, uma vez consciente dos riscos e das complicações do uso de piercing bucal, se a pessoal ficar hesitante entre usar ou não o acessório, Juliana Frigo orienta o uso do piercing dental, que também é irreverente e praticamente sem nenhuma contraindicação. “O piercing dental pode ser um cristal ou uma joia de ouro ou pedra preciosa, colada ao dente com o uso de resina, que não danifica nem desgasta o esmalte, não necessita uso de anestésico, e pode se removido sem nenhum dano ao dente quando não houver mais interesse”, finaliza a odontologista.