Turismo

Revista Mercado Edição 55 - fevereiro 2013

Uma viagem pela pré-história

Por Suzana Arantes

A Gruta das Perdidas, no município de Jaciara oferece essa experiência aos amantes e admiradores de registros deixados pelos povos da antiguidade. São desenhos com cerca de 4.000 a.C, que comprovam a existência de homens pré-históricos em terras mato-grossenses

Já dizia o escritor Érico Veríssimo: “Existem dois tipos de viajantes: os que fogem e os que buscam”. Mal sabia Veríssimo que unir esses dois perfis de viajantes num só é possível e pode resultar numa combinação perfeita: fugir para buscar. Ainda mais quando a fuga é uma viagem que permite a volta a três, quatro mil anos atrás, sem a necessidade de sair do nosso presente, na busca de conhecer e imaginar como era a vida e o dia a dia dos homens pré-históricos. Essa experiência pode ser desfrutada no município de Jaciara, no Mato Grosso, onde está localizado o sítio arqueológico Vale das Perdidas, que faz parte do patrimônio cultural brasileiro e é uma das grandes riquezas do estado mato-grossense.

A Gruta das Perdidas, onde se encontra o Vale das Perdidas, está situada na BR 364, a 10 km da cidade de Jaciara, que tem uma população em torno de 23.000 habitantes e fica entre as cidade de Rondonópolis (70 km) e Cuiabá (140 km), capital do estado. Partindo de Uberlândia, o percurso é de aproximadamente 920 km a serem percorridos, para que essa riqueza histórica seja visitada e admirada. O nome da cidade, que a porta de entrada para essa viagem no tempo, teve origem num texto do jornalista e escritor Humberto de Campos, “Vitória Régia”, em que é contada a lenda da índia Jaciara, a Senhora da Lua ou o Altar da Lua (JACI, que em Tupi-Guarani significa Lua e ARA, de origem latina, que significa Altar).

Descoberto em 1984 por dois arqueólogos franceses, Denis Vialou e Agueda Vilhena Vialou, a Gruta das Perdidas fica dentro de uma propriedade rural particular. E para ter acesso a esse maravilhoso patrimônio cultural, a entrada de visitantes só é permitida em companhia de um guia. Este que conduz tranquilamente o visitante durante a caminhada de quase 2 Km até a gruta e cobra um valor entre R$ 50 e R$ 70, aproximadamente, o que também garante o ambiente bem conservado e sem possíveis danificações. O guia pode ser facilmente encontrado na cidade de Jaciara. Ao visitante é cobrado o valor de R$ 10, e o horário de visitação é de segunda a domingo, das 8h às 16h.
Vista da fazenda onde está localizada a Gruta das Perdidas. O Vale das Perdidas é protegido pelo órgão do Ministério da Cultura, o Iphan, que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro

O canto de sabiás e canários é a trilha sonora que embala a caminhada de quase 2 km até a gruta. Pequenas rochas e cachoeiras e uma grande variedade de árvores e plantas do cerrado compõe o cenário para os visitantes chegarem ao destino final.
O cerrado é um tipo de vegetação que compõe o território brasileiro, abrangendo os Estados da região Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), além do sul do Pará e Maranhão, interior de Tocantins, oeste da Bahia e Minas Gerais e norte de São Paulo. O cerrado já ocupou 25% do território brasileiro, ficando na condição de segunda maior cobertura vegetal do país, superada somente pela floresta Amazônica. Mas, com o passar dos anos, o cerrado diminuiu significativamente. Segundo a The Nature Conservancy, a maior organização de conservação ambiental do mundo, com menos de 2% de sua área dentro de parques nacionais e unidades de conservação, o cerrado é uma das mais desprotegidas savanas do mundo.

No Vale das Perdidas, o visitante encontra pinturas rupestres de aproximadamente quatro mil anos atrás, deixadas nas paredes da rocha pelos homens pré-históricos que habitavam aquela região, com a intenção de contarem a história do seu dia a dia e retratarem alguns de seus rituais.

“Gruta das Perdidas” com seus paredões e suas pinturas rupestres, datadas pelo método carbono 14, entre 3.620 e 4.610 anos, caracterizando-os como sítios pré-históricos em Zona Pré-Histórica

Detalhe – Um sítio arqueológico é o local utilizado pelos grupos da antiguidade para as suas habitações (moradia) e todas as atividades que permitiram a sua sobrevivência. Os mais comuns tipos de sítios arqueológicos são os sítios cerâmicos, os sítios de arte rupestre, os sambaquis e os sítios históricos. Assim, o sítio arqueológico Vale das Perdidas é o de arte rupestre.

A cidade de Jaciara também dispõe de diversos atrativos, propícios para a prática do ecoturismo e de atividades de aventura. O visitante também pode conhecer cachoeiras e praticar esportes de aventura, como rapel, rafting e muito mais.

Em Jaciara, encontram-se desde hoteis simples até os mais requintados. Se preferir, o visitante também pode escolher ir para os hoteis das cidades vizinhas, como Dom Aquino (20km), Campo Verde (60km) e Rondonópolis (70km). B