Comportamento

Revista Mercado Edição 55 - fevereiro 2013

Mulher: superação em casa e fora, no mercado de trabalho

Por Alitéia Milagre

Vanessa Vilarinho é um exemplo da mulher contemporânea: é esposa, mãe, dona de casa, vendedora...

As mulheres lutaram muito para ter um seu espaço no mercado de trabalho e conseguiram. O problema é que junto com essa conquista elas também adquiriram maiores responsabilidades e mais funções. Muitas agora, além de cuidar do marido e dos filhos, também têm de dividir as tarefas domésticas com o trabalho fora de casa, numa continua demonstração de capacidade para exercer funções antes só realizadas pelos homens, apesar de ganharem menos que eles na maioria dos casos.

Mas, como tudo tem um preço, essa “superação feminina” não saiu barato. Como o instinto materno acaba falando mais alto, muitas mulheres que têm filhos e trabalham fora de casa se sentem realizadas profissionalmente, porém carregam sentimento de culpa. Isso porque, passam muito tempo longe dos filhos e quando se dão conta, eles já cresceram, conforme explica a gestora em Recursos Humanos (RH), Vianei Altafin. Assim, para tentar amenizar esse sentimento penoso, a maioria prefere trabalhar meio período. Pelo menos foi o que apontou um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew e pela Pesquisa General Social, que analisam as tendências sociais desde 1972 com mais de 1500 mulheres, onde registrou que mais de 60% das mães que trabalham fora de casa prefeririam trabalhar apenas em meio período. Entre os pais esse dado é menor (19%). Outra pesquisa realizada pelo Ibope e publicada no Estadão Online, com as chamadas Mães Contemporâneas, a maioria das brasileiras, 51%, é mãe, sendo que desse total, 67% trabalham fora e, dessas, 68% consideram difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento.

“Hoje as mulheres são mais independentes e não querem contar com o dinheiro do marido”, afirma a gestora em RH, Vianei Altafin

A própria Vianei Altafin se enquadra neste novo perfil do sexo frágil, desempenhando ao mesmo tempo as funções de empresária e mãe. É a típica mulher moderna que embora diante de tantos desafios, gosta de trabalhar fora de casa e ganhar o próprio dinheiro. Ela explica que hoje as mulheres são mais independentes e não querem contar com o dinheiro do marido, e que é possível conciliar o trabalho com a vida fora dele. Para isso, segundo a gestora em RH, “a dica é planejar as atividades, ser organizada, estabelecer metas atingíveis e administrar bem o tempo para o trabalho, à família e para nós mesmas”.

Vanessa Vilarinho de 30 anos é um exemplo dessa mulher moderna destacada pela gestora de RH. Ela consegue se superar e acumular ao mesmo tempo as funções de mãe, esposa, conselheira, dona de casa e vendedora, ou seja, uma mulher que assume múltiplas funções sem deixar a peteca cair. Vanessa tem três filhos: o mais velho com sete anos, outra com dois anos e o mais novo de sete meses. Por causa disso, é corrida. Precisa dar almoço aos mais velhos e depois deixá-los na escola, isso com o caçula a tiracolo. Entre um telefonema e outro, uma comissão de venda e outra, ela se preocupa em dar seu melhor, pois sua renda também ajuda a pagar as contas de casa. São oito horas de trabalho intenso, vendendo ferramentas manuais e equipamentos de segurança e uma hora e meia de almoço para correr e amamentar o filho na creche. “Às vezes preciso terminar de atender o cliente para depois sair para o almoço”, conta. Contudo, mesmo diante dessa vida sem trégua e descanso, ela diz não se arrepender de ter tido os três filhos e nem abre mão do trabalho fora de casa. “Trabalho nesta empresa há sete anos e nunca deixei meus filhos em segundo plano. Eles são a razão do meu viver. A gente precisa arrumar tempo para tudo, afinal trabalhamos para dar a eles o pão de cada dia. Hoje, junto com o marido, a mulher tem um papel muito importante no orçamento familiar também. Sempre trabalhei fora, não me vejo longe do mercado de trabalho”, afirma Vanessa.


Júlia Agostinho acaba de ser mãe, mas não se imagina parada em casa, por isso, não quer abrir mão de conciliar a maternidade e o trabalho, do qual está licenciada temporariamente

A pedagoga Júlia Agostinho, de 29 anos deu a luz de seu primeiro filho. Ela trabalha meio período numa empresa de locação de veículos e disse que depois da licença maternidade, não pretende deixar de trabalhar. “Quero conciliar a maternidade com o trabalho. A mulher sente vontade de ser mãe e não deve abrir mão disso, mas acredito que as mulheres têm que aproveitar o que conquistaram ao longo dos anos para ser feliz no trabalho fora de casa também, se assim desejar. Se achar que um dia eu deva dedicar exclusivamente às tarefas do lar e do meu filho, meu marido vai me apoiar”, afirma a pedagoga.

Para Vianei Altafin, as mulheres conquistaram e ocupam bem o seu espaço tanto no lar como no mercado de trabalho. Por outro lado, segundo ela, hoje é muito comum os maridos colaborarem com as atividades domésticas, assim como é natural, as despesas serem compartilhadas. “Na maioria das famílias todos trabalham, o trabalho é feito a quatro mãos. Não há mais separação de tarefas, nem dentro e nem fora do lar”, finaliza Altafin.