Artigo

Revista Mercado Edição 41 - abril 2011

Artigo

POR Vitor Elman*

Nós vamos invadir sua sala

O lançamento da Apple TV traz à tona uma tendência de convergência da nossa conhecida televisão. Desde o surgimento do YouTube e de serviços que trocaram o grátis pelo exclusivo, como o Hulu, fala-se do fim da TV. Vemos agora que este fim está bem longe. O que dá para perceber é a mudança no jeito de assistir a ela. Estamos migrando de um modo passivo a um modo mais ativo, em que os anunciantes começam a se preocupar em como atingir seus consumidores nesse novo formato. Novos conceitos, como o Apple TV, Google TV, Netflix etc vêm dar outra função à TV, contrariando previsões da sua substituição pelo computador.
No Brasil, ainda temos um longo caminho. A TV aberta ainda é extremamente forte, mas percebemos mudanças de comportamento ao constatar um público crescente que assiste a capítulos de novela no YouTube. Em paralelo, temos um interessante nicho que começa a surgir com a chegada – através do mesmo mercado “cinza” que formou o nicho de consumidores do Ipad antes de seu lançamento oficial no Brasil – da Apple TV.
Ao contrário da concorrência, mais uma vez Steve Jobs apostou contra a maré e lançou a Apple TV sem uma AppStore, modelo já consolidado e de sucesso para o Iphone, Ipad ou Ipod. Segundo o guru, as pessoas se sentam em frente à TV para entretenimento, e não para acessar um computador. Mas rumores já especulam o lançamento de aplicativos para este ano. Essa é a característica da Apple que a diferencia do Google: a Apple começa simples e adiciona a complexidade gradualmente, enquanto o Google joga tudo na parede e vê o que gruda. O projeto Google TV é bem mais complexo e conta com busca, aplicativos e Internet, mas a um preço bem menos acessível.
Assim como o sucesso do mercado de aplicativos para Iphone e Ipad, o lançamento de aplicativos para a Apple TV promete ser o surgimento de um novo mercado. Um mercado para desenvolvedores, mas também um mercado para anunciantes conversarem com seus consumidores de uma maneira mais próxima, mais contextualizada e, principalmente, driblando a inexistência do intervalo comercial.
Não quero me indispor com Sir Steve, mas discordo da forma como caracteriza assistir à TV como entretenimento. A TV e, principalmente a sala de estar, estão em transformação. Uma transformação em que o entretenimento ganha uma maior amplitude. Kinetic, Nintendo Wii, Internet na TV, 3D são os novos instrumentos para a mesma satisfação que tínhamos ao assistir à “Sessão da Tarde” na TV aberta em tempos em que TV a cabo ainda não era cogitada. Aí é que surgem as oportunidades para desenvolvedores apostarem nessa nova corrente. Ao instalarmos estes diversos gadgets, ficamos ansiosos por cada vez mais conteúdo que os façam valer a pena.
Imagine que, através de aplicativos, podemos transformar uma Apple TV ou uma Google TV em uma plataforma de jogos, de relacionamento em redes sociais e, de quebra, de seriados, programas e filmes. Com o Facetime, aplicativo da Apple que faz chamadas no Iphone 4 com vídeo (http://www.apple.com/br/iphone/features/facetime.html), você pode falar com alguém que esteja no celular, com vídeo, sentado em sua sala de estar através da TV, para dar um exemplo do largo potencial dessa tendência.
Será um mercado lucrativo? Pelos números do iPad e da AppStore, o fenômeno deve continuar. O iPad vendeu 2 milhões de unidades nos seus dois primeiros meses de mercado e a Apple, segundo Steve Jobs, tem pagado aos desenvolvedores mais de US$1 bilhão em receita da AppStore, uma média de quase US$ 4.400 por aplicativo. Na sua taxa de crescimento atual, a AppStore deve passar a marca de 10 bilhões de downloads no início de abril de 2011.
O entrave para o mercado brasileiro está na burocracia, aparente falta de interesse pela Apple e o custo com que esses mesmos aparelhos chegam aqui. A Apple alcançou, finalmente em toda a sua história, uma característica de massa… nos EUA. Aqui no Brasil ainda é um nicho utilizado por anunciantes para atingir um público mais elitizado ou agregar à marca conceitos de inovação através do buzz gerado em torno de seus aplicativos. Já desenvolvedores se aproveitam justamente da audiência global para potencializar suas vendas, nunca focando apenas no mercado brasileiro.
Façam suas apostas. Eu aposto sempre no Steve, mas ele não está aqui, por hora, para guiar o mercado.
O lançamento da Apple TV traz à tona uma tendência de convergência da nossa conhecida televisão. Desde o surgimento do YouTube e de serviços que trocaram o grátis pelo exclusivo, como o Hulu, fala-se do fim da TV. Vemos agora que este fim está bem longe. O que dá para perceber é a mudança no jeito de assistir a ela. Estamos migrando de um modo passivo a um modo mais ativo, em que os anunciantes começam a se preocupar em como atingir seus consumidores nesse novo formato. Novos conceitos, como o Apple TV, Google TV, Netflix etc vêm dar outra função à TV, contrariando previsões da sua substituição pelo computador.No Brasil, ainda temos um longo caminho. A TV aberta ainda é extremamente forte, mas percebemos mudanças de comportamento ao constatar um público crescente que assiste a capítulos de novela no YouTube. Em paralelo, temos um interessante nicho que começa a surgir com a chegada – através do mesmo mercado “cinza” que formou o nicho de consumidores do Ipad antes de seu lançamento oficial no Brasil – da Apple TV.Ao contrário da concorrência, mais uma vez Steve Jobs apostou contra a maré e lançou a Apple TV sem uma AppStore, modelo já consolidado e de sucesso para o Iphone, Ipad ou Ipod. Segundo o guru, as pessoas se sentam em frente à TV para entretenimento, e não para acessar um computador. Mas rumores já especulam o lançamento de aplicativos para este ano. Essa é a característica da Apple que a diferencia do Google: a Apple começa simples e adiciona a complexidade gradualmente, enquanto o Google joga tudo na parede e vê o que gruda. O projeto Google TV é bem mais complexo e conta com busca, aplicativos e Internet, mas a um preço bem menos acessível.Assim como o sucesso do mercado de aplicativos para Iphone e Ipad, o lançamento de aplicativos para a Apple TV promete ser o surgimento de um novo mercado. Um mercado para desenvolvedores, mas também um mercado para anunciantes conversarem com seus consumidores de uma maneira mais próxima, mais contextualizada e, principalmente, driblando a inexistência do intervalo comercial.Não quero me indispor com Sir Steve, mas discordo da forma como caracteriza assistir à TV como entretenimento. A TV e, principalmente a sala de estar, estão em transformação. Uma transformação em que o entretenimento ganha uma maior amplitude. Kinetic, Nintendo Wii, Internet na TV, 3D são os novos instrumentos para a mesma satisfação que tínhamos ao assistir à “Sessão da Tarde” na TV aberta em tempos em que TV a cabo ainda não era cogitada. Aí é que surgem as oportunidades para desenvolvedores apostarem nessa nova corrente. Ao instalarmos estes diversos gadgets, ficamos ansiosos por cada vez mais conteúdo que os façam valer a pena. Imagine que, através de aplicativos, podemos transformar uma Apple TV ou uma Google TV em uma plataforma de jogos, de relacionamento em redes sociais e, de quebra, de seriados, programas e filmes. Com o Facetime, aplicativo da Apple que faz chamadas no Iphone 4 com vídeo (http://www.apple.com/br/iphone/features/facetime.html), você pode falar com alguém que esteja no celular, com vídeo, sentado em sua sala de estar através da TV, para dar um exemplo do largo potencial dessa tendência.Será um mercado lucrativo? Pelos números do iPad e da AppStore, o fenômeno deve continuar. O iPad vendeu 2 milhões de unidades nos seus dois primeiros meses de mercado e a Apple, segundo Steve Jobs, tem pagado aos desenvolvedores mais de US$1 bilhão em receita da AppStore, uma média de quase US$ 4.400 por aplicativo. Na sua taxa de crescimento atual, a AppStore deve passar a marca de 10 bilhões de downloads no início de abril de 2011.O entrave para o mercado brasileiro está na burocracia, aparente falta de interesse pela Apple e o custo com que esses mesmos aparelhos chegam aqui. A Apple alcançou, finalmente em toda a sua história, uma característica de massa… nos EUA. Aqui no Brasil ainda é um nicho utilizado por anunciantes para atingir um público mais elitizado ou agregar à marca conceitos de inovação através do buzz gerado em torno de seus aplicativos. Já desenvolvedores se aproveitam justamente da audiência global para potencializar suas vendas, nunca focando apenas no mercado brasileiro.Façam suas apostas. Eu aposto sempre no Steve, mas ele não está aqui, por hora, para guiar o mercado.

*Vitor Elman é sócio e diretor de criação da agência Cappuccino Digital – vitor@cappuccinodigital.com.br