Retrospectiva

Revista Mercado Edição 48 - dezembro 2011

Retrospectiva 2011

Projeto aeronáutico começa a decolar em Minas Gerais

O engenheiro mecânico-aeronáutico, Daniel Marins Carneiro, “pai do AX-2 Tupã”, está à frente de um grande e revolucionário projeto que promete impor novas perspectivas para a aviação brasileira e mundial

Um salto no tempo: do campo de Bagatelle, em 1906, para Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, em 2011. Por iniciativa do “Santos Dumont do século XXI”, Minas estará presente de novo em mais um capítulo da história da aviação

Quando, no ano de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, Santos Dumont se tornou o primeiro homem a pilotar uma máquina mais pesada que o ar – o 14 Bis, ele escreveu junto com o seu também o nome de Minas Gerais nos anais da aviação mundial. Alberto Santos Dumont era mineiro, nascido no sítio Cabangu, próximo à cidade que hoje leva o seu nome (na época chamada de Palmira). Agora, há pouco mais de um século, o nome do estado mineiro vai ganhar uma nova citação em mais um capítulo da história da aviação. Isso, graças à iniciativa do engenheiro aeronáutico Daniel Marins Carneiro, que escolheu a cidade de Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, para a instalação da empresa Axis Aerospace, de onde fará levantar voo um dos “inventos” mais ousados da aviação brasileira deste início de século: a aeronave AX-2 Tupã. Por causa disso e de seu pioneirismo frente a outros importantes projetos desenvolvidos em favor da indústria aeronáutica brasileira, Daniel Carneiro está sendo chamado por muitos de Santos Dumont do século XXI.
Conforme divulgado, o AX-2 Tupã é um avião subsônico, de seis lugares, comercial e executivo, com características inovadoras, que proporcionará a viabilidade da popularização do transporte aéreo nacional por conjugar características expressivas em termos de redução de custos, aumento de segurança, redução de emissões ambientais e de ruído externo em aeroportos em números nunca antes vistos no mercado mundial. É um projeto que inclusive já está em desenvolvimento.
No final de fevereiro, durante visita a Tupaciguara, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Nárcio Rodrigues, e o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), professor Mário Neto Borges, anunciaram o encaminhamento da liberação de R$ 700 mil, de um total de R$ 2,2 milhões que cabem ao governo do estado. O recurso, segundo Nárcio, irá para o desenvolvimento do avião Tupã. Outros R$ 5 milhões serão disponibilizados pelo governo federal.
Segundo o professor Mário Neto, o desenvolvimento e a montagem do Tupã em Tupaciguara obedecem à estratégia de tornar Minas um polo aeronáutico no país, que já dispõe de uma fábrica de helicópteros em Itajubá. “Tupaciguara entra como produtora de aeronaves com asa fixa e Itajubá com asa móvel, que são os helicópteros. E o fato da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) oferecer um curso de Engenharia Aeronáutica é mais um ativo de viabilização do projeto”, destacou o professor. Uberlândia fica a pouco mais de 60 quilômetros de Tupaciguara. O prefeito Alexandre Berquó ressaltou a importância da instalação da Axis Aerospace no município e destacou ainda os quatro mil empregos, diretos e indiretos, que deverão ser gerados quando a fábrica estiver em pleno funcionamento; em princípio, quando o AX-2 estiver já na linha de montagem.
Em Tupaciguara, provisoriamente a empresa Axis Aerospace está instalada em um galpão localizado no Distrito Industrial onde, num primeiro momento, será montado o protótipo do AX-2 Tupã. Depois, a sede da empresa será transferida para uma área próxima, maior e mais apropriada, onde inclusive será instalada a fábrica de aviões que contará, entre outras coisas, com pista para testes – pousos e decolagens de aeronaves.

O presidente da Fapemig, professor Mário Neto Borges: “A montagem do Tupã em Tupaciguara obedece a uma estratégia de tornar Minas um polo aeronáutico no país”

A empresa Axis Aerospace tem como objetivo maior o desenvolvimento de tecnologia aeroespacial. A sua criação nasceu de uma iniciativa do engenheiro mecânico-aeronáutico Daniel Marins Carneiro, que tem um extenso currículo de serviços prestados à indústria da aviação brasileira. Agora, com pretensão de alçar voos solos e empreender novos projetos, ele decidiu fundar a Axis Aerospace, e já tem em fase de desenvolvimento o projeto do AX-2 Tupã. Para isso, ele conta com importantes apoios, mas faz questão de frisar que será necessário mais. “Em projetos como esse, é fundamental o trabalho em equipe”, ressalta Daniel.
Por enquanto, o fundador da Axis Aerospace prefere falar das parcerias que já têm sacramentadas e que, segundo diz, inicialmente serão suficientes para colocar os seus projetos em andamento. Entre os atuais parceiros, ele destaca primeiramente o apoio da Prefeitura de Tupaciguara que, através do prefeito Alexandre Berquó, desde o início acreditou em seus projetos – da Axis e, consequentemente, do AX-2 Tupã. A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) também é citada por Daniel, à qual ele se refere como “uma instituição de excelência de ensino e pesquisa e que tem apoiado imensamente o projeto”. No contexto, ele diz ainda que a preocupação com formação de mão de obra especializada também tem sido tratada com a UFU. “A participação da universidade em projetos da Axis, paralelos ao Tupã, está também sendo delineada nesse momento, no que ressalto o envolvimento e o apoio do reitor Alfredo Júlio Fernandes e dos professores Valder Steffen Jr. e Domingos Rade”, destaca.

“A participação da universidade em projetos da Axis, paralelos ao Tupã, está também sendo delineada nesse momento, no que ressalto o envolvimento e o apoio do reitor Alfredo Júlio Fernandes e dos professores Valder Steffen Jr. e Domingos Rade”

Daniel Carneiro cita ainda a participação dos governos estadual – Minas Gerais – e federal, que também decidiram dar apoio através da concessão de recursos; isso, após várias análises internas do seu projeto por especialistas. Nesse sentido, o engenheiro acrescenta que está em análise também o financiamento para a construção da futura fábrica da Axis em Tupaciguara, a partir do momento que o AX-2 Tupã estiver pronto para ir à linha de fabricação. “Isso só foi possível pela atitude que tivemos em romper o ciclo em que empresa e governo se desentendem, ou seja, em primeira instância não importam nem as empresas nem os governos, mas sim o país, o Estado brasileiro, o povo brasileiro. Assim, através desse novo entendimento, em prol de um país melhor, pelo menos no tocante ao desenvolvimento da aviação e seus impactos na economia, nasceu essa espécie de parceria entre a Axis e o governo”, ressalta. Ele destaca a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como importante vertente dessa parceria entre a sua empresa e o governo. A intenção é que a Anac esteja envolvida o mais breve possível no projeto, aliás, uma negociação que já está em estágio adiantado. “Em breve estaremos levando o projeto à Anac de maneira oficial, pois sabemos que antecipar esse relacionamento só trará benefícios”, afirma Daniel.

O “Santos Dumont” do século XXI

E no que depender de credibilidade e competência pessoal do seu gestor, os projetos Axis Aerospace e AX-2 Tupã têm tudo para decolar. Natural de Barra Mansa, município do Rio de Janeiro, Daniel Carneiro é piloto e engenheiro mecânico-aeronáutico, formado pelo Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1996. Como engenheiro, tem no currículo relevantes serviços prestados durante anos em prol da indústria aeronáutica brasileira, onde, segundo ele, conviveu com os mais diversos problemas técnicos envolvendo projetos aeronáuticos, incluindo aeronaves de defesa. Nesse período, passou por diversas áreas, tais como Aerodinâmica, Estabilidade & Controle, Ensaios em Voo, Programas e Desenvolvimento Tecnológico.
Daniel Carneiro é também membro da comunidade hipersônica mundial, sendo talvez o único brasileiro isolado ou afiliado a uma empresa a ostentar essa honraria. Existem casos de outros profissionais brasileiros, mas todos ligados ao Instituto de Estudos Avançados (IEAv) – organização Militar do Comando da Aeronáutica com subordinação ao Comando-Geral, atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A Axis está, inclusive, pleiteando a participação no projeto hipersônico desse instituto com a aeronave “14-X”, assim batizada em alusão ao “14-Bis”, de Santos Dumont.

Daniel Carneiro tem no currículo uma extensa lista de serviços prestados em prol da indústria aeronáutica brasileira. Agora, decidiu partir para um “voo solo” através da criação da Axis Aerospace e do consequente desenvolvimento do projeto AX-2 Tupã, o primeiro de uma série

Sobre a recém-criada empresa Axis Aerospace e os projetos que dela derivarão, Daniel diz não pretender ficar preso a contextos, entre os quais o lucro. “Não vejo problema em uma empresa ser lucrativa, mas o foco no lucro como fim é que não acho correto. A Axis almeja lucro como meio para o desenvolvimento. Desenvolvimento de si própria, das pessoas que trabalham nela, da comunidade, etc.”, ratifica. Ele acrescenta que as suas intenções podem ser resumidas na visão do desejo de colocar Minas Gerais e o Brasil no devido lugar de importância no desenvolvimento da tecnologia aeroespacial, procurando oferecer produtos de qualidade para a sociedade e para o governo, levando desenvolvimento e qualidade de vida para todos.
Sobre esse aspecto, Daniel diz que a AXIS é muito mais um “instituto de pesquisas”, e como “instituto de pesquisas” ela está mais para uma “empresa”. Isso, segundo ele, significa que existe uma lacuna entre os institutos de pesquisa no país e o desmembramento desses resultados em produtos. “O meu desejo é, portanto, que a AXIS seja uma instituição que promova realizações no setor aeroespacial. A pretensão é fazer coisas interessantes tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista da utilidade dessas realizações, ou seja, tornar possíveis produtos diferenciados para aplicações não exploradas”.

O subsônico AX-2 Tupã

O AX-2 Tupã é o primeiro, dentre vários outros projetos aeronáuticos, que vai ganhar os céus a partir da indústria da Axis Aerospace, que será instalada em Tupaciguara

Ousado e inovador, a concepção do AX-2 Tupã é o primeiro projeto de uma série que a Axis Aerospace almeja desenvolver. A ideia inicial desse conceito de aeronave surgiu há cerca de uns 20 anos, como alternativa para elevar a qualidade das aeronaves para até seis ocupantes, seguindo uma concomitante redução de custos, utilizando-se tecnologias modernas e já disponíveis. Segundo Daniel Carneiro, já havia, na época, uma notória percepção da existência – que persiste ainda hoje – de uma enorme lacuna no mercado para esse tipo de aeronave, que deveria ir bem além dos requisitos mínimos até então atendidos. “Assim com eu, muitos engenheiros aeronáuticos estavam cansados de ver aeronaves caras e obsoletas como únicos produtos oferecidos no mercado mundial. E necessitávamos de aprimorar essa visão, de modo que a aeronave da qual estamos falando hoje se tornasse uma realidade”, lembra o engenheiro, criador do projeto AX-2 Tupã. Ele destaca que, se de um lado o Brasil conta com excelentes engenheiros aeronáuticos, de outro há muitos empecilhos que impedem um produto com todas as qualidades do Tupã de sair do papel. “Há 20 anos já existia a vontade, mas faltava atitude”, completa. Anos depois, após várias análises, tanto de forma qualitativa como quantitativa, a ideia tomou corpo e atingiu o estágio atual. “Ou seja, é um projeto que nasceu faz muito anos e veio trilhando todas as fases de maturação, em vários âmbitos, naturais e necessários para um projeto desse porte e complexidade”, ressalta.
Com relação ao nome desse primeiro produto da Axis Aerospace – o projeto do AX-2 Tupã, que está em fase de consolidação -, Daniel Carneiro diz que ele foi pensado também há mais ou menos 20 anos, na mesma época em que já se detectava a necessidade de um avião com tais características que suprisse certa demanda no mercado de aeronaves. Ele observa que a designação “AX-2” significa que esse é o projeto de número dois de uma lista de possíveis produtos da Axis. Já o nome Tupã está relacionado ao seu significado oriundo da língua tupi-guarani, que quer dizer “Deus” ou “Emissário de Deus”. Tupã, inclusive, é um nome que Daniel tinha guardado na “gaveta” desde quando trabalhou na criação do projeto para a construção de um avião treinador, de baixo custo, a ser oferecido para a Força Aérea Brasileira. Era esse nome que Daniel pretendia dar à aeronave, mas, por sugestão de um aluno de engenharia, resolveu guardar para outro projeto que tivesse um maior impacto no país. “Agora, está sendo uma feliz coincidência o nome Tupã ser usado para batizar esse projeto que será desenvolvido a partir de uma base na cidade de Tupaciguara, nome que na língua tupi-guarani significa ‘Terra da Mãe de Tupã’”, observa.

Tecnicamente falando, o engenheiro aeronáutico Daniel Carneiro, pai do Tupã, descreve o AX-2 como uma aeronave de porte típico da aviação geral, ou aviação de base, de seis ocupantes (com possibilidades para oito), que chega com a pretensão de revolucionar esse segmento, oferecendo melhores índices de desempenho, segurança e drástica redução de custos. Segundo ele, tudo nesse avião foi meticulosamente bem pensado de modo a atender tais expectativas. “Ele foi projetado para ser diferente, melhor, mais eficiente, e ao mesmo tempo ter aparência de uma aeronave convencional. Quando me dizem que a aparência do Tupã não difere da de um jato executivo, não pensem que me aborreço. Muito pelo contrário, fico satisfeito, pois ele foi projetado justamente para ser assim. Desse modo, é melhor absorvido no mercado”, esclarece Daniel.
Ele explica que, agora, anos depois que o projeto Tupã começou a ser pensado, um estudo da Agência Aeroespacial Americana NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) apontou o que já havia sido constatado em questões relativas à motorização, emissões, etc. Só que a NASA não aborda as diversas questões que um produto desses deve ter para ser um sucesso comercial. Assim, de forma resumida, apesar de o Tupã possuir aparência semelhante à de um jato executivo, existem muitas diferenças em termos de material, motorização e filosofia de projeto. “Nesse sentido, buscamos fazer tudo da melhor maneira, avaliando questões técnicas já esquecidas e buscando o que há de melhor em termos de soluções, de modo a garantir alta qualidade e baixos custos. Não é uma tarefa fácil, ainda mais em um mercado tão complexo como o de hoje”, analisa Daniel.
Sob o ponto de vista financeiro, o Tupã promete ser um dos elos para uma nova cadeia de desenvolvimento do país, por levar de modo bastante rápido desenvolvimento econômico através da aviação. O Brasil possui aproximadamente 740 pistas públicas para pouso e decolagem, enquanto nos EUA existem cerca de 5 mil. “Levando-se em conta a equiparação em termos de área territorial e população de ambos os países, podemos constatar o quanto podemos realizar em termos de infraestrutura aeroportuária no Brasil”, compara o engenheiro, descrevendo o seguinte ciclo: “Não existe o aeroporto porque não existe o avião adequado, e não existe esse avião porque não existe esse aeroporto”. Segundo ele, agora o avião adequado passará a existir. Esse é o Tupã, que possui condições especiais de custo que permitem a atratividade de sua operação, tornando viável a construção de vários aeroportos no país, levando desenvolvimento econômico de forma direta e indireta para cada município de forma acelerada. O Tupã, portanto, rompe o ciclo e passa a ser o vetor dessa grande mudança, o que movimentará, ao todo, bilhões de reais na economia do país.

“Até o momento, toda a iniciativa percebida relacionada ao desenvolvimento da aviação civil no Brasil contempla medidas focadas na aviação de grande porte somente. São aeronaves caras, estruturas caras, operações caras”, pondera Daniel. Para ele, não é segredo para ninguém que os principais aeroportos do país estão bastante congestionados, acarretando inúmeros voos com atrasos e outros problemas mais. Isso sem falar nas pessoas que têm que sair de suas cidades de residência, muitas das quais não possuem aeródromos operantes, para pegar voos domésticos em aeroportos maiores de cidades maiores. Isso, entre outros gastos e contratempos, gera maior fluxo de veículos nas rodovias entre os dois destinos. “Coloquemos números baixos: uma hora até o aeroporto, uma hora de espera, uma hora até o destino final, isso acarreta no mínimo três horas perdidas de viagem. Agora, se estivermos falando de um voo regional, de apenas uma hora de duração, a coisa se torna ainda mais absurda”, descreve. Segundo ele, com o Tupã em operação, isso tudo pode ser evitado, por se tratar de uma aeronave viável, que permite operação viável em aeroportos viáveis. Além disso, haveria impacto positivo na geração de empregos para funcionários desses aeroportos, controladores de voo e, principalmente, pilotos. Mas tudo em um novo patamar de eficiência. Seria um impacto tremendamente positivo no desenvolvimento econômico do país.
Mercado – Questionado sobre a existência ou não de comércio para o AX-2 Tupã, Daniel lembra que muitas pessoas se referem aos Estados Unidos como o principal mercado para a aviação, o que, segundo ele, é uma “visão viciada, míope e preguiçosa”. Na sua opinião, o Brasil, sim, é um dos melhores mercados do mundo. “É ainda um mercado em potencial, mas é extremamente real. É certo que o Tupã terá grande impacto na aviação dos EUA, mas no Brasil será extremamente maior, justamente por facilitar o deslocamento entre municípios do interior do país”.
Por enquanto, Daniel Carneiro não quer divulgar uma estimativa de quanto irá custar o AX-2 Tupã quando este estiver em linha de fabricação. Ele adianta apenas que já tem alguns números definidos, mas por causa do projeto estar ainda em fase inicial, qualquer divulgação nesse momento poderia incorrer em falsas expectativas ou especulações desnecessárias. “Apenas posso dizer que o custo de aquisição da aeronave será extremamente competitivo. E mais importante ainda são os custos de operação e manutenção, ainda mais atraentes”, salienta.

“A expectativa é de que em três anos e meio o modelo AX-2 Tupã esteja pronto para comercialização”

Mesmo não falando em valores, por outro lado, o engenheiro declara que a “expectativa é de que em três anos e meio o modelo AX-2 Tupã esteja pronto para comercialização. Ele volta a afirmar que o avião irá atender a uma demanda de mercado já esquecida – a de aeronaves de pequeno porte. Acrescenta ainda que em 20 anos a Axis Aerospace almeja comercializar mais de 80 mil unidades do AX-2. “Nesses números aparentemente assustadores e irreais, estão contempladas fatias de mercados já existentes e aquelas devidas à criação de um novo nicho. “Na verdade, as análises indicam números ainda maiores que esses”, justifica, completando com outra informação ainda mais concreta: “Para satisfazer quem gosta de números, existe uma necessidade de renovação da frota geral da aviação, que culminará, dentro de duas décadas, na substituição de 145 mil aeronaves aproximadamente, somente nos EUA”. Segundo Daniel, esses são dados concretos e oficiais da Federal Aviation Administration (FAA), autoridade aeronáutica dos Estados Unidos, isso sem mencionar a quebra de paradigma tecnológico. Ou seja, a existência de uma aeronave que venha trazer significativas melhorias nas questões já abordadas tem um alto índice de aceitação no mercado e em que está previsto, além da criação de um novo nicho, também a migração de usuários de outros segmentos para essa aeronave. “Nossas análises, que vão bem além de pesquisa, nos deixam seguros para afirmar a existência de um grande mercado para o AX-2 Tupã, seja por substituição de frota existente, seja na criação de novo nicho de mercado”, sintetiza.
Para que tudo se concretize conforme o programado, Daniel Carneiro diz ser necessário apenas o entendimento de todos os envolvidos no projeto e o desejo político de fazer isso acontecer, uma vez que não há grandes problemas sob o ponto de vista tecnológico.
“Para que se tenha noção, já existem até clientes interessados em pagar antecipadamente para ter o AX-2, mas ainda é cedo para isso. Mesmo não divulgando a aeronave para venda, um potencial cliente da região do Triângulo Mineiro encomendou 122 unidades, com opção para mais 400. Isso apenas um cliente. Imagine quando divulgarmos a nossa intenção de venda. Agora, imagine a necessidade de pilotos para esses aviões. Temos hoje pilotos para atender a essa demanda? Não. Esse é mais um ponto a ser trabalhado”, afirma.

O projeto AX-2 Tupã, o primeiro a ser implementado pela Axis Aerospace, se divide em duas fases: anteprojeto (fase inicial) e desenvolvimento de produto ou detalhamento. Nesse contexto, é importante distinguir “projeto” de “protótipo”. Os recursos solicitados e aprovados até agora são referentes apenas ao projeto da aeronave, ou seja, para execução das atividades de cálculos de engenharia das duas fases mencionadas anteriormente. Os dados do projeto serão utilizados para a confecção do protótipo, mas é importante mencionar que os recursos para a confecção do protótipo em si serão ainda provenientes de repasse posterior, o mesmo acontecendo para a construção e implantação da fábrica. Se tudo ocorrer como planejado, o protótipo deverá estar pronto em dois anos e meio.
Já a produção em série está prevista para um ano a mais, ou seja, em três anos e meio. Conforme planejamento, a produção do AX-2 Tupã começará de forma cadenciada, com cerca de 30 aeronaves, até atingir a capacidade de fabricação de 240 unidades por mês, ou até mais, isso em um prazo máximo de mais dois anos, a partir do início da produção.

A opção por Tupaciguara

Para finalizar, Daniel Carneiro explica o porquê da escolha do município de Tupaciguara para a instalação da empresa de aviões Axis Aerospace e, por consequência, para o desenvolvimento do projeto AX-2 Tupã, o primeiro de uma série de novos projetos ainda mais ousados.

Em primeiro lugar, segundo ele, o desejo era instalar a fábrica no estado onde nasceu Santos Dumont. “Fiz engenharia em Minas Gerais e fui muito bem acolhido aqui. E esse sonho de ter uma fábrica de aviões no estado é um sonho compartilhado por muitos, incluindo um grande mestre que tive, o professor Cláudio Barros, a quem devo muito. Ele foi o fundador do Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA) da UFMG”, conta.
Inicialmente, ele diz ter esbarrado na falta de apoio político. Havia, sim, a oportunidade de acordos advindos da iniciativa privada, o que ele não queria, por motivos diversos, entre os quais não ter o lucro como objetivo final. Por isso, persistiu e foi bater na porta da única entidade, segundo ele, que poderia fazer as coisas acontecerem na mesma ordem que os seus objetivos: o governo. “Fala-se muito mal dos políticos nesse país, mas eu tinha que encontrar os bons. E consegui, graças a Deus”, ressalta Daniel. Foi nesse meio tempo que ele diz ter sido apresentado ao prefeito de Tupaciguara, Alexandre Berquó, que acreditou no empreendimento e se empenhou em levar a Axis Aerospace para o seu município, uma luta que dura mais de dois anos.

Por outro lado, Daniel vê em Tupaciguara alguns atributos tais como localização e topografia privilegiadas. A proximidade com Uberlândia e a existência de um curso de engenharia aeronáutica na UFU são também pontos importantes. “Não sou a melhor pessoa para contar, mas existe a história de que Tupaciguara quase sediou a capital Brasília, perdendo por muito pouco para o lugar onde hoje está o Distrito Federal. Ou seja, existem outros pontos fortes no município”, observa. Outro detalhe tem a ver com a proposta do Tupã, que é levar desenvolvimento através da aviação para todos os municípios brasileiros. Assim, por que não começar com a instalação da fábrica em Tupaciguara, que tanto anseia por crescimento?
Além disso, o engenheiro, que por muitos está sendo chamado de Santos Dumont do século XXI, destaca ainda outras pessoas que estão no governo mineiro e são tão visionárias que compartilham dos mesmos objetivos da Axis. A começar pelo professor Mário Neto Borges, presidente da Fapemig, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas, Nárcio Rodrigues. Tem ainda o deputado estadual Zé Maia (PSDB) e o próprio governador Antônio Anastasia. Isso, segundo ele, sem falar de outras instituições, como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que em breve terão participação mais próxima junto ao projeto. Até por isso, Daniel Carneiro diz que o projeto do AX-2 Tupã já deixou de ser um projeto particular seu para pertencer à nação, fato que o deixa extremamente feliz, como ele mesmo confessa.

“O Tupã será apenas o início na contextualização de um polo aeroespacial expressivo em Minas Gerais”

“Enfim, tudo que pleiteamos parece ser simples. E, de certa forma, é. Em teoria. Na prática, o esforço que temos que fazer para que tudo isso se torne uma realidade é muito grande. Mesmo com todo o apoio que estamos tendo, existem dificuldades que muitos não percebem. Podem surgir interesses difusos. Grupos que se sintam de certa forma ameaçados por essas ideias novas. Tudo o que é diferente e traz mudanças causa certo nível de desconforto nas pessoas. Isso gera ainda outros problemas. E por aí vai. Apesar de tudo, no que depender do esforço das pessoas envolvidas, o Tupã será apenas o início na contextualização de um polo aeroespacial expressivo em Minas Gerais”, finaliza Daniel Carneiro.
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Uma cidade chamada UFU

Com orçamento superior ao de muitas cidades do Triângulo Mineiro, de Minas e do Brasil, a Universidade Federal de Uberlândia está entre as 15 mais do ensino superior do país

Entrada principal de um dos vários campi da UFU, o Campus Santa Mônica

Com um orçamento de aproximadamente R$ 800 milhões – valor de 2010 – e uma população estimada em 25 mil pessoas, entre estudantes e servidores, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pode ser comparada a muitas cidades brasileiras. Na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, por exemplo, Tupaciguara, Estrela do Sul, Monte Alegre de Minas e Campina Verde possuem menos habitantes e investimentos muito inferiores ao que contempla a verba orçamentária anual da UFU. Outro bom exemplo do tamanho do orçamento dessa Universidade uberlandense pode ser medido num comparativo com o do município de Uberaba, que para 2011 é de R$ 860 milhões (aprovado pela Câmara de Vereadores no dia 9 de dezembro), ou seja, apenas R$ 60 milhões mais que o da UFU deste ano que se encerra. Outra comparação relevante pode ser feita entre os orçamentos da UFU e o do próprio município onde está sediada: Uberlândia, cujo valor “reestimado” para 2009 foi de aproximadamente R$ 910 milhões, portanto, também números muito próximos. Essas comparações servem de parâmetro para dimensionar a grandeza da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e, por que não, equiparar a sua administração à de uma cidade.

Há ainda outros números da Universidade Federal de Uberlândia que impressionam e que expõem bem a grandeza da instituição. Abrangendo uma área total de 22.421.609.99 metros quadrados em terrenos, a UFU tem 221.094,59 metros quadrados de área construída, dividida em quatro campi (Santa Mônica, Umuarama, Educação Física e Pontal, em Ituiutaba). Com apenas 40 anos de existência – foi federalizada em 1976 -, já está entre a 13ª e 14ª das 56 universidades do país, não só em termos de tamanho, sendo considerada de porte médio, mas, principalmente, pela qualidade dos cursos e da assistência. Em termos de abrangência, a UFU possui intercâmbio com mais de 100 universidades no Brasil e no mundo.

Assim como uma cidade, a UFU também possui uma administração subdividida, semelhante ao que ocorre nos governos municipais que, no caso da Universidade, englobando reitoria, pró-reitoria, colegiados, prefeitura, coordenação de cursos e outros. De acordo com o reitor da Universidade Federal de Uberlândia, Alfredo Júlio Fernandes Neto, é uma administração colegiada. Ele explica que os recursos são oriundos dos governos federal – maior parte -, estadual e também municipal, especificamente no Hospital de Clínicas, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Vista parcial dos três campi da UFU, em Uberlândia: Santa Mônica, Umuarama e Educação Física

O reitor Alfredo Júlio Neto tem sob a sua administração um orçamento de mais de R$ 800 milhões (valor de 2010), maior que muitas cidades brasileiras, quase o mesmo de uma cidade como Uberaba (para 2011 é de R$ 860 milhões), com seus quase 300 mil habitantes, por exemplo

Alfredo Júlio norteia a UFU de uma maneira objetiva e simples, mas com a propriedade de quem conhece, e bem, a instituição que administra. “A UFU é uma instituição de educação e aprendizagem. Sabemos que a Universidade não ensina, mas os alunos que aprendem e nós temos que ser facilitadores e motivadores dessa aprendizagem”, ressaltou. Segundo ele, a UFU não é a Universidade Federal de Uberlândia, mas a Universidade Federal em Uberlândia.

A UFU em números
Campi: 4
Faculdades: 17
Institutos: 11
Bibliotecas: 5
Laboratórios: 384
Hospitais: 4
Fazendas Experimentais: 4
Restaurantes Universitários: 4
Anfiteatros: 15
Emissora TV: 1
Emissora Rádio: 1
Imprensa: 1
Incubadora: 1
Reserva Ecológica: 1
Centros de Convivência: 2

Economia

O orçamento milionário da Universidade Federal de Uberlândia faz muito bem para a economia de Uberlândia e também da região. Além dos empregos gerados, a instituição possui mais de 20 mil alunos (graduação e pós-graduação), sendo que 80% são oriundos de outras cidades e estados, que vêm para Uberlândia estudar, trabalhar e viver. No município, essas pessoas gastam com moradia, saúde, alimentação, transporte e no comércio em geral.
Por outro lado, a maior parte do orçamento da UFU é aplicada em pessoal. Só a folha de pagamento mensal é superior a R$ 45 milhões, dinheiro que ajuda e muito na movimentação da economia local. “É difícil imaginar o que seria de Uberlândia hoje sem a Universidade. É todo esse contingente movimentando a economia, promovendo arte e cultura na cidade”, ressalta o reitor Alfredo Júlio.
Porém, o maior investimento é feito na área de ensino, como salas de aula, equipamentos, infraestrutura (água, energia e telefone) e ainda no apoio estudantil para os alunos de baixa renda, por meio das bolsas moradia, transporte e alimentação e ainda na saúde dos estudantes.
Na distribuição dos recursos, o curso de Medicina é o mais oneroso para a UFU. Segundo o reitor, o investimento se faz necessário por causa do Hospital de Clínicas. Segundo ele, se a estrutura fosse apenas para formar os alunos, ou seja, realmente funcionasse como um hospital escola, ele seria a metade do que é hoje, com 200 leitos. “No entanto, nosso hospital não é mais só para formar médicos, já que a própria faculdade de Medicina tem três cursos (Medicina, Enfermagem e Nutrição), mas toda a área de saúde. Além do quê, o nosso hospital é o único hospital SUS da região e que, portanto, desempenha papel de atenção à saúde e extrapola a função fundamental e isso aumenta a necessidade de investimentos”, explica.

O Hospital de Clínicas da UFU e o único hospital público de referência para média e alta complexidade da região, prestando atendimento para uma população de quase três milhões de pessoas de 86 municípios do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Centro Oeste e Sul Goiano. Com 503 leitos e 3.385 funcionários, o hospital realiza por dia uma média de 2.650 atendimentos, sendo o maior hospital prestador de serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Minas Gerais

Laboratório da estatal Petrobras, uma das empresas parceiras da UFU

As parcerias firmadas com empresas e órgãos federais ajudam a preparar a mão de obra para o mercado e a fomentar as pesquisas. De acordo com o reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Alfredo Júlio Neto, as oportunidades de parcerias vêm por meio dos órgãos de fomento à pesquisa, como o Caps, CNPq e Finep, que publicam editais de pesquisas em determinadas áreas. Segundo ele, as empresas públicas e privadas sabem que nas universidades estão as inteligências e encontrar mão de obra (pesquisadores) é mais fácil.
Uma das parcerias da Universidade é com a Petrobras. A empresa possui na UFU o Laboratório de Tecnologia em Atrito e Desgaste (LTAD), voltado para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a área de petróleo e gás. Entre as atividades realizadas no novo laboratório, que pertence ao conjunto de laboratórios da Faculdade de Engenharia Mecânica, estão a avaliação de corrosão/erosão em componentes utilizados na exploração e produção de petróleo e o desenvolvimento de tecnologias e equipamentos para avaliação de propriedades mecânicas in situ.

“Além da Petrobras, a UFU também tem parceria com a Embraer para desenvolver projetos de pesquisa. Também é voltada para o curso de Engenharia”

“Aqui na UFU já são dois laboratórios da Petrobras. A empresa constrói e entrega aos nossos pesquisadores para que eles desenvolvam suas pesquisas”, disse o reitor, Alfredo Júlio. Além da Petrobras, a UFU também tem parceria com a Embraer para desenvolver projetos de pesquisa. Também é voltada para o curso de Engenharia.
O reitor conta que a UFU está com um projeto de parceria em andamento com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo ele, o processo está bem adiantado, mas com as mudanças de direção, foi preciso retomar as negociações do começo. A ideia é fazer a certificação de vários produtos que estão no mercado. “Temos condições, em Uberlândia, de testar vários medicamentos e também na área de sementes. A Agronomia tem expertise para avaliar sementes, fertilizantes. Na área odontológica, podemos avaliar os implantes”, adiantou.

Incubadoras

“Nosso sonho é cada dia fortalecer mais as incubadoras. Na Universidade são produzidas muitas pesquisas e teses, e elas têm gerado poucos produtos na prática”, disse Alfredo Júlio.
Na UFU, alguns projetos já saíram da incubadora, viraram produtos e já estão no mercado. Os pesquisadores acompanham a evolução do processo, que vira patente e royalties. “Queremos acabar com a timidez e melhorar a relação universidade/empresa. O papel da Universidade é pesquisar, e da indústria é produzir”, reforçou o reitor.

Números da Educação
Mais de 20 mil alunos
1,2 mil mestrandos
518 doutorandos
1,5 mil produções científicas

em 2010

A Agência Intelecto é a responsável pelo acompanhamento e divulgação do processo de criação dos produtos e do contato com os empreendedores. Segundo Alfredo Júlio, essa é uma forma de divulgar o trabalho. O reitor diz que na área de eletrônica há vários produtos sendo desenvolvidos e um deles é o projeto Guarda Costas. “É um projeto de segurança eletrônica que está sendo desenvolvido na Universidade com o apoio da Finep, com financiamento de R$ 5 milhões e uma empresa da cidade, que coincidentemente é uma empresa de ex-alunos da Universidade”, contou.

Expansão: UFU ultrapassa os limites de Uberlândia

Obras do Campus Pontal da UFU. Esse campus, que por enquanto funciona em instalações terceirizadas, foi inaugurado em 2007, na cidade de Ituitaba-MG, a 130 km de Uberlândia

Levar a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) a outros municípios da região e para além das fronteiras da cidade é um fato marcante para o reitor Alfredo Júlio Neto. Ele conta que a cidade teve três momentos que marcaram sua história: a instalação de cursos superiores, como Direito e Ciências Econômicas; a criação do Distrito Industrial; e a captação da água de Sucupira. “Esses fatos definiram o que Uberlândia é hoje. E avaliando a população local, percebe-se que a maioria é de fora e veio por causa da Universidade”, disse.
Segundo o reitor, as cidades de onde vieram essas pessoas, especificamente alunos, perderam suas inteligências. “Nada mais justo hoje do que a Universidade, por meio de um desses fatores que determinaram o desenvolvimento de Uberlândia, devolver a essas cidades vizinhas a oportunidade de serem grandes cidades. Com a Universidade em Ituiutaba, Patos de Minas e Monte Carmelo, os jovens não vão mais deixar suas cidades para levar conhecimento, desenvolvimento e empreendedorismo para outros municípios”, explicou.

“Nada mais justo hoje do que a UFU, por meio de um desses fatores que determinaram o desenvolvimento de Uberlândia, devolver a essas cidades vizinhas a oportunidade de serem grandes cidades”, diz o reitor

Campus Pontal – O Campus do Pontal, em Ituiutaba, no Pontal do Triângulo Mineiro, foi inaugurado em 2007. No início eram nove cursos e agora já são 11, nas áreas de Humanas e de Engenharia voltados para a licenciatura.
A inauguração do Campus deve ocorrer entre março e abril do ano que vem. Atualmente, a Universidade funciona em uma área alugada.

Campos Patos de Minas e Monte Carmelo – A primeira fase do primeiro vestibular dos campi de Patos de Minas e de Monte Carmelo aconteceu agora em dezembro e a segunda fase será realizada em janeiro. Cada cidade oferece três cursos, sendo em Patos: Engenharia Elétrica, Engenharia de Alimentos e Biotecnologia, e em Monte Carmelo: Agronomia, Sistema de Informação e Engenharia de Agrimensura e Cartográfica.
De acordo com o reitor da UFU, a demanda pelos cursos oferecidos foi muito grande. “Há cursos com mais de 12 candidatos/vaga. A média/vaga em Monte Carmelo foi de 7.99 candidatos/vaga e 8.78 em Patos de Minas.
Os campi funcionam em prédios das prefeituras, mas a UFU já tem as áreas para construção de instalações próprias. Alfredo Júlio diz que as obras devem iniciar ainda no primeiro semestre. O investimento será de R$ 12 milhões só para a construção, sem contar a aquisição de equipamentos.
Campus do Glória – O Campus do Glória será o maior da UFU, com 3 milhões de metros quadrados (seis vezes maior do que os três atuais campi juntos: Santa Mônica, Umuarama e Educação Física) e as obras devem começar já no início de 2011. A verba liberada pelo Ministério da Educação (MEC) é de R$ 16 milhões.

Estrutura dos campi
Santa Mônica: 140 salas e

9 anfiteatros

Umuarama: 60 salas e

5 anfiteatros

Educação Física: 9 salas e

1 anfiteatro

Pontal: 36 salas

Vista aérea (áreas delineadas) de onde será construído o Campus do Glória, que agregará à Universidade Federal de Uberlândia mais 3 milhões de metros quadrados: obras têm previsão para começar no início de 2011 O primeiro curso a ser instalado será o de Engenharia Aeronáutica, em 2012. A fazenda do Glória foi doada para a UFU em 1973. A área para a construção de quatro blocos será em um descampado na BR-365, no final da avenida João Naves de Ávila, à direita, após cruzamento com a BR-050.

Ensino a Distância (EAD) – O Ensino a Distância da Universidade Federal de Uberlândia (EAD/UFU) já conta com mais de seis mil alunos. São oferecidos mais de 10 cursos de graduação e pós-graduação. Para o reitor Alfredo Júlio Neto, a EAD é a oportunidade de realizar sonhos e certificar competências.

Benefícios: obras que não param

Além do que já foi mencionado, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é um verdadeiro canteiro de obras. Por todos os campi percebem-se obras sendo executadas. No Umuarama, por exemplo, ao retornarem às aulas, os alunos encontrarão um novo Restaurante Universitário (RU), em um prédio próximo a biblioteca. O local está sendo reformado e é uma necessidade antiga, já que os estudantes hoje utilizam o restaurante do Hospital de Clínicas.

Obras preliminares da Moradia Estudantil que encontra-se em construção no bairro Tibery, em lotes próprios da UFU, que possui ainda vários outros terrenos em diversos bairros como reservas para futuras ampliações

Outra novidade para o próximo ano é a construção de uma moradia estudantil, que será dividida em dois prédios, em um terreno de 1.960 metros quadrados. Serão 176 apartamentos duplos para 152 estudantes, entre eles oito com necessidades especiais. O prédio está em construção no bairro Tibery, na rua Venezuela, e deve ficar pronto até meados de 2011. Os apartamentos terão três quartos e serão entregues aos alunos com toda a infraestrutura.
A moradia estudantil servirá de hospedagem para alunos que atenderem certas exigências, como baixa renda. Eles deverão estar inscritos em um dos programas sociais do governo federal. Segundo o reitor, as normas serão elaboradas no início do próximo ano, juntamente com os alunos e representantes dos diretórios. “Estamos atendendo reivindicações antigas que a Universidade tinha e não eram resolvidas,” ressaltou.

Perfil do Reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Nome: Alfredo Júlio Fernandes Neto
Naturalidade: Uberlândia (MG)
Estado civil: Casado e pai de dois filhos
Formação:

Odontologia (UFU)

Pós-graduação: mestrado na USP de Bauru e doutorado na USP de Ribeirão Preto

Trabalhos: Coordenador do curso de Odontologia por cinco mandatos, diretor da faculdade de Odontologia por dois mandatos, chefe do gabinete do reitor por duas vezes e várias vezes chefe de departamento. Hoje é um dos pesquisadores da pós-graduação de Odontologia da UFU
Mandato: 4 anos (2008/2012)

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Uberlândia ganha Polo Tecnológico

Cidade é a 13ª do país a investir num centro que reúne empresas do setor, à frente de muitas capitais

Após mais de 10 anos de espera, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, contará com um Polo Tecnológico. O anúncio foi feito pelo prefeito Odelmo Leão. Em área total de 152.845 metros quadrados, o Polo irá abrigar empresas de tecnologia, criação e desenvolvimento de software, com foco em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e capacitação de recursos humanos para atender ao mercado de tecnologia e inovação. São 72.062 metros quadrados destinados à instalação de empresas e outros 80.782 metros de área de preservação ambiental.
“Nos últimos cinco anos, Uberlândia se tornou a segunda cidade do interior do país em número de geração de postos de trabalho. Isso foi possível graças ao desenvolvimento da cidade, que continua crescendo e precisa de espaços como estes para receber novos negócios. São ações que favorecem não só o município, como também o estado de Minas Gerais, que novamente conta com Uberlândia para diversificar seus atrativos econômicos”, disse o prefeito Odelmo Leão.
A notícia foi comemorada por empresários do setor. “Isso é uma reivindicação nossa de pelo menos 10 anos. No mundo todo as empresas de tecnologia têm nos polos a infraestrutura para crescer e se manter. Empresas como a Cisco, que detém 90% do tráfego de internet no mundo, explodiram como empresas dentro de um parque tecnológico. Também foi assim com Google e HP”, diz Miguel da Rocha Correia Lima, diretor da Landix, empresa que há 11 anos atua nacionalmente com foco exclusivo em mobilidade, especialmente na área de aplicativos para a automação de força de venda e ordens de serviço.

Odelmo Leão durante a assinatura do contrato: “São ações que favorecem não só o município, como também o estado de Minas Gerais”

“É uma necessidade muito grande para a nossa empresa, até porque já retardamos alguns projetos de expansão devido à falta de espaço. Por isso, acreditamos que esse Polo vai ser uma oportunidade muito grande para fomentar negócios e dar mais força para concorrer no cenário nacional e mundial”, disse o diretor da Sankhya, Fábio Túlio Fellipe.
O investimento foi viabilizado por meio de desapropriação amigável, firmada entre a Administração Municipal e empresas proprietárias de terrenos na região onde o polo será implantado.

A importância dos Polos Tecnológicos

O diretor da Landix, Miguel da Rocha, ao destacar a importância do Polo Tecnológico: “A TI hoje é como um jogo de Lego. Não existe empresa que faça tudo. São necessárias muitas empresas com sinergia entre si”

Seguindo uma tendência mundial, a partir de 1990, o Brasil começou a elaborar e a implementar projetos locais e regionais de desenvolvimento baseados nos conceitos de arranjos de produção e de inovação. “Esses projetos, chamados aqui de polos tecnológicos, procuram, além da consolidação e da capacitação da produção propriamente dita, desenvolver inovações organizacionais que favoreçam um maior capital social’, diz a pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Maria Alice Lahorgue.
Para o diretor da Landix, Miguel da Rocha Correia Lima, ao reunir empresas do setor, os polos conseguem solucionar diversas questões da área. “A TI hoje é como um jogo de Lego. Não existe empresa que faça tudo. São necessárias muitas empresas com sinergia entre si e o polo proporciona isso”, garante
De acordo com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o país conta hoje com 12 polos tecnológicos. Boa parte gerando pesquisa, empregos diretos, fomento à inovação e captando recursos do governo. “Empresas que estão dentro de polos como Uberlândia serão bem vistas pelos investidores. Há verbas de bancos como BID, BNDES, BDMG e entidades de fomento como Finepe e Fapemig, que têm verbas específicas para empresas em polos tecnológicos. Todos os anos foram dezenas de editais de que não pudemos participar por não estarmos dentro de um polo”, justifica o diretor da Landix.

Conheça os Polos Tecnológicos já em operação no Brasil
1 Núcleo de Fomento de Negócios Inovadores (Fomenti) e Polo Tecnológico Olinda Digital
2 Conselho de Desenvolvimento do Polo Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí/Mg
3 Associação Polo Rio de Cine Vídeo e Comunicação – Riocom
4 Polo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – Fundação Bio Rio
5 Polo Tecnológico do Inmetro
6 Ciatec – Cia de Desenvolvimento do Polo de Tecnologia de Campinas
7 Fipase – Fundação Instituto Polo Avançado de Sáude/Supera
8 Trino Polo – Associação do Polo de Informática de Caxias do Sul
9 Polo Tecnológico do Noroeste Gaúcho – Iptec
10 Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas
11 Polo Tecnológico do Noroeste Gaúcho
12 Polo de Pesquisa e Inovação da Unicamp

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A força que vem debaixo

Franciele Ribeiro, esteticista e cabeleireira , abriu o próprio negócio, passou a ganhar mais e já sonha com a compra da casa própria. Ela faz parte das estatísticas da população brasileira em ascensão: veio debaixo, chegou à classe D, e está a caminho da C

Em ascensão e ávidas por consumo, as classes C e D movimentaram em 2010 um mercado de R$ 834 bilhões, despertando o interesse da indústria de bens e serviços, que agora corre atrás para atender as necessidades desses consumidores

Comprar a casa própria, ter um carro e fazer uma faculdade. O que antes parecia ser apenas um sonho, já se tornou realidade na vida de milhares de brasileiros que fazem parte das classes C e D. É o caso de Franciele Ribeiro de Oliveira, 22 anos, esteticista. Logo após concluir a faculdade, ela se juntou a uma colega para abrir o próprio negócio. O centro estético com 17 meses de funcionamento lhe garante uma renda mensal de pouco mais de dois salários mínimos que, mesmo não parecendo muito, já é o suficiente para lhe permitir sonhar com um próximo passo: a compra da casa própria. “Penso em financiar a compra, já que com a renda que tenho consigo subsídio total do governo”, explica.
A estabilidade econômica do país, que criou milhares de novos postos de trabalho, e ainda os programas de distribuição de renda aumentaram o potencial de consumo dos brasileiros. Em 2010, as classes C e D movimentaram R$ 834 bilhões, segundo levantamento do Instituto Data Popular. O total é mais do que o consumido no último ano pelas classes A e B juntas. Do valor projetado para a classe C de R$ 427,6 bilhões, os jovens movimentaram, de acordo com as pesquisas, em torno de R$ 96 bilhões. E para cada R$ 100 em mercadorias vendidas no varejo, R$ 41 se destinaram a produtos comprados por mulheres, que teveram grande ascensão nessa nova classe média brasileira. Hoje, 33% dos domicílios são chefiados por mulheres.

Em 2010, as classes C e D movimentaram R$ 834 bilhões. Detalhe: para cada R$ 100 em mercadorias vendidas no varejo, R$ 41 se destinaram a produtos comprados por mulheres, que tiveram grande ascensão nessa nova classe média brasileira

A classe C, que em 2002 representava 37% da população do país, em 2014 subirá para 58%. Já a classe D, de 38% cairá para 20% daqui a três anos. Isso porque a população dessa classe social irá migrar para outras acima. O superintendente regional da Caixa na região do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, José Geraldo Sales, diz que o crescimento das classes C e D se deve à redistribuição de renda, à expansão da base de crédito e à bancarização das famílias. Para ele, esse crescimento é contínuo e consistente, pois a economia nacional continua em expansão, apesar das medidas recentes do governo de contenção da inflação. “As medidas tomadas pelo governo por si só confirmam a continuidade. Foi preciso colocar o ‘pé no freio’, pois não podemos aceitar a volta da inflação, já que esta exerce força contrária na evolução das classes C e D”, frisou.
Para Sales, outra questão positiva é que o crescimento do Brasil está acontecendo de forma sustentável, especialmente porque o governo tem agido com tempestividade às mudanças internas e externas. A indústria brasileira está em franco crescimento, a produção rural tem batido recordes anualmente e o sistema bancário é um dos mais seguros e competentes do mundo.

Formação das classes sociais

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP), a classe D é composta por famílias que ganham de dois a quatro salários mínimos e a classe C, que lidera o consumo no país, por aquelas que têm renda familiar entre R$ 2.040 e R$ 5.100 (veja quadro).

Classe Sal. Mínimos (s.m.) Renda Familiar (R$)
A Acima de 20 s.m. Acima de R$ 10.200
B Entre 10 e 20 s.m. De R$ 5.100 a R$ 10.200
C Entre 4 e 10 s.m. De R$ 2.040 a R$ R$ 5.100
D Entre 2 e 4 s.m. De R$ 1.020 a R$ 2.040
E Até 2 s.m. De R$ 0 a R$ 1.020

Classe social – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP)

Enquanto a classe A não apresenta dificuldades financeiras e consome tudo o que deseja, e a B, considerada classe média alta, faz gastos com rédeas curtas, a classe C é considerada ávida pelo consumo e endivida para realizar sonhos. Já a classe D é o brasileiro típico. Está na periferia, em áreas rurais e nos redutos de baixa renda.

Classe Sociais
A Não apresenta dificuldades financeiras. Consome tudo que deseja. Nivel de consumo = desejo próprio
B Média-Alta: faz gastos com rédea curta
C Nova classe emergente: ávida pelo consumo. Endividada para realizar sonhos
D Brasileiro típico: está na periferia, em áreas rurais e nos redutos de baixa renda. Aqui está o Brasil

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Mas se engana quem pensa que os consumidores da classe C querem apenas o que cabe no bolso. A população de “baixíssima” renda que ingressou recentemente nas classes C e D sabe dar valor a cada centavo gasto e prefere aplicar o dinheiro em itens como preço e qualidade. Além disso, ela determina tendências e é exigente.
Exemplo dessa exigência é que os produtos mais baratos, incluindo os “piratas”, são desprezados porque duram pouco e os mais sofisticados e caros estão fora da lista de compras porque comprometem a renda desses consumidores. Outras informações peculiares dessa faixa de consumo é que ela se interessa por itens com referências da cultura negra e popular, pelo uso de cores e por produtos voltados para o sexo feminino.
Os consumidores emergentes já detêm 69% dos cartões de crédito e consomem 76% de tudo o que é vendido nos supermercados. Outra característica do perfil d classe C é que a maioria, 85%, prefere fazer compras no próprio bairro onde reside.

Perfil do Consumidor da Classe C
Dá valor a cada centavo gasto
Participação crescente do público feminino
Detém 69% dos cartões de crédito
Consomem 76% dos produtos comercializados nos supermercados
85% preferem fazer compras no próprio bairro onde reside
Preferência por itens com referências da cultura negra e da cultura popular e pelo uso de cores
Determinam tendências e são exigentes

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Enquanto a nomenclatura das classes sociais sofre mudanças, o ingresso de milhares de novos consumidores com poder de compra gera um desafio para as empresas, ou seja, aquelas que pensam em arrebanhar fatias desse público vão precisar agir, e com rapidez. É preciso rever alguns conceitos (veja o gráfico). Porém, uma coisa é certa, muitos empresários brasileiros já descobriram que para serem líderes em qualquer segmento é necessário primeiro serem líderes na classe C.

Como as empresas lidam com a baixa renda

Pesquisa* com executivos mostra preconceito em atender comsumidores da nova classe média, em %

Preconceito
Existe preconceito em sua empresa em atuar com as classes C, D e E?

Resistência
Existe resistência interna em atuar no mercado das classes C, D e E?

Está preparado para atingir as classes C, D e E?

O executivo
A agência de propaganda

Muito preparado

20,8
8.6

Pouco preparado

74,3
66,7

Não está preparado

4,9
24,7

Estratégia
Qual a estratégia mais adequada para atingir os consumidores emergentes?

78% Falar com a cabeça do consumidor
22% Falar com o bolso do consumidor

69% dos fornecedores de serviços de marketing dessas empresas entendem pouco ou nada sobre baixa renda

*As cem empresas consultadas já atuam no mercado de baixa renda, em vários setores e regiões do país e faturam a partir de R$ 100 milhões anuais
Fonte: Instituto Data Popular

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Pelo menos na avaliação do superintendente regional da CEF, José Geraldo Sales, o mercado e a classe empresarial como um todo vêm se ajustando para atender as necessidades desses novos consumidores. “Nos últimos anos, percebemos a mudança de grandes redes comerciais, bem como a expansão do número de agências bancárias para o Nordeste do país. Para entender melhor a questão, basta verificar o número de lojas de grandes redes existentes hoje nas cidades da região, além de shopping Centers, correspondentes bancários e redes de supermercados”, disse. Salvador e Fortaleza, por exemplo, são duas cidades onde há maior concentração das classes C e D no país – essa informação é do sócio-diretor da Quorum Brasil, Cláudio Silveira.
De olho nos novos consumidores, alguns segmentos saíram na frente e conseguem oferecer produtos e serviços que se adéquam às necessidades de consumo. Os que mais ganharam com a expansão das classes C e D foram os que comercializam eletrodomésticos, automóveis, motocicletas, computadores, supermercados, casa própria e estão juntos à rede bancária.

Habitação serve de parâmetro

De olho nas classes C e D, algumas empreendedoras aproveitam os subsídios dados pelo governo federal à população para construir condomínios com casas populares, tendo como foco principal atender ao programa “Minha Casa, Minha Vida”.
Segundo o superintendente regional da CEF, José Geraldo Sales, nunca foram produzidos tantos imóveis financiados e o programa do governo federal foi a vedete, tendo produzido um milhão de moradias de março de 2009 a dezembro de 2010.

O superintendente regional da CEF, José Geraldo Sales, informa que nunca foram produzidos tantos imóveis financiados e o programa do governo federal foi a vedete, tendo produzido um milhão de moradias de março de 2009 a dezembro de 2010”

“Foi um esforço conjunto, pois o governo federal aumentou o subsídio para famílias com renda até R$ 4,9 mil, em especial às famílias com renda até R$ 1.395. O governo contou com o empreendedorismo das instituições como o Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon), o Secovi, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e as associações comerciais, que em parceria com instituições financeiras conseguiram atingir uma marca histórica, pois nunca havíamos conseguido produzir mais que 250 unidades por ano”, esclareceu.
Sales diz que ainda há muitos desafios a serem vencidos, mas tudo que é bem planejado e conta com a mobilização da sociedade tem um final feliz. “Estamos trabalhando com este propósito e o programa Minha Casa, Minha Vida é um grande exemplo e aprendizado para o Brasil”, concluiu.

Crescimento das classes C e D deve continuar

O economista uberlandense Lourenço Faria Diniz prevê uma provável redução da classe E nos próximos anos e, consequentemente, o aumento ainda maior das classes C e D, em função dos programas governamentais de combate à pobreza extrema – como o Bolsa Família – e a própria dinâmica de uma economia em crescimento como a do Brasil. “Não existem perspectivas de que o Bolsa Família vá acabar, longe disso, é um dos carros-chefe do governo petista, além do quê, a economia segue crescendo em níveis razoáveis, portanto, a tendência deve se manter”, ressaltou.
Segundo ele, o Bolsa Família leva a uma redução da pobreza extrema para os figurantes da classe E através da garantia de renda mínima, o que faz com que as pessoas assistidas e que estão inseridas nesse grupo social possam ascender às classes C e D. Além disso, a economia contribui por meio da geração de empregos e o aumento dos salários acaba por incrementar a renda da população das famílias de classe baixa.

“A inflação que ameaça surgir novamente no país pode ser um entrave ao aumento da renda da população mais pobre, por se refletir primeiramente nos preços de alimentos, combustíveis e moradia, que compõem a maior parte dos gastos das classes C e D”

(Lourenço Diniz – Economista)

Contudo, Lourenço Diniz chama a atenção para a importância de manter esses dois pontos (programas governamentais e desempenho da economia) para que o crescimento de renda da população continue. Segundo ele, caso qualquer um desses fatores seja suplantado, as classes mais pobres sofrerão as consequências. “De qualquer forma, a inflação que ameaça surgir novamente no país pode ser um entrave ao aumento da renda da população mais pobre, por se refletir primeiramente nos preços de alimentos, combustíveis e moradia, que compõem a maior parte dos gastos das classes C e D”, alertou.
Mesmo que a avaliação do superintendente regional da CEF, José Geraldo Sales, seja a de que o mercado e a classe empresarial como um todo vêm se ajustando para atender as necessidades desses novos consumidores, pelo que afirma o economista Lourenço Diniz, isso ainda está longe de como deveria ser. Segundo ele, o mercado ainda não está devidamente preparado para atender as demandas das classes emergentes. Para ele, ao mesmo tempo em que o crescimento da renda das classes mais pobres aquece a economia, aumentando a demanda por produtos industrializados, automóveis e residências próprias, também causa uma pressão sobre os preços, que pode levar a um cenário de inflação. “A carne bovina, por exemplo, subiu assustadoramente nos últimos meses como reflexo do aumento do poder de compra da população mais pobre, que antes dava preferência para a carne de frango, mais barata. Nesse caso, a demanda por carne bovina aumentou sem que a oferta tenha aumentado no mesmo patamar, gerando uma alta nos preços”, explicou.
Para finalizar, Lourenço Diniz diz ser preciso que o mercado acompanhe a demanda crescente para que não haja uma alta nos preços dos produtos consumidos pelas classes emergentes, ávidas pelo consumo dos produtos que nunca, ou quase nada, puderam adquirir.

Pesquisa confirma que classe E está se extinguindo

A previsão do economista uberlandense Lourenço Faria Diniz, de que a classe E tende a uma gradual redução nos próximos anos ganha o respaldo em vários estudos, incluindo um levantamento feito pela consultoria Data Popular, em que ficou constatado que a renda maior e mais consumo estão deixando a classe E com os dias contados, sendo que os integrantes dessa faixa social mais baixa irão engrossar ainda mais as fileiras da classe C. A previsão é de que quando o Brasil estiver às voltas com a Copa do Mundo e o governo de Dilma Rousseff chegando ao fim, praticamente três em cada cinco brasileiros pertencerão à classe C – grupo que chegará a 115 milhões de habitantes, ou seja, praticamente três vezes a população da Argentina. “A classe C será maioria absoluta e a E deve entrar em extinção”, avalia o diretor do Data Popular, Renato Meirelles.

Lojas Marisa: esse é o perfil de comércio preferido pela nova classe média brasileira

Para Meirelles, as empresas que ignorarem a nova classe média não irão sobreviver. E não será qualquer produto, serviço ou empresa que conseguirá abocanhar o dinheiro e o poder da classe C, que para Meirelles tem um jeito muito próprio de consumir. “Esses consumidores estão experimentando alguns produtos e serviços pela primeira vez”, explica, comprovando a afirmação do economista Lourenço Diniz.

A força da classe C

Mas, se transformação da econômica brasileira trouxe de baixo uma nova fatia de consumidores com grande poder de compra e até então um tanto quanto desprezados pelo mercado, destes a classe C é a que merece ainda mais atenção. Essa classe, também chamada de nova classe média, representa hoje 49% da população brasileira e 46% da renda do país. Contudo, é bom os empresários “se enquadrarem”, pelo menos por agora, pois essa importante fatia de consumidores ainda desconhece marcas de luxo e não possui qualquer fidelização por lojas. Pelo menos é isso o que mostra pesquisa realizada pela Franceschini Análise de Mercado.
O levantamento teve como objetivo registrar o que os consumidores emergentes pensam do luxo e indicar caminhos para as empresas que desejam aproveitar o potencial deste segmento. Para surpresa de muitos, grandes varejistas como C&A, Riachuello, Carrefour e Marisa foram as mais citadas pelos entrevistados. Ainda conforme o apurado, 64% desses consumidores, os da classe C, não têm nenhuma marca de vestuário na memória que esteja ligada a luxo, assim como 62% não citam loja específica. O mesmo ocorre com perfumes, sendo que quase metade não conhece nomes e marcas famosas.
“As empresas terão que desenhar outro tipo de negócio. Casas Bahia e Marabraz são redes que ficaram enormes respeitando o consumidor, com outra forma de cadastro de lidar com o cliente, tratar o atraso e abdicar dos juros. Uma atitude às vezes mais respeitosa”, diz Adélia Franceschini, da Franceschini, em comunicado.
Na opinião do diretor do Data Popular, Renato Meirelles, “existe um grande abismo cognitivo entre as empresas e a nova classe média. Entender as tendências, motivações e referências deste novo consumidor brasileiro requer humildade e conhecimento especializado. O Brasil de verdade fala outra língua”.
Entre as dificuldades encontradas pelos executivos para atingir o mercado popular estão a falta de conhecimento, comunicação e estrutura. E, sem conhecer grandes marcas de luxo e com desejos de consumo que contabilizam coisas mais simples – como um carro popular e a casa própria -, entender e agradar esse consumidor torna-se tarefa árdua para as companhias. “É preciso se reinventar para isso”, finaliza Meirelles.
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Trabalho feito a partir de casa

O home office está se tornando uma tendência, e é cada vez maior o número de profissionais que deixam de ir às empresas para realizar suas atividades em casa

O velho conselho de que não se deve levar trabalho para casa ficou no passado. Agora, muitos profissionais estão transformando o próprio lar em escritório, o chamado home office. A modalidade, que está se tornando tendência, só não é mais popular por causa da legislação trabalhista, que determina que o trabalhador, para ter vínculos empregatícios, precisa passar cartão de ponto e cumprir jornada de pelo menos oito horas diárias. Mas o tradicionalismo começa a ceder diante do aumento da produtividade daqueles que optam ou têm a oportunidade de levar o trabalho para casa. Além de economia de tempo – não é preciso se deslocar até a empresa, há o ganho de qualidade de vida. De olho nessas vantagens, muitas empresas já estão aderindo e até incentivando o home office, entre as quais, Algar Tecnologia, Du Pont, Ernest&Young, HP, IBM, Merryl Linch, Natura, Shell, Symantec, Ticket (G. Accor) e GOL.
No caso da Algar Tecnologia, empresa do Grupo Algar, com sede em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a empresa fez o primeiro teste de home office nos meses de novembro e dezembro de 2008, colocando alguns associados (como denominam seus funcionários) para trabalhar em casa. A intenção era avaliar a produtividade e aspectos como disciplina, clima e motivação. De acordo com o diretor de operações, Luiz Fernando Scheliga, os resultados foram bons e em 2009 decidiram desenvolver o projeto em maior escala.

“Hoje temos 100 domicílios preparados para home office e o feedback positivo de clientes”, Luiz Fernando Scheliga

Neste ano, 60 associados estão no sistema e ficam pelo menos um dia da semana em casa, o que fez diminuir o número de posições instaladas na empresa. Os associados, maioria do staff e o restante do setor de operações de atendimento, são triados pela empresa e recebem toda infraestrutura necessária para desenvolver a atividade em casa, como mobiliário adequado e computador com internet banda larga e linha telefônica instalados. A gestão é feita pela empresa a distância, por meio de sistemas de tecnologia, mas é diária, como se o chefe estivesse presente. “Hoje temos 100 domicílios preparados para home office e o feedback positivo de clientes”, contou Scheliga.
Adão Rodrigues de Paula, 44 anos, consegue economizar tempo e dinheiro. Diferente de muitos trabalhadores, ele não precisa pagar transporte ou perder tempo no trânsito para chegar ao trabalho. E não é porque ele mora perto da empresa não, é porque trabalha no conforto de sua casa. Há sete anos, ele é operador de telemarketing da Algar Tecnologia, mas só vai à empresa quando é convocado para reuniões ou para participar de alguma comemoração. “Apesar de trabalhar em casa, sinto-me totalmente vinculado à empresa. Não há diferença para o associado que fica em casa e o que está lá”, disse.

Adão de Paula diz que em casa também há rotinas de trabalho, regras a serem cumpridas e gestão, como se estivesse na empresa. Ele conta que a vantagem do home office é não ter que se deslocar, o que para ele é ainda mais complicado, já que é paraplégico desde os dois anos de idade, quando sofreu de poliomielite.

Adão Rodrigues de Paula é paraplégico e - trabalhando em casa - atendente de telemarketing da Algar Tecnologia, onde está há 7 anos

Como a jornada de trabalho na Algar Tecnologia é de seis horas diárias, Adão de Paula cumpre das 6h às 12h e, para complementar sua renda, das 12h30 às 18h30 trabalha, há nove anos, na Prefeitura. “Em um órgão público é diferente. Acredito que o home office é uma tendência que já deu certo e cada vez mais empresas vão adotar, mas ficará restrito às empresas privadas”, opinou.

Sine - A diretora do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Uberlândia, Daisy Afonso, compartilha da mesma opinião. Segundo ela, o home office é uma tendência, porque sai mais barato para o trabalhador, já que evita deslocamentos, e ainda é uma oportunidade para sair da ditadura do horário. “Há uma flexibilização das leis trabalhistas e isso é bom para a empresa e o trabalhador. Em Uberlândia, a Algar Tecnologia, uma das empresas que atendemos com seleção e recrutamento, já está buscando esse perfil. E a empresa já provou que dá certo trabalhar nesse sistema”, explicou.
Daisy Afonso diz ainda que as pessoas em Uberlândia têm resistência às tendências, mas o home office oferece oportunidades, qualidade de vida e ganho para as empresas e os trabalhadores.

HOME OFFICE
PONTOS POSITIVOS PONTOS NEGATIVOS
Ganho em qualidade de vida Distrações com TV e visitas fora de hora
Alta na qualidade do atendimento Excesso de trabalho (é preciso ter hora para começar e para encerrar o expediente, senão a vida acaba virando uma permanente hora-extra)
Mais pontualidade no cumprimento de horários, como as pausas -
Não absenteísmo -
Queda na taxa de desligamentos -
Aumento da produtividade -
Quebra de barreiras geográficas -
Reinclusão das pessoas no mercado de trabalho -

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Legislação trabalhista

Especificamente na Algar Tecnologia, o diretor de operações afirma nunca ter tido problemas trabalhistas por causa do home office. Segundo ele, a empresa encontrou na legislação argumentação que defende a legitimidade desse tipo de trabalho. “A empresa cercou-se de cuidados para que o associado tivesse rotina de trabalho”, disse.
De acordo com Scheliga, a flexibilização das leis trabalhistas aumentaria a prática de home office. “Antes não havia tecnologia, então não era possível imaginar pessoas trabalhando em casa, mas, conectadas à empresa, inclusive sendo acompanhadas e monitoradas por seus gestores”, justificou.
O advogado Liopino Neto, especialista em Processo Civil e Tributário, diz que qualquer função ou atividade, independentemente do local de trabalho, poderá gerar um vínculo trabalhista. Segundo ele, a lei não distingue entre a realização do trabalho efetuado na empresa ou na residência, mas é preciso que sejam caracterizados os requisitos da relação de emprego, como subordinação, não eventualidade, pessoalidade e recebimento de salários, para que o vínculo seja confirmado.

Liopino Neto: “Lei não distingue entre a realização do trabalho efetuado na empresa ou na residência, mas é preciso que sejam caracterizados os requisitos da relação de emprego”

Liopino Neto, que atua na área empresarial, explica que a empresa precisa ter alguns cuidados ao contratar um funcionário para trabalhar em casa. Segundo ele, se a empresa não pretender a formação de vínculo trabalhista, o ideal é que a pessoa a ser contratada realize os serviços por tarefa e desenvolva esta atividade para outras empresas. Porém, em caso de ser funcionário, ele alerta para o cumprimento da jornada de trabalho de 44 horas semanais, sendo oito horas diárias, com ao menos uma hora de intervalo.
“Em princípio, o correto é a empresa não contactar o funcionário fora do expediente normal de serviço. Mas tudo dependerá do tipo de serviço ou tarefa desejada pela empresa, pois serviços de natureza intelectual são realizados, às vezes, fora do expediente normal. Porém, para os serviços de telemarketing, já existem um horário preestabelecido entre as partes”, explicou.
Mesmo trabalhando no sistema home office, o funcionário pode se resguardar para ter os seus direitos trabalhistas respeitados. Liopino Neto explica que uma das formas é arquivar e manter um sistema de horas trabalhadas em favor da empresa, seja via emails, telefones ou comunicação virtual. “Hoje existem sistemas de controle que informam a quantidade de horas trabalhadas e qual o tipo de serviço executado”, diz.
Liopino Neto também acredita que o home office é uma tendência, já que economiza no deslocamento de pessoas e acomodações delas, o que encarece ao final do processo produtivo. Mas ele acredita que no momento esse tipo de relação é viável apenas para certas atividades, como confecção, telemarketing e áreas cuja produtividade seja de mais fácil controle. “A longo prazo, com a flexibilização das leis trabalhistas, com menos rigor sobre horas extras, noturnas, intervalos nas jornadas e quanto ao próprio vínculo laboral, outras atividades poderão ser inseridas neste sistema”, concluiu.

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Perguntas e respostas mais frequentes sobre home office

O que é home office?
Home office é um conceito de atividade profissional desempenhada fora do ambiente tradicional de uma empresa.
Quais os custos iniciais para montar um home office?
Como em qualquer atividade profissional, é essencial saber dosar os investimentos para garantir que a iniciativa seja sustentável. O desembolso total varia bastante, mas o que precisa ser feito é um bom orçamento. Alcançar um nível mínimo de conforto precisa ser uma meta, e por isso é importante reservar parte dos rendimentos da sua atividade para reinvestir no escritório doméstico.
Todo mundo pode trabalhar em home office?
Não. E é importante fazer uma boa análise situacional e de perfil antes de pensar em montar um. Nem toda atividade profissional pode ser desempenhada longe da equipe ou das instalações da empresa, e nem toda cultura organizacional está pronta para soltar as amarras da gestão presencial de seus profissionais.
Os horários são mais flexíveis? Quem trabalha em casa corre o risco de ficar mais preso ao trabalho por poder responder a qualquer hora do dia?
Os horários são tão flexíveis quanto o profissional desejar ou puder sustentar, e há risco nas duas extremidades: trabalhar pouco ou trabalhar demais. Algumas pessoas, por não ter controle externo, são levadas à procrastinação, tudo fica para a última hora, prazos são perdidos e a qualidade cai. Cada pessoa precisa avaliar se ela conseguirá se manter disciplinada, motivada trabalhando sem equipe, sem um chefe presente para direcionar, precisando se expor diretamente aos riscos da atividade e sem toda a estrutura de apoio da empresa.
É possível um home office com família e animais? Como administrar?
Sim, claro que é possível – e até bem comum! Acompanho vários casos de profissionais que trabalham na mesma casa em que convivem com suas famílias, sem maiores problemas. O desafio é saber separar os ambientes e os horários, e o ideal é ter isso bem definido, de forma a facilitar a percepção dos limites. Mas há um detalhe importante: se várias pessoas convivem na casa o dia inteiro e os ambientes se misturam, o impacto sobre a produtividade é inevitável.
Fonte: Augusto Campos – administrador e criador do blog efetividade.net (registro cerca de 30 mil acessos diários)

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