Entrevista

Revista Mercado Edição 49 - março 2012

Uberlandense é o homem da Sustentabilidade no país

Da Redação

Renato de Oliveira Brito assume cargo de coordenador geral de Sustentabilidade Ambiental no MAPA

Renato de Oliveira Brito, uberlandense que assumiu o cargo de coordenador geral de Sustentabilidade Ambiental no Ministério da Agricultura

Neto de pecuarista e uberlandense de origem, Renato de Oliveira Brito assumiu recentemente o cargo de coordenador geral de Sustentabilidade Ambiental do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
O convite para assumir a função na Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) -, órgão ligado diretamente ao primeiro escalão do Governo Federal, em Brasília, veio do ministro Mendes Ribeiro Filho e do chefe de Gestão Estratégica, Dr. Derli Dossa.
Dotado de notória capacidade de articular ideias e colocá-las em prática, Renato, que já ocupou cargos na Universidade do Cabo, na África Do Sul; no Ministério da Educação; na American Field Service, no Brasil; e em agências da Organização das Nações Unidas (ONU) fala aos leitores da revista MERCADO sobre a sua trajetória e o cargo que assumiu em Brasília.

Mercado – Como o senhor chegou ao MAPA?
Renato – Recebi um convite do ministro do MAPA, Mendes Ribeiro Filho, e do chefe de Gestão Estratégica do Ministério, Dr. Derli Dossa, para atuar como coordenador geral de Sustentabilidade Ambiental dentro da Assessoria de Gestão Estratégica (AGE). Além da minha pasta, a AGE conta com a Coordenação Geral de Planejamento Estratégico, comandada por José Garcia Gasques, e a Coordenação Geral de Articulação Institucional, que está sob a tutela de Paulo Sérgio Vilches Fresneda.

Onde estava antes desse convite?
Antes de chegar ao MAPA, estive no Ministério da Educação, onde acompanhei o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB). Em um projeto com colegas da Universidade Católica de Brasília, criamos o Programa de Formação de Gestores para Escolas Eficazes, do qual fui um dos idealizadores e diretor geral do projeto, e em diversas instituições desenvolvi projetos de voluntariado, desenvolvimento humano, educação e sustentabilidade, de modo que nos últimos anos estive envolvido com gestão de políticas públicas em diversas áreas.

Quais são os objetivos da AGE dentro do MAPA?
A Gestão Estratégica concilia as políticas públicas com as demandas do agronegócio para melhorar a competitividade do setor. Seu papel é oferecer condições para que o Brasil alcance e consolide a posição de líder mundial do agronegócio, atendendo, paralelamente, as necessidades e exigências do mercado interno e a segurança alimentar da população brasileira. Para alcançar esses objetivos, são elaborados estudos e levantamentos que consideram a dinâmica e as perspectivas de crescimento do agronegócio no mercado internacional. São definidas, então, as metas a serem alcançadas dentro de um período determinado de tempo. As projeções atuais refletem as tendências de produção, consumo e comércio exterior para produtos agropecuários em um horizonte de 11 anos (2008-2009 a 2018-2019).

“A sustentabilidade envolve desenvolvimento econômico, social e respeito ao equilíbrio e às limitações dos recursos naturais”

Pode detalhar melhor essa questão?
Entre as metas estabelecidas para 2015, está a busca da excelência administrativa, garantindo maior efetividade na formulação e implementação das políticas públicas para o agronegócio e o fortalecimento e harmonização do setor, coordenando e promovendo a igualdade entre os atores envolvidos. Os objetivos estratégicos, que compõem o Plano Estratégico do Ministério, incluem, ainda, a garantia da segurança alimentar do povo brasileiro, a ampliação da participação da agroenergia na matriz energética do país, o aumento da produção de produtos agropecuários não alimentares e não energéticos e a atuação no sentido de impulsionar o desenvolvimento sustentável do país por meio do agronegócio.

Na sua opinião, o que é preciso para alcançarmos o desenvolvimento sustentável?
A sustentabilidade envolve desenvolvimento econômico, social e respeito ao equilíbrio e às limitações dos recursos naturais. De acordo com o relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU em 1983, o desenvolvimento sustentável visa “ao atendimento das necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as próprias necessidades”.

Como ficam as atividades agropecuárias nesse contexto?
A mudança de paradigmas estabelece um novo cenário para o processo de desenvolvimento das atividades agrícolas, florestais e pecuárias. É, portanto, a partir da observação da realidade local que o Ministério da Agricultura desenvolve e estimula as boas práticas agropecuárias, privilegiando os aspectos sociais, econômicos, culturais, bióticos e ambientais. Nesse caso, estão incluídos sistemas de produção integrada, plantio direto, agricultura orgânica, integração lavoura-pecuária-floresta plantada, conservação do solo e recuperação de áreas degradadas.

E o produtor rural?
Para apoiar o produtor, o ministério elabora projetos e programas direcionados para a assistência técnica, financiamento e normatização das práticas rurais sustentáveis. É dessa forma que se pretende superar o grande desafio de manter o Brasil como provedor mundial de matérias-primas e alimentos e a necessidade da conservação do meio ambiente.

Quais foram as suas primeiras ações ao assumir a Coordenação de Sustentabilidade do Ministério?
Uma das nossas primeiras conquistas na coordenação de Sustentabilidade da AGE foi a recente criação da Sala de Antecipação, uma espécie de centro de monitoramento de eventos com impacto na agricultura. A sala tem a participação de diferentes setores, do cooperativismo, e até de entidades sindicais e representantes de governos estaduais. Com a iniciativa, pretendemos antecipar acontecimentos que afetam o agronegócio e evitar que crises se abatam sobre o setor produtivo brasileiro. A sala é um instrumento para o ministério trabalhar algumas medidas preventivas e uma ferramenta de auxílio às decisões governamentais na execução de políticas públicas.

Como estão as perspectivas para o trabalho da Sala?
Imediatamente após a criação da Sala, órgãos ligados ao governo, como a EMBRAPA, e empresas do setor, além de representantes de cooperativas regionais, entraram em contato conosco para assegurar uma cadeira na Sala e participar das discussões. A rede de contatos, constituída por lideranças regionais, produtores rurais, técnicos e pesquisadores das diferentes cadeias produtivas já soma cerca de 400 pessoas. Nossa meta é chegar aos 1.000 parceiros até o final de 2012. Os interessados em participar da Sala, com sugestões, alertas e orientações, devem contatar o Ministério por meio do endereço eletrônico sala.age@agricultura.gov.br ou pelo telefone (61) 3218-2644. Estamos abertos a sugestões e a parcerias com os setores público e privado.

Mais alguma observação?
Acho importante ressaltar que a implementação do espaço se deu a partir de experiências verificadas no Ministério da Saúde, no Departamento de Economia Rural do Governo do Estado do Paraná e também na Agência Nacional da Água (ANA), onde há espaços de monitoramento semelhantes.

Para finalizar, de maneira geral, quais são as premissas que nortearão o seu trabalho no Ministério?
Antes de tudo, defendo o diálogo entre os ministérios. Como já disse e minhas ações demonstram, acredito na união de forças para avançarmos, principalmente no que diz respeito à Sustentabilidade. Além disso, gosto muito do modelo de cooperativas e defendo a abertura para cooperações do MAPA com os diversos setores da sociedade.