Comportamento

Revista Mercado Edição 46 - outubro 2011

Como lidar com o bullying nas escolas

Da Redação

Causas das agressões devem ser debatidas dentro e fora da sala de aula. Segundo psicóloga, o professor precisa repensar o seu lugar como educador

Tema recorrente no noticiário, o bullying apresenta consequências que trazem muito sofrimento para suas vítimas. Entre elas, medo, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento e de concentração e diminuição do rendimento escolar. Por isso, é preciso que suas causas sejam debatidas dentro e fora da escola. Dentro desta problemática, a psicóloga Bruna Vaz, do CPPL (www.cppl.com.br), alerta para a necessidade de se modificar a forma de olhar para crianças e adolescentes. “Esse é um desafio para que o professor repense seu lugar de educador e passe a agir de forma atuante em sala de aula”, afirma.
Na opinião da psicóloga, os profissionais devem prestar mais atenção em questões que estão além dos aspectos pedagógicos, mas que têm influência direta na escolaridade. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos. Grande parte das vítimas não reage nem fala sobre a agressão sofrida. Por isso, a grande dificuldade no combate a esse tipo de ato. A omissão dos pais também é um fator que tem se mostrado favorável ao bullying, que passa a ser, nesse caso, uma forma negativa de atraí-los até a escola. O comportamento é observado tanto em jovens como em crianças pequenas que não têm a vida escolar acompanhada pelos pais.

O jovem que atua de forma agressiva, antissocial, muitas vezes está revelando um pedido de ajuda

No entanto, além de ser um gerador de grande sofrimento para a vítima, o bullying também é um indício de que se deve dar mais atenção ao autor das ofensas e agressões, uma vez que a agressividade pode configurar uma maneira de encobrir dificuldades vivenciadas dentro de casa. Ou seja, o jovem que atua de forma agressiva, antissocial, muitas vezes está revelando um pedido de ajuda.
Para ser considerado bullying, deve-se ter um conjunto de atitudes violentas intencionais, de caráter físico ou psicológico, e sem motivo aparente. Nessas agressões, existe nítido desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Para Bruna, o termo geralmente é confundido dentro do âmbito escolar. Para ela, o bullying não pode ser associado à violência propriamente dita. “Existe um aumento no requinte de crueldade em cada caso, o que pode levar a uma associação errônea entre casos de violência que não podem ser analisados todos da mesma forma. Muitos deles nem sequer podem ser chamados de bullying”, comenta.

Existe um aumento no requinte de crueldade em cada caso, o que pode levar a uma associação errônea entre casos de violência que não podem ser analisados todos da mesma forma. Muitos deles nem sequer podem ser chamados de bullying”

Para tentar reduzir os casos de bullying, a psicóloga Bruna Vaz indica que o fenômeno deve ser tratado em conjunto pelos pais e a escola. A melhor saída para os pais é o estreitamento da relação com a escola, passando a agir como participantes da vida escolar do filho. Já os professores, devem lidar com essa problemática abordando-a de maneira delicada e propondo aulas mais participativas. A sugestão é propor trabalhos de compartilhamento de informação com a formação de equipes.