Meio Ambiente

Revista Mercado Edição 41 - abril 2011

O buraco na camada de ozônio está maior

DA Redação com Agência Brasil e bbc.co.uk

O alerta foi dado por cientistas que citam o uso de produtos químicos como o principal responsável

A Organização Mundial de Meteorologia (cuja sigla em inglês é WMO) identificou um aumento na destruição na camada de ozônio sobre o Ártico. A perda é considerada inédita, mas não inesperada. A principal causa da destruição é a elevação no uso de produtos químicos presentes em aerossóis, geladeiras e extintores de incêndio. A camada de ozônio é a que protege a vida no planeta dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta emitidos pelo sol.
O aumento da quantidade de gases de efeito estufa gera altas temperaturas na superfície da terra. Desde o final de março, a região considerada mais afetada pela destruição da camada de ozônio estende-se entre a Groenlândia e a Escandinávia. As medições mostram que a perda de ozônio ocorre entre 15 e 23 quilômetros acima do solo. Na região, mais de dois terços do ozônio foram destruídos até o momento.

Os clorofluorcarbonetos, ou CFCs, presentes nos aerossóis, estão entre os principais inimigos da camada de ozônio

Michel Jarraud, secretário geral da WMO: “A perda de ozônio em 2011 mostra que temos de permanecer vigilantes e manter um olhar atento sobre a situação no Ártico nos próximos anos”

De acordo com os cientistas, a tendência é que a radiação de raios ultravioleta não aumente nas regiões mais frias com a mesma intensidade que nas áreas tropicais. Os raios ultravioleta (UV-B) têm sido associados ao aparecimento de câncer de pele, catarata e danos ao sistema imunológico humano.
O estudo divulgado no início deste mês informa ainda que a destruição do ozônio estratosférico é mais intensa nas regiões polares, quando as temperaturas caem abaixo de -78 graus Celsius (ºC). “A perda de ozônio, pela experiência, depende das condições meteorológicas. A perda de ozônio em 2011 mostra que temos de permanecer vigilantes e manter um olhar atento sobre a situação no Ártico nos próximos anos”, disse o secretário-geral da organização, Michel Jarraud.
Um acordo internacional, firmado por vários países, define uma série de medidas para a recuperação da camada de ozônio. As medidas incluem iniciativas que devem ser implementadas até 2060.
Sem o Protocolo de Montreal, segundo os especialistas, a destruição na camada de ozônio poderia ser mais intensa. De acordo com os peritos, a lenta recuperação da camada de ozônio se deve ao fato de que as substâncias que a destroem permanecem na atmosfera por várias décadas.
A camada de ozônio fica na estratosfera, que é a segunda maior cobertura da atmosfera. Na Antártida, a destruição na camada de ozônio aumenta no período da primavera, devido à existência de temperaturas extremamente baixas na estratosfera.
No Ártico, as condições meteorológicas variam mais de um ano para o outro, e as temperaturas são mais quentes do que as registradas na Antártida. Os invernos árticos, de acordo com os cientistas, não apresentam perdas na camada de ozônio, enquanto as temperaturas frias na estratosfera do Ártico causam destruição.

O maior reflexo da destruição na camada de ozônio pode ser medido pelo aumento no derretimento do gelo nas calotas polares

O tamanho do problema

Suzan Solomon: “Acho que é muito importante realmente medir a camada - para observar se, além de não estar mais crescendo, ela também está diminuindo”

A camada de ozônio bloqueia a passagem dos raios ultravioleta, que são prejudiciais para seres humanos, animais e plantas.
Após o buraco ter sido descoberto, em 1986, vários acordos internacionais foram fechados para eliminar os químicos que destruíam a camada de ozônio, os clorofluorcarbonetos, ou CFCs.
Com isso, espera-se que o buraco se recupere completamente nos próximos 60 anos.

Otimismo – Ainda alheios à recente descoberta de um aumento na destruição na camada de ozônio sobre o Ártico pela WMO, dois dos cientistas que ajudaram a alertar o mundo para a existência de um buraco na camada de ozônio nos anos 80 disseram em uma conferência em Washington que estavam esperançosos de que a camada se recuperasse.
“Estou muito otimista que vamos ter uma camada de ozônio normal em algum momento”, disse David Hoffmann, que trabalha para a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) como diretor da divisão de monitoramento global.
Susan Solomon, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, também disse estar animada, porém ressaltou: “Há muito mais a ser feito de uma perspectiva científica em termos do que eu chamaria de responsabilidade final”.
“Acho que é muito importante realmente medir a camada – para observar se, além de não estar mais crescendo, ela também está diminuindo, para termos certeza de que as ações que nós temos tomado no âmbito internacional estão surtindo efeito”, disse Solomon.
Os dois cientistas alertaram que o aquecimento global poderia interferir na recuperação da camada de ozônio, que tem o tamanho equivalente ao do continente norte-americano.

Protocolo ‘bem-sucedido’

A NOAA disse que a recuperação da camada de ozônio estava sendo causada principalmente pela eliminação gradual dos CFCs de produtos como aerossóis e gás para refrigeradores.
Conforme já mencionado, a produção desses químicos foi restrita pelo Protocolo de Montreal, que entrou em vigor em 1987 e é considerado um sucesso.
Porém, os químicos utilizados para substituir os CFCs também não são benignos, e acredita-se que contribuam bastante para o aquecimento global.
O ozônio é uma molécula composta por três átomos de oxigênio e é responsável por filtrar a radiação ultravioleta prejudicial do sol.
O gás é produzido e destruído constantemente na estratosfera, a cerca de 30 quilômetros da terra. Em uma atmosfera sem poluição, o ciclo de produção e decomposição está em equilíbrio.
No entanto, CFCs e outros químicos restritos pelo Protocolo de Montreal sobem à estratosfera, onde são quebrados pelos raios solares. Átomos de clorina e bromina são liberados destes produtos e agem como catalisadores na decomposição do ozônio.
A destruição da camada que ocorre sobre o Ártico nunca foi tão grave como a registrada na região do Polo Sul, e deve recuperar-se, com mais rapidez, entre 2030 e 2040.

(*) Unidades Dobson – A camada de ozônio é medida através de Unidades Dobson (DU) e é calculada medindo-se a área e a profundidade da camada em determinada região. Um buraco é definido quando os níveis na região avaliada situam-se abaixo de 220 unidades Dobson. A unidade descreve a espessura da camada de ozônio contida em uma coluna diretamente acima de um ponto qualquer, a 0ºC e sob a pressão de uma atmosfera. Um valor de 300 Unidades Dobson equivale a uma camada de ozônio de 3 milímetros de espessura