Trabalho

Revista Mercado Edição 43 - julho 2011

Namoro no trabalho, pode?!

POR Margareth Castro com Maxpress

O que fazer quando a relação com o colega se transforma em um novo sentimento? Ter um relacionamento no ambiente de trabalho pode prejudicar a carreira? Essas e muitas outras perguntas são comuns e especialistas em carreira e recolocação profissional dão suas opiniões

As pessoas passam 8h, 10h e até 12 horas do dia trabalhando. A convivência diária com os colegas de trabalho gera uma rotina e também uma intimidade. É comum, em alguns casos, que a afinidade e o compartilhamento de situações corriqueiras com o tempo deem lugar a um outro sentimento: a paixão. As relações amorosas no ambiente de trabalho são comuns e podem surgir em todas as áreas e com pessoas das mais variadas idades.
Mas, como lidar com a nova situação? Deve-se contar para os demais colegas, comunicar a chefia? Ou deixar que a “rádio-peão” se encarregue de espalhar a novidade e a situação vire fofoca na empresa? Antes de tomar a decisão, é importante conhecer bem a política da companhia, pois algumas não aceitam relacionamento entre os seus funcionários. Outras não contratam casais, e quando se forma um na empresa, um dos parceiros é obrigado a se demitir.
Mas, de acordo com Marcelo Abrileri, especialista em recolocação profissional e presidente da Curriculum – empresa de recolocação profissional -, o modo como um relacionamento no ambiente de trabalho é encarado pelos outros colegas e pelos empregadores varia de acordo com a postura de cada um e com a cultura da empresa. Segundo ele, no Brasil, poucas empresas têm políticas definidas sobre o assunto e quase não impõem restrições e proibições. Independente da política empresarial e do ambiente, a dica é o bom senso, que deve ser priorizado (veja quadro).

Marcelo Abrileri, da Curriculum, diz que, no Brasil, poucas são as empresas que têm políticas definidas sobre o relacionamento entre colegas no ambiente de trabalho e quase não impõem restrições e proibições

A supervisora de Talentos Humanos da Algar Mídia, Rita Naves, reforça que o bom senso é fundamental. Segundo ela, na empresa em que trabalha as relações amorosas no ambiente corporativo são vistas com normalidade e nunca houve problemas em relação a comportamentos. “Geralmente, quando se formam casais, eles procuram o líder direto e comunicam a situação. Nesse momento, são orientados em relação a comportamento”, disse.
Rita Naves conta que a maioria dos casos chega até o conhecimento dela por meio da “rádio peão”, mas reforça que a empresa não tem restrições com relação a relacionamentos, desde que não seja entre líderes e subordinados. “Essa restrição é para que não haja interferências nas relações de trabalho, já que pode haver um impacto na questão da parcialidade”, justificou.
Além de ter uma política clara sobre as relações corporativas, a empresa não tem problemas nessa área porque a maioria dos associados (como são chamados os funcionários da empresa) é mulher. “Temos alguns casais na empresa, mas há uma discrição por parte deles, até mesmo para preservar o relacionamento e o trabalho”, disse Rita Naves.

Juntos no trabalho e em casa

José Antônio Alves Junior trabalha há 13 anos na área de informática de uma empresa de autopeças em Uberlândia. Ele é casado com Marisa Ribeiro há 10 anos e tem uma filha, Brenda, de quatro anos. Os dois se conheceram na empresa, onde Marisa trabalha no setor financeiro. Como em todo relacionamento, a amizade foi o início de tudo e o casamento aconteceu quatro anos depois de se conhecerem. “Nos encontramos no trabalho, mas a afinidade teria acontecido de qualquer jeito. A empresa foi apenas um ambiente facilitador”, disse José Antônio.

“Nos encontramos no trabalho, mas a afinidade teria acontecido de qualquer jeito. A empresa foi apenas um ambiente facilitador”

Ele conta que não chegou a comunicar à direção da empresa sobre o relacionamento, mas que todos sabiam, embora eles sempre tenham mantido total discrição. “Não misturamos trabalho e vida pessoal. Não há interferências na nossa vida pessoal”, reforçou.
Mesmo trabalhando juntos até hoje, embora em setores diferentes, José Antônio disse que se pudesse escolher não gostaria de estar no mesmo ambiente de trabalho que a mulher. “Trabalhar no mesmo lugar limita as duas partes. Coisas irrelevantes que acontecem no trabalho se tornam maiores”, explicou.

Dicas de postura para relacionamento em ambiente corporativo
Observe a cultura da empresa e suas políticas: antes de pensar em se envolver com alguém do trabalho, investigue como a empresa procede. Caso você descubra um histórico negativo sobre o assunto, evite que a sua situação particular seja meramente tratada como um caso reincidente;
Trabalho é prioridade: antes de mais nada, tenha sempre em mente que o ambiente de trabalho é para trabalhar. Evite quaisquer interferências em seu desempenho profissional. Converse com a pessoa e coloque essa situação de maneira leve, mas clara;
Saiba distinguir: uma coisa é paquera, quando há troca recíproca de olhares e gestos que conotam atração. Outra coisa é assédio, quando há uso de poder para forçar uma pessoa a uma determinada situação;
Não misture: ao ter um relacionamento amoroso, há riscos de o trabalho invadir os assuntos pessoais e vice-versa. Saiba como separar os assuntos. Uma boa conversa com o parceiro pode ajudar. É inevitável que ambos assumam mutuamente alguns preceitos para que tudo permaneça em ordem;
Peça conselhos de pessoas de confiança: você sabe o que está sendo dito sobre seu relacionamento? O que dizem os superiores? Peça ajuda de pessoas em quem você confia e saiba antes. Se há algo errado com a imagem que outros fazem de você em relação ao seu namoro, apenas aja de maneira ética: busque mais discrição e evite jogos psicológicos;
Namoro é diferente de um caso eventual: casos eventuais podem acontecer, e podem não durar. Já em namoros a durabilidade se estende, mas pode terminar enquanto ambos estão na empresa. Numa possível ruptura do casal nessas situações, é importante manter a ética e nunca sair falando mal do outro;
Não divulgue: divugar é diferente de omitir ou de esconder. Não saia espalhando que você está tendo um caso ou está namorando alguém da empresa. Mas, se você é perguntado sobre o assunto, principalmente se a pergunta vier de superiores, não esconda;
Namoro entre pessoas do mesmo departamento é um caso a ser encarado com muito cuidado, e deve ser analisado e discutido abertamente pelo casal. Podem ocorrer momentos constrangedores nessa situação. O ideal, novamente, é que ambos combinem os preceitos a serem adotados;
Namoro com superiores: novamente, ambos devem conversar e definir preceitos conjuntos. Mais do que nunca, uma coisa não pode interferir em outra;
Discrição: a postura do casal frente ao namoro no ambiente de trabalho deve, sim, ser discreta em todos os sentidos, porque ninguém deseja expor sua vida pessoal a comentários alheios, algo que, infelizmente, costuma ocorrer com frequência nas empresas por meio da chamada “rádio-peão”.
Fonte: Marcelo Abrileri – presidente da Curriculum

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