Saúde

Revista Mercado Edição 51 - maio 2012

Psoríase: assuma, sem vergonha

Da Redação com agência

Aceitar a doença pode contribuir para melhorar o controle da enfermidade e a qualidade de vida do paciente, além de ajudar na luta contra o preconceito

A Psoríase é uma doença inflamatória que afeta a pele, provocando placas avermelhadas, manchas e descamação, podendo atingir também as articulações

Não importa se está calor ou frio, o traje é sempre o mesmo: calça comprida e blusa de manga longa. Este é um costume de muitos pacientes que sofrem preconceito por conta da psoríase – doença inflamatória que afeta a pele, provocando placas avermelhadas, manchas e descamação, podendo atingir também as articulações. De fato, 63% dos pacientes entrevistados no levantamento Convivendo com a Psoríase, pela equipe do dermatologista Cid Sabbag, diretor do Centro Brasileiro de Estudos em Psoríase, e com apoio da Pfizer, dizem que a doença os faz abandonar atividades ou hábitos como frequentar praias e piscinas; vestir bermudas, saias e decotes; praticar esportes e até mesmo ir a festas, teatros ou realizar passeios.

O diretor do Centro Brasileiro de Estudos em Psoríase, Cid Sabbag

“Costumo dizer que se a psoríase não tem cura, o preconceito tem”, afirma Sabbag. Para diminuir essa intolerância, o dermatologista defende a conscientização da população de que a doença não é contagiosa, além de reforçar aos pacientes que é possível controlar a psoríase. “Os tratamentos evoluíram muito, tornando-se mais eficazes e seguros, mas o desconhecimento da população brasileira impede muitos de procurarem um dermatologista para confirmar o diagnóstico”, diz.
Muitas vezes as lesões de psoríase podem ser semelhantes a outras doenças da pele, com acometimento das unhas e descamação do couro cabeludo. Por isso, às vezes acabam sendo tratadas inadequadamente, com medicamentos tópicos para micose ou shampoos anticaspa, por exemplo. A dor articular em pacientes com psoríase pode ser uma manifestação da artrite psoriásica – quando há acometimento das articulações, o que, nas formas mais avançadas, leva à destruição articular com deformidades.
“Costumo dizer que se a psoríase não tem cura, o preconceito tem”, afirma Sabbag. Para diminuir essa intolerância, o dermatologista defende a conscientização da população de que a doença não é contagiosa, além de reforçar aos pacientes que é possível controlar a psoríase. “Os tratamentos evoluíram muito, tornando-se mais eficazes e seguros, mas o desconhecimento da população brasileira impede muitos de procurarem um dermatologista para confirmar o diagnóstico”, diz.

A cantora country norte-americana LeAnn Rimes luta contra a psoríase há 25 anos. Observando LeAnn, é difícil acreditar que ela já teve 80% de seu corpo tomado pela psoríase. A artista vencedora do Grammy escondeu a doença por anos, mas aprendeu a controlar os sintomas com um estilo de vida saudável e tratamento

Muitas vezes as lesões de psoríase podem ser semelhantes a outras doenças da pele, com acometimento das unhas e descamação do couro cabeludo. Por isso, às vezes acabam sendo tratadas inadequadamente, com medicamentos tópicos para micose ou shampoos anticaspa, por exemplo. A dor articular em pacientes com psoríase pode ser uma manifestação da artrite psoriásica – quando há acometimento das articulações, o que, nas formas mais avançadas, leva à destruição articular com deformidades.
Isso tudo poderia ser evitado com o diagnóstico correto e tratamento individualizado, já que atualmente o médico pode optar por diferentes medicamentos, dependendo do perfil do paciente e da gravidade da doença, assim como da presença ou não de artrite. Os tratamentos podem ser tópicos, fototerápicos, medicamentos sistêmicos tradicionais e medicamentos biológicos, como o etanercepte – que age se ligando a uma proteína que estimula a inflamação e bloqueia sua atividade, reduzindo os sintomas da psoríase.
É importante lembrar ainda que em vez de se esconder em roupas, as pessoas deveriam aumentar a exposição ao sol, que costuma ser muito benéfica para vários pacientes com psoríase. “Aqui no Brasil temos sol o ano inteiro. Mesmo no inverno, há raios ultravioletas suficientes para contribuir com o tratamento do paciente”, ressalta o especialista. Sem o cuidado adequado, as lesões passam a aumentar e a causar ainda mais impacto na rotina, como mostra o quadro abaixo.

Impacto da Psoríase (¹)
71% dos pacientes relatam que a psoríase é um problema importante do cotidiano
58% revelam que a doença causa muita vergonha
41% consideram a psoríase desfigurante
48% contam que a psoríase faz com que se sintam desconfortáveis em público

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Nos relacionamentos, a psoríase também pode ser uma grande barreira, de acordo com o levantamento Convivendo com a Psoríase.

Psoríase versus relacionamentos (²)
20% dos pacientes com psoríase têm um pouco de dificuldade em namorar, enquanto 8% admitem ter muita ou muitíssima dificuldade
29% já evitaram situações íntimas com o(a) companheiro(a) devido à doença
48% sentem-se fisicamente pouco atraentes ou sexualmente indesejáveis quando a doença está em uma fase mais crítica
15% acreditam que antes da psoríase recebiam mais carinho e eram mais tocados pelas pessoas

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Além do impacto no cotidiano, é importante lembrar que a psoríase pode estar associada a outras enfermidades, sendo a principal delas a síndrome metabólica – caracterizada pela obesidade abdominal, hipertensão arterial, intolerância à glicose, níveis elevados de triglicérides no sangue e diminuição do HDL (bom colesterol). A inflamação crônica a que pacientes com psoríase estão submetidos afeta não só a pele, mas também órgãos internos e a parede dos vasos sanguíneos. Com a inflamação, o metabolismo das gorduras (colesterol e triglicérides) e do açúcar (glicose) do corpo humano pode ser alterado, levando ao acúmulo de gordura, diabetes e depósito de placas de gordura nas artérias: fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

Kim Kardashian também tem psoríase. Ela é uma das mulheres mais fotografadas do mundo e, por isso, diz que sofre uma grande pressão para estar perfeita sempre. “As pessoas não entendem essa pressão. Sofro com isso, tenho de ser perfeita”

“A doença é sistêmica e deve ser tratada com seriedade, não só pelo impacto emocional que causa, mas pelas outras complicações que pode trazer à saúde do paciente”, alerta Sabbag. Para isso, dar o primeiro passo é fundamental: aceitar a psoríase e procurar orientação de um profissional. “Geralmente, o paciente se consulta com mais de um médico para se tratar. Mesmo assim, ele não deve desistir de encontrar o dermatologista em que sinta mais confiança e que consiga adequar o tratamento ao seu caso”, ressalta. Ele indica ainda grupos de apoio a pacientes, pois a troca de informações e o contato com pessoas com casos até mais graves da doença pode servir como uma boa lição e como um grande incentivo para aceitar a psoríase.

Muitos dos pacientes têm vergonha do aspecto que a pele apresenta. Por isso, tratamento é fundamental

Sobre psoríase – Psoríase é uma doença de pele que causa lesões vermelhas e descamativas. Elas surgem devido a um processo inflamatório que acelera o ciclo de renovação da pele, fazendo com que as células não tenham tempo suficiente para se diferenciar, sendo eliminadas mais rapidamente que o normal. Fatores ambientais e hereditariedade podem estar relacionados ao aparecimento da doença, já que em cerca de 30% dos casos existem outros portadores de psoríase na família. Apesar de não ser contagiosa, o preconceito é uma das principais consequências desta enfermidade, muitas vezes confundida com alergias ou micoses, fazendo com que os pacientes se isolem para evitar situações constrangedoras no local de trabalho, de lazer ou esporte.

(¹) Fonte: National Psoriasis Foundation, agência americana voluntária de saúde, sem fins lucrativos. Levantamento realizado em 2008, por telefone e internet, com 426 pacientes com psoríase a artrite psoriásica.
(²) Fonte: levantamento Convivendo com a Psoríase, realizado com a coordenação do dermatologista Cid Sabbag e apoio da Pfizer, ao longo de 2009 e 2010, por meio de questionários entregues e preenchidos por 1.098 pacientes que passaram por consultório particular (Clínica Sabbag), hospital público (Hospital Ipiranga) e pela Câmara Municipal de São Paulo, durante o Encontro Municipal de Psoríase (8ª e 9ª edições, organizado pelo Centro Brasileiro de Estudos em Psoríase).