Saúde

Revista Mercado Edição 54 - outubro 2012

Pouco sono, saúde em baixa

MS Comunicação

Que dormir mal causa uma verdadeira pane no organismo, não se discute. Mas, a longo prazo, as consequências são graves: estresse, ansiedade e implicações gerais que podem levar a um quadro de problemas cardiovasculares. Após realizar mais de 60 mil check-ups médicos em executivos (homens e mulheres), a Med-Rio constatou que 25% das pessoas examinadas convivem com a insônia.
Segundo o médico Dráuzio Varella, a insônia se caracteriza pela incapacidade da pessoa em conciliar o sono e pode se manifestar tanto em seu período inicial quanto intermediário ou final. Varella informa ainda que o tempo necessário para um sono reparador varia de acordo com cada pessoa, porém a maioria necessita dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. “Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial”, conta.

De acordo com o médico Gilberto Ururahy, fundador da Med-Rio, empresa especializada em medicina preventiva, para melhorar a qualidade do sono ,a primeira atitude a se tomar, e a mais difícil, é aceitar e reconhecer que não se dorme bem. “Não adianta apresentar as tradicionais justificativas de ordem profissional, econômica e pessoal. É preciso assumir que o sono não está bom e enfrentar essa questão”, diz o médico. Noites mal dormidas, ao longo do tempo, alteram o metabolismo. O cortisol, gerado pelo sono mal dormido, aumenta o ganho de peso corporal, desenvolve a hipertensão arterial e aumenta a glicose circulante.

O médico Gilberto Ururahy afirma que noites mal dormidas, com o tempo, alteram o metabolismo, o que pode ocasionar hipertensão arterial e aumento no ganho de peso ou da glicose circulante, entre outros problemas

Como ocorre o sono

Gilberto Ururahy informa que o sono é composto de ciclos, ao longo dos quais se sucedem o sono leve, o profundo e o paradoxal (período em que ocorre atividade cerebral intensa, em que os sonhos estão inseridos), em uma proporção que muda durante a noite.
Do começo da noite até entre 3 e 4 horas da manhã, o sono profundo é mais intenso. Em contrapartida, da segunda parte da noite até o acordar, o sono é mais rico em sono leve e em sono paradoxal.
Como o sono profundo é o mais reparador, é a primeira parte do sono que conta para essa finalidade, ou seja, as horas antes da meia-noite, se você dorme às 22h. É nesse período que é produzido o hormônio do crescimento, essencial à recuperação de todo o organismo. “E ainda fabricamos a melatonina, que zela pelas células e dá corda no relógio biológico. Mas se você é mais notívago e costuma dormir tarde, o sono recuperador virá depois, ou seja, após a meia-noite”, acrescenta Gilberto Ururahy.

O sono profundo - a primeira parte do sono - é o mais reparador, pois é nesse período que o organismo fabrica a melatonina, que zela pelas células e dá corda no relógio biológico

O que prejudica o sono

O sono pode ser afetado por uma série de fatores ambientais, como barulho, luz, temperatura ambiente, colchão, o fato de dormir só ou não etc. Eis alguns exemplos:

ruídos: algumas pessoas precisam do mais absoluto silêncio. No fim da noite, quando o sono é mais leve, um ruído pode acordar a pessoa, que depois tem dificuldade para voltar a dormir;

beber café após às 18h e abusar de bebidas alcoólicas. O álcool pode provocar o sono rápido, mas prejudica o sono profundo;

perturbadores do sono no quarto: telefone, televisão, aparelhos eletrônicos com barulho ou luz, porta barulhenta e janelas abertas;

computadores, iPads, iPhones e jogos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir.

Inimigo do bom desempenho

Quem fica mais de 18 horas consecutivas sem dormir tem afetados os reflexos, a memória a curto e longo prazos, a capacidade de concentração, a habilidade de tomar decisões, o processamento matemático, a velocidade cognitiva e a orientação espacial.
Se esse quadro se repetir por cinco ou seis noites seguidas, tais efeitos negativos se intensificam (a falta de sono está na raiz de várias doenças, da pressão alta à obesidade).

Dicas para melhorar a qualidade do sono
Estabelecer um horário para deitar e acordar
Se for fumante, parar de fumar duas horas antes de se deitar
Fazer a refeição pelo menos três horas antes de dormir
Praticar uma atividade física regular, por 30 minutos, pela manhã ou final da tarde
Evitar a automedicação
Tomar banho morno antes de dormir, pois diminui a temperatura do corpo e facilita o sono
Sexo: o homem que dorme mal tem risco três vezes maior de apresentar disfunção erétil. Ele tem desejo, mas não tem a função erétil adequada. Uma das causas é que a privação de sono reduz a testosterona, o hormônio sexual masculino. Para ter uma vida sexual normal, é fundamental ter boa noite de sono e praticar atividade física
Para o casal: tentar resolver os conflitos antes de deitar, porque eles podem perturbar o sono. Também o que se recomenda são dois colchões juntos, para um não atrapalhar o sono do outro
(fonte: Dr. Gilberto Ururahy)

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