Comportamento

Revista Mercado Edição 51 - maio 2012

A tatuagem como tendência social e seu impacto nos negócios

Da Redação

A Unit 34, do estrategista Flávio Ferrari, lança vídeo sobre o uso da tatuagem e sua influência nos negócios. Segundo o especialista, atualmente ocorre um processo de transformação dos consumidores em busca do self (de si mesmo), e as empresas podem ganhar vantagem competitiva atuando nesse cenário

Profissionais tatuados, como o jogador David Beckham, influenciam gerações de consumidores

Flávio Ferrari, diretor da Unit 34, empresa representante da Sevendots, no Brasil, acaba de desenvolver o estudo “Tattoo Trends”. Registrada em vídeo, a análise sugere conclusões sobre o uso da tatuagem e sua relação com o trabalho e o desenvolvimento pessoal. Assista ao vídeo acessando o link http://www.youtube.com/watch?v=DGl9U7_HUwY
Ferrari analisou o intenso crescimento das tatuagens por indivíduos de todos os grupos sócio-demográficos, revelando uma tendência social. O estudo Tattoo Trends foi concluído após um ano de trabalho, reunindo entrevistas com pessoas tatuadas, tatuadores, psicólogos e profissionais especializados na observação do comportamento, além da análise e avaliação de outros indicadores correlacionados, como o acompanhamento de discussões em redes sociais. O resultado está condensado em pouco mais de seis minutos do vídeo, que identifica os elementos fundamentais e as linhas de força que caracterizam a tendência.
De acordo com o especialista em Inteligência Competitiva da UNIT 34, a tatuagem como forma de expressão é um dos indicadores da transformação decorrente da destituição das autoridades institucionais e da necessidade de construção do self (si mesmo). “Trata-se de uma das mais importantes tendências sociais desta década”, afirma.

Flavio Ferrari coordena os cursos de MBA em Gestão Estratégica e Inteligência Competitiva, do IBOPE Educação

Com mais de 30 anos de experiência em Gestão Estratégica, Marketing, Comunicação e Pesquisa, tendo sido CEO do IBOPEmedia na América Latina, Flávio Ferrari explica que “estamos falando de pessoas que não acreditam mais em autoridades externas para lhes dizer o que fazer, para apontar o que é certo e o que é errado. São pessoas que decidem suas vidas e que não confiam na perenidade das relações, profissionais ou pessoais”. São pessoas, que segundo ele, não esperam que o mundo lá fora seja seguro, mas que contam consigo mesmas para dar conta disso. Pessoas que estão assumindo a responsabilidade por seus destinos e pela própria felicidade. “A tatuagem é apenas uma marca visível dessa transformação”, declara.
Atualmente, Ferrari coordena os cursos de MBA em Gestão Estratégica e Inteligência Competitiva, do IBOPE Educação, por isso seu estudo amplia a visão corporativa sobre a tatuagem e questiona se as empresas estão preparadas para entender e oferecer produtos e serviços que sejam relevantes para esses novos consumidores. E ainda, se as empresas, quase exclusivamente dedicadas a obter resultados financeiros de curto prazo, serão capazes de reter e incentivar suas equipes e líderes. “A questão estratégica que se coloca é se as organizações estão se planejando para atuar neste cenário e tirar vantagem competitiva do movimento”, sentencia.
Já para o italiano Bruno Sfogliarini, sócio da Sevendots (www.sevendots.com), especialista em business forecast e modelagem de negócios, “a tatuagem é um caminho poderoso para expressão dessa tendência porque encontra eco nas três lógicas representativas da sociedade moderna apontadas pelo Copenhagen Institute for Future Studies: Dream Society Logic, Industrial Logic e Creative Man`s Logic.”.