Artigo

Revista Mercado Edição 34 - setembro 2010

Artigo

POR Armando Terribili Filho*

Liderança, liderança, liderança…

Afinal, o que é isto?

Os resultados do Benchmarking em Gerenciamento de Projetos Brasil – 2009, organizado pelos 13 chapters existentes no país do Project Management Institute (PMI), realizado com 300 organizações das áreas pública e privada, apontou como habilidade mais valorizada em um gerente de projetos a “liderança”, que foi mencionada por 50% das organizações participantes da pesquisa.
Tanto se tem falado de liderança, mas, afinal, o que é liderança? É algo genético? É algo que pode ser aprendido e desenvolvido? De forma sucinta e contundente, a professora Sylvia Constant Vergara define liderança como sendo “a capacidade de exercer influência sobre indivíduos e grupos”. Há várias teorias que discutem o tema. A própria professora, em seu livro “Gestão de Pessoas” (Editora Atlas, 8ª. edição, 2009), apresenta as três mais tradicionais teorias sobre liderança: a dos traços, a dos estilos e a contingencial.
A Teoria dos Traços, também chamada de Teoria das Características, baseia-se no fato de que a liderança é decorrente de traços físicos, intelectuais e/ou sociais. Observando-se alguns líderes (Bill Gates, Lula, Gandhi, Obama, Hitler, Maradona, por exemplo), pode-se refutar imediatamente essa teoria, considerando-se a diferença existente entre as pessoas.
A segunda é a Teoria dos Estilos, que tem como alicerces os tradicionais modelos: autocrático (autoritário), democrático (que ouve seus liderados) e laissez-faire – o “deixa rolar”. Em geral, imagina-se que o democrático é invariavelmente o melhor estilo, porém, nem sempre se tem “tempo suficiente” para ouvir seus liderados e tomar decisões, lembrando que a decisão é do líder e não resultado de votação ou consenso obtido com o grupo.
Finalmente, a terceira teoria é a contingencial, ou Teoria Situacional. Essa teoria diz que a liderança depende de três fatores: líder, liderados e tipo da tarefa, por isso é chamada de situacional, pois depende da situação. Há ainda outras teorias, como: das competências (conhecimento e habilidades), de resultados e da marca.
Os autores norte-americanos Dave Ulrich, Norm Smallwood e Kate Sweetman, especialistas na área de liderança, no livro “O código da liderança: cinco regras para fazer diferença” (Editora Bestseller, 2009), apresentam resultados de seus estudos, experiências e pesquisas de campo que realizaram para identificar a “fonte” da liderança, daí o título do livro, no sentido de se decifrar a essência da liderança.
Os autores criaram, então, as cinco regras da liderança: (1) preparar o futuro (visionário), (2) fazer acontecer (executor), (3) engajar o profissional (gestor de talentos), (4) formar a próxima geração (fomentador de capital humano) e (5) investir em si mesmo – autoconhecimento, saúde, energia, etc. (investidor). As regras 2 e 3 são de curto prazo, as 1 e 4 são de longo prazo; enquanto a regra 5 é contínua.
Ulrich, Smallwood e Sweetman afirmam que todos os líderes têm pontos fortes e fragilidades em cada uma dessas cinco áreas, por isso, ratificam que o autoconhecimento possibilita que a pessoa se desenvolva e cresça nas dimensões mais carentes. Os checklists apresentados no livro possibilitam que o leitor avalie rapidamente sua condição nas áreas mencionadas.
Ainda segundo os três autores, o somatório dessas cinco áreas representa cerca de 70% do código (essência) da liderança. E os outros 30%? De onde vêm? Das particularidades da pessoa, e pode englobar traços físicos, intelectuais, sociais, força de vontade, capacidade de comunicação, ambição, carisma, estilo, simpatia, determinação, etc.
Deixo aqui uma sugestão de leitura para aqueles que querem saber mais sobre liderança: não deixem de ler o “Código da Liderança”, livro objetivo e claro para interessados e estudiosos sobre o tema. A mensagem dos autores é explícita: todos nós podemos desenvolver nosso potencial de liderança!

* Armando Terribili Filho é diretor de projetos na Unisys Brasil, doutor em Educação pela UNESP e autor do livro “Indicadores de gerenciamento de projetos: monitoração contínua” (Ed. M. Books)