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Revista Mercado Edição 43 - julho 2011

O “boom” da construção civil

DA Redação com Agência Ares

O residencial Shopping Park, na zona sul de Uberlândia, demonstra bem o bom momento da construção civil no Brasil: são quatro mil unidades habitacionais construídas de uma só vez

O setor atravessa um de seus melhores momentos na história do país, e Uberlândia não foge à regra. Na cidade, apenas no primeiro semestre deste ano, o número de alvarás de construção expedidos pela prefeitura já é maior que em todo o ano de 2010

Impactado pelo acesso ao crédito e o crescimento da renda no Brasil, o setor da construção civil atravessa nestes últimos anos talvez o seu melhor momento na história, uma situação ainda sem data prevista para acabar.  Em 2011, por exemplo, um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgado em maio, mostra uma expectativa de crescimento para o segmento neste ano de 8,5% acima do percentual previsto para o Produto Interno Bruto (PIB), que é de 4,5%. A cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, reflete bem essa realidade. Como parâmetro, basta analisar o número de alvarás de construção expedidos pela Prefeitura, que foi de quase 80% a mais em 2010 em comparação a 2009. Agora em 2011, apenas nos seis primeiros meses, a quantidade de alvarás liberados já é maior que todo o volume emitido no ano passado.  Todos esses dados, tanto o local quanto os nacionais, apontam que o Brasil vive o “boom” da construção civil.
Para o Dieese, os investimentos públicos e privados, além de programas como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida, estimularam o crescimento do segmento em 2010 e são os fatores que devem ajudar a compor um cenário positivo para o setor em 2011, apesar de uma possível redução no ritmo de consumo. Além disso, o estudo cita a Copa de 2014 como um dos pilares para o crescimento.
No ano passado, o aumento nos investimentos no setor resultou também em uma alta no aporte de financiamentos imobiliários, com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que alcançou os R$ 83,9 bilhões. Os valores contratados nos financiamentos com recursos do FGTS cresceram 73%. E a quantidade de unidades adquiridas ficou 57% maior que a de 2009. Já os financiamentos por meio da Poupança SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), aumentaram 65%, e o número de unidades contratadas cresceu 39%.
Os números também apontam para um crescimento sustentável do segmento de materiais de construção. Entre 2005 e 2009, a construção civil cresceu cerca de 10% ao ano, depois de um período de estagnação de 20 anos.

Uberlândia

Conforme dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano de Uberlândia, em 2009 foram expedidos 2.336 alvarás de construção; em 2010, 4.147; e em 2011, somente até junho, o número já chegou a 4.600, portanto, um crescimento que reflete bem o bom momento da construção civil. Outro parâmetro a ser considerado para medir essa expansão é a quantidade de empregos gerada no setor. Em nível nacional, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o número de empregos na construção civil no país chegou a mais de 2,5 milhões de pessoas em 2010.

O secretário municipal de Desenvolvimento e Habitação, Felipe Attiê, diz que Uberlândia é, hoje, segundo o ministério das Cidades, uma referência nacional, um modelo a ser seguido em habitação

Contudo, no caso de Uberlândia, os números da construção civil são bem maiores, pelo menos no que se refere à quantidade de alvarás expedida pela Prefeitura, conforme explica o secretário municipal de Desenvolvimento e Habitação, Felipe Attiê. Segundo ele, existem casos de determinadas obras em que é emitido apenas um alvará, mas que contempla mais de uma unidade habitacional como, por exemplo, as casas populares recém-construídas no bairro Shopping Park, na zona sul da cidade. “No local, a prefeitura vai entregar em breve cerca de quatro mil casas, porém, circunstancialmente com a emissão de apenas quatro alvarás de construção”, informa o secretário. Situação parecida ocorre em condomínios residenciais. É o caso do Residencial Rossi Piazza, próximo à Universidade Federal de Uberlândia, onde para 348 apartamentos contemplados no projeto da obra, existe apenas um alvará.
Na opinião de especialistas, esse crescimento no setor sempre foi constante, mas aumentou substancialmente a partir de 2008. A crise dos Estados Unidos afetou todo o mundo e, para fugir dela, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu incentivar o consumo diminuindo, ou até retirando, impostos. O crédito no Brasil cresceu e a população entrou nessa onda. De acordo com a economista e consultora de investimentos, Ana Paula Garcia, “era esperado tendo em vista os programas de incentivo à habitação popular e um reforço no processo de recuperação e ampliação da infraestrutura brasileira”.

O residencial da construtora Rossi, próximo à UFU, está em fase final de construção: exemplo de obra com um alvará apenas, mas 348 novos apartamentos construídos

Todos os nichos foram atingidos e cresceram, como mostra pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, divulgada em junho desse ano. No primeiro trimestre de 2011, “a taxa de investimento foi de 18,4% do PIB, a necessidade de financiamento alcançou R$ 27,4 bilhões contra R$ 25,1 bilhões no mesmo período do ano anterior. A Renda Nacional Bruta atingiu R$ 921,7 bilhões contra R$ 821,8 bilhões em igual período do ano anterior; e, nessa mesma comparação, a Poupança Bruta atingiu R$ 148,9 bilhões, contra R$ 128,9 bilhões em 2010”.

Planejamento

Nos últimos 12 meses, a alta registrada especificamente no setor da construção civil foi de 6,8%, variando, em média, 1,5% em cada mês. Todas as regiões puderam sentir esse aumento. Ana Paula Garcia afirma que as cidades pequenas não participaram ativamente desse crescimento. “Elas estão ‘pegando carona’ na expansão da construção civil verificada nas grandes cidades, à medida que cidades de portes menores estão se apresentando como atrativas de investimentos. Todavia, há de se considerar que o crescimento destas cidades não se apresenta na mesma magnitude do que nas grandes cidades. As pequenas apresentam tendência de crescimento deste setor semelhante às grandes, mas o impacto e a proporção é que são reduzidos”, ressalta.
Como já mencionado, Uberlândia, em especial, é protagonista dessa expansão no setor. Com localização estratégica, a cidade hoje é polo de vários setores. Segundo o secretário Felipe Attiê, em dois anos e meio o aumento do volume de negócios é surpreendente. “Hoje, Uberlândia, segundo o ministério das Cidades, é uma referência nacional, um modelo a ser seguido em habitação. Porém, é difícil confirmar os números desse crescimento exorbitante por conta das construções coletivas. Por exemplo, no Shopping Park são quatro mil casas erguidas, mas apenas quatro ‘Habite-se’ e quatro ‘Alvarás de Construção’ foram expedidos”, volta a declarar o secretário.
O Censo do ano passado divulgado pelo IBGE mostra bem essa realidade. Em dez anos, enquanto a população brasileira cresceu 12,48%, a de Minas Gerais aumentou 9,68%, e a de Uberlândia 20%, nesse caso, aproximadamente 100 mil habitantes. Por isso a importância de se pensar em um planejamento.
Ainda de acordo com Felipe Attiê, é necessário que se evite um crescimento parecido com o das grandes capitais, por  exemplo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde a população dos morros e das favelas sofre com falta de infraestrutura e, por isso, o governo é substituído por traficantes. “Planejamos os bairros, Uberlândia se tornou uma cidade organizada, sem invasões em terrenos e locais indevidos para os cidadãos”, afirma o secretário.

Obras espalhadas por todos os lados: é o retrato da construção civil no Brasil

Crescimento gera escassez no mercado

Em cinco anos, o mercado brasileiro da construção civil apresentou um crescimento vertiginoso, porém, sem estar preparado, apesar de previsto. Para Ana Paula Garcia, a demanda surpreendeu o país. Reflexo disso foi a falta de mão de obra.
A taxa de desocupação, conforme o IBGE, cada mês bate novo recorde. No último boletim, divulgado em abril, o índice foi de 6,4%; o destaque é no setor da construção civil. Outra pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta que no primeiro trimestre deste ano o número de contratações no setor teve aumento de 10,9%.
Segundo a consultora Renata Ramos, da Retha Soluções em Gestão de Pessoas, “o crescimento rápido e vertiginoso observado na construção civil não acompanhou esse ‘boom’, ou seja, a demanda por profissionais dessa área ultrapassou a oferta”. Outro ponto observado por ela é o preconceito que existe em torno dos profissionais desse setor. “Existe uma desvalorização em relação ao trabalho braçal, apesar da remuneração cada vez mais atrativa”, explica.

A consultora em Gestão de Pessoas, Renata Ramos, diz que o grande e rápido crescimento verificado no setor da construção civil fez com que a demanda por profissionais ultrapassasse a oferta, por isso a falta de mão de obra

A falta de mão de obra fez com que os salários disparassem. Pesquisa da FGV aponta que o valor da remuneração cresceu cerca de 26% nos últimos anos.
Foi sob esse cenário que o estudante Lucas Diego Justino entrou para o curso de Engenharia Civil em 2008, área cuja procura por vagas vem crescendo na mesma proporção que o mercado (confira no box a seguir). “O mercado nessa área é bastante amplo, pois demanda grande quantidade de profissionais. Mais ainda aqueles com capacidades e habilidades diferenciadas de acordo com o segmento de atuação escolhido”, diz Lucas sobre uma possível saturação do mercado.
A consultora Renata Ramos concorda com o estudante Lucas. “É importante verificar se a pessoa realmente possui as habilidades necessárias para atuar com sucesso nesse setor. Caso tenha, ainda dá tempo de desenvolver suas competências e se especializar nessa área, aproveitando, assim, essa explosão do mercado.
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Número de universitários no curso
de Engenharia Civil
Ano Nº Candidatos Vagas Relação Cand/Vaga
2008/1 311 17 18,29
2008/2 325 40 8,12
2009/1 470 20 23,50
2009/2 457 40 11,40
2010/1 507 20 23,35
2010/2 554 40 13,85
2011/1 878 20 43,90
2011/2 807 40 20,18

(Fonte: Universidade Federal de Uberlândia)

Demanda provoca aumento dos preços

Assim como os salários, o material de construção também subiu. Em 2010, a procura foi maior em função da grande disponibilidade de financiamento habitacional e, principalmente, do programa “Minha Casa Minha Vida”. As classes B, C e D são as que mais vão ao mercado em busca de materiais de construção. O sócio-proprietário da empresa Comarco Materiais para Construção, Janfredo Nader, afirma que a procura de produtos para o setor foi significativa em todas as classes, com destaque maior para a fatia da população que ganha de três a seis salários mínimos mensais. “Estávamos relativamente preparados, mas tivemos que fazer algumas adaptações, como a aquisição de veículos, funcionários e o aumento do estoque mínimo. As faltas de estoque foram pontuais”, afirma. Ainda segundo o empresário, a procura cresceu 60% no ano passado, comparada a anos anteriores, em que a demanda não era tão grande.
Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em 2010 o preço do material de construção aumentou 5,49%. “Algumas empresas fornecedoras que enfrentavam maior concorrência aumentaram os preços para corrigir a inflação, enquanto outras elevaram os preços em função da alta procura. Em geral, o aumento ficou em cerca de 20%”, completa o empresário.

“A procura (por material de construção) cresceu 60% no ano passado, comparada a anos anteriores em que a demanda não era tão grande”

Sobre essa questão, Ana Paula Garcia diz que a inflação não influenciou como ocorreu no caso dos alimentos no início deste ano. “O crescimento do setor aumenta o número de vagas e aquece a economia, mas um problema surge no meio do boom da construção, a falta de material. O cimento já é um material em falta. Muitos locais de venda não têm mais o produto. As empresas do setor trabalham para reverter a situação. Ela ainda diz que uma questão a ser ponderada é que o aumento de preços visto no mercado parece ser um processo gerado pela relação oferta e demanda. “Dessa forma, como a demanda está aquecida e a oferta dos materiais e da mão de obra não tem alavancado na mesma proporção, é de se esperar elevação do preço, mas nada que aponte crise ao setor”, observa.
O Sindicato das Imobiliárias de Uberlândia (Secovi) sempre monitora os índices do mercado. Para o vice-presidente dessa instituição, Arianan Maracaipe Rego, “a alta sofrida no mercado de venda de imóveis não pode ser medida por um índice específico”, por isso vários fatores devem ser analisados.
No mercado de locação, o aumento pode ser considerado um reflexo da retirada de alguns imóveis de oferta. Esses imóveis tornaram-se opções de “venda” por parte dos seus proprietários. Uma consequência natural da redução da oferta é o aumento de preço.
Já no mercado de imóveis para venda (veja a seguir no box dicas de como comprar bem), o aumento foi influenciado por toda a cadeia produtiva da construção civil, que teve seus custos fortemente reajustados e, portanto, repassados ao mercado. “O aquecimento na construção civil gerou escassez de mão de obra qualificada, além de uma corrida especulativa por áreas/terrenos para construção. Tudo isso, atrelado à grande oferta de crédito habitacional no mercado, levou a um aumento natural dos preços de venda de imóveis em nossa cidade e região”, ressalta.
Essa é também a opinião do gerente regional da Rossi Residencial, Mauri Leite, que coloca o governo federal como um agente para desacelerar a inflação. “No mercado imobiliário, essa pequena alta ainda não influenciou. Talvez, apenas, nos contratos de locação”, confirma.
Quem sentiu na pele o aumento dos aluguéis foi o vendedor Hélio Melgaço Júnior. Natural de João Pinheiro, região noroeste de Minas, ele se mudou para Uberlândia por causa dos estudos. “Ao me mudar, os aluguéis de imóveis do nível que procurava estavam em torno de R$ 380, hoje não custam menos de R$ 570, com isso, me vejo obrigado a dividir o apartamento com outros colegas”, comenta.

Tendência do mercado em 2012

O mercado da construção civil poderá sofrer uma queda se comparado às taxas de crescimento do ano passado, porém, continuará a ser um dos setores que mais irá se expandir nos próximos anos, conforme previsão da economista Ana Paula Garcia. “Como grande parte dos investimentos no setor da construção civil em 2011 foram iniciados no primeiro semestre, estes serão concluídos, tendo em vista que já houve um planejamento inicial. Então, o esperado é que o arrefecimento do setor não seja expressivo”, analisa.
Mesmo assim, alguns setores já sentiram a queda na construção civil. De acordo com Janfredo Nader, os preços já estão voltando ao normal, mas observa que algumas regiões do Brasil continuarão crescendo. “Acredito numa desaceleração na nossa região, pois a prioridade de investimentos públicos estará voltada às obras necessárias para a realização da Copa do Mundo e a nossa região ficará fora desses investimentos”.

Para o gerente regional da construtora Rossi, Mauri Leite, o déficit habitacional ainda é alto e o setor ainda tem muito o que caminhar

Contudo, apesar da previsão do comerciante não muito positiva para Uberlândia, a cidade poderá ser ainda muito beneficiada por altos investimentos imobiliários. Pelo menos, é nisso que acredita o gerente regional da Rossi Residencial, Mauri Leite. Ele acredita que o mercado da construção civil ainda tem um alto potencial de crescimento na cidade. “Uberlândia é muito bem localizada e privilegiada geograficamente, a quarta maior do interior do Brasil e, naturalmente, a decisão de se investir vem ao encontro da estratégia de expansão da construtora, por exemplo”, completa.

“O déficit habitacional ainda é alto. (…) Temos convicção de que o setor ainda tem muito a caminhar”

Para o gerente da Rossi, o mercado continuará aquecido. “O déficit habitacional ainda é alto. O volume financeiro de financiamentos imobiliários cresce a cada ano. Temos convicção de que o setor ainda tem muito a caminhar”, afirma. Ele adianta que o plano financeiro da empresa para 2011 é investir R$ 4,5 bilhões em lançamentos por todo o Brasil e Uberlândia está entre os alvos.
Outro que acredita em mercado aquecido é o sócio-proprietário da ElGlobal Construtora, Rogério Funaro. A sua previsão para a empresa em 2011 é de um faturamento de aproximadamente R$ 200 milhões, tendo em vista os mais de 30 empreendimentos que estão em andamento. Isso, mesmo que o número de projetos tenha caído. “Em 2010 foram 22 obras executadas; já em 2011, a previsão é de 13”, afirma. Ou seja, no caso da El Global, a perda em volume não se refletiu na receita, que leva a crer em obras maiores.
Para finalizar, o secretário de Desenvolvimento e Habitação de Uberlândia, Felipe Attiê, garante que a cidade ainda tem muito crescimento pela frente. “A perspectiva é que se façam mais bairros, como o Jardim Glória, com 1.700 lotes, e o Jardim Manaim, com mais 300 lotes”, aponta.
Já em nível nacional, se for observado que em junho a presidente Dilma Rousseff lançou o PAC2 (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida 2, e considerando ainda que o Brasil terá também pela frente a realização de uma Copa do Mundo de Futebol (2014) e de uma Olimpíada (2016), a impressão é de que o país não vai parar de crescer tão cedo.

Detalhe das quatro mil casas que acabam de ser construídas no residêncial Shopping Park, em Uberlândia

Informações complementares
Estimativa de crescimento do setor

A previsão é que o PIB da construção civil cresça mais que o PIB nacional nos próximos anos. 6,7% em 2011 e 6% em 2012. Segundo pesquisa feita pela FGV, a segunda etapa do projeto Minha Casa, Minha Vida e as obras para a Copa do Mundo de 2014 serão os grandes responsáveis pelo crescimento. Esse investimento, também segundo a pesquisa, resultará na geração de 2,8 milhões de empregos por ano.

(Fonte: FGV)

Uberlândia nos próximos anos

Em dois anos e meio, a Prefeitura de Uberlândia já distribuiu mais de oito mil casas e apartamentos. Nos próximos meses, a previsão é entregar quatro mil casas no Shopping Park, e até o final do atual mandato, mais de 18 mil unidades serão construídas. Um recorde nacional.

(Fonte: Prefeitura Municipal de Uberlândia)

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