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Revista Mercado Edição 35 - outubro 2010

Minas de Anastasia

POR Margareth Castro

Apoiado por Aécio Neves – eleito Senador e seu antecessor no governo -, Antonio Anastasia (PSDB) é eleito governador de Minas Gerais com 62,72% dos votos válidos

Candidato pela coligação “Somos Minas Gerais”, formada pelos partidos PP/ PDT/ PTB/ PSL/ PSC/ PR/ PPS/ DEM/ PSDC/ PMN/ PSB/ PSDB, o governador reeleito, Antonio Anastasia (PSDB), obteve 62,72% (6.275.520) dos votos válidos no estado, ainda no primeiro turno das eleições 2010, realizado no dia 03 deste mês. Apoiado pelo ex-governador Aécio Neves, o candidato tucano apareceu de forma tímida nas primeiras pesquisas eleitorais e após o início da propaganda política no rádio e na TV começou a crescer, até ultrapassar o seu maior adversário, Hélio Costa (PMDB), da coligação “Todos Juntos por Minas”, formada pelos partidos PRB/ PT/ PMDB/ PC do B. Costa, que tinha o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 34,18% (3.419.22) dos votos válidos. No primeiro turno, 712.091 eleitores votaram em branco para governador e 1.120.324 anularam o voto.
O governador, que já reassumiu o cargo na Cidade Administrativa, será empossado para a gestão 2011-2015 no dia 1º de janeiro. Sobre a composição do novo governo, Anastasia diz que ainda é cedo para tratar do assunto e que o novo secretariado será anunciado após o segundo turno das eleições, pois agora é hora de voltar às atenções para a escolha do presidente da República.
Apesar ter sido vitorioso na maioria dos 853 municípios mineiros, Uberlândia, no Triângulo Mineiro – a segunda maior e mais importante cidade do estado -, foi uma das 80 cidades em que o candidato tucano obteve menos votos que o seu adversário, Hélio Costa. O peemedebista e senador Costa obteve 55,1% dos votos válidos (158.266), enquanto Anastasia conseguiu 42,3%, o que correspondente a 129.044 votos. Uberlândia foi uma das cidades mais visitadas pelos candidatos ao cargo majoritário nesta eleição. Anastasia esteve na cidade cinco vezes durante a campanha eleitoral: duas em agosto, duas em setembro e no dia da votação. Já Costa veio seis vezes: sendo uma em julho, duas em agosto, duas em setembro e também no dia da eleição.

Hélio Costa – Logo após a divulgação oficial do resultado do primeiro turno das eleições pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), o senador e candidato ao governo de Minas, Hélio Costa, divulgou uma nota de agradecimento aos cerca de 3,5 milhões de eleitores “que confiaram na proposta de governo voltada para os mais pobres”. Também pediu votos para Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. “O momento agora é o de unirmos as forças progressistas de Minas e do país para garantir a vitória de Dilma Rousseff. Convoco todos aqueles que votaram e apoiaram a chapa Hélio/Patrus a, nesse segundo turno da eleição presidencial, cerrar fileiras para eleger Dilma presidente e Michel Temer vice. Estarei com vocês nessa luta”.

Hélio Costa não se esqueceu do companheiro de chapa e fez uma homenagem a Patrus Ananias (PT), candidato a vice. “Foi um privilégio tê-lo lado a lado, mais uma vez. Que sua boa governança e liderança política continuem a nos iluminar”. Por fim, o senador Hélio Costa citou o que escreveu na Carta ao Povo de Minas, documento em que ele e Patrus firmaram o compromisso de um governo popular para Minas Gerais. “Em Minas, liberdade não pode ser um simples slogan publicitário. Tem de ser um desafio de construção diária, um norte perpétuo, um compromisso”. E afirmou ainda: “Não desistiremos desse ideal.”

Com a palavra, o governador eleito

Após a divulgação oficial pelo TRE de sua eleição para comandar Minas Gerais pelos próximos quatro anos, em entrevista exclusiva à revista Mercado, o governador reeleito, Antonio Anastasia, fez uma avaliação das eleições e da vitória em primeiro turno. Ele fala ainda sobre a derrota para o adversário Hélio Costa, em Uberlândia, a maior cidade do interior do estado, e também da importância do apoio do ex-governador Aécio Neves, eleito senador, para a sua vitória nas urnas.

Mercado – O senhor foi eleito com quase 63% dos votos. Como avalia o desempenho nas urnas na primeira vez em que o nome do senhor é colocado em votação?
Anastasia – É uma votação expressiva, uma declaração de confiança do povo de Minas Gerais e também um importante reconhecimento do trabalho que realizamos nos últimos anos pelo desenvolvimento econômico e social de nosso estado.
Os mineiros, mais uma vez, deram prova de sua soberania e demonstraram, com indubitável certeza, que desejam a continuidade das políticas públicas que implantamos em Minas, porque conhecem os resultados extremamente positivos que alcançamos em todas as áreas, em todas as regiões do estado.
Esse vigoroso resultado das urnas aumenta nossa responsabilidade de realizar os compromissos assumidos durante a campanha e que, com certeza, farão Minas avançar ainda mais na saúde, educação, infraestrutura, segurança pública, tecnologia; enfim, em todos os setores nos quais o Governo de Minas deve e irá atuar com muita determinação em benefício de toda a população mineira, com responsabilidade, com ética e sem falsas promessas.

Mercado – A vitória tem um gosto diferente por saber que o senhor até pouco tempo não era muito conhecido nem mesmo visto como um político?
Anastasia – Claro. A vitória significa que, além de identificar o belíssimo trabalho realizado pelo ex-governador e senador eleito Aécio Neves à frente do Governo de Minas, nos últimos oito anos os mineiros também compreenderam a minha participação firme em todo esse processo que, como disse, apresentou resultados bastante positivos.
Todos nós, mineiros, reconhecemos a liderança inequívoca de Aécio Neves, que realizou o governo mais aplaudido do Brasil nesse período. Os avanços registrados em Minas Gerais são consequência de um minucioso planejamento que elaboramos e realizamos juntos, com o apoio de vários parceiros. Isso ficou claro durante a campanha e eu passei a ser mais conhecido e, logicamente, também reconhecido pelas obras e ações positivas desenvolvidas pelo Governo do Estado de Minas.

Mercado – O apoio do senador Aécio Neves foi fundamental para o resultado das urnas? Pode-se dizer que, assim como o presidente Lula, Aécio Neves conseguiu um terceiro mandato para o grupo político?
Anastasia – O senador eleito Aécio Neves possui uma capacidade política extraordinária, nacionalmente consolidada, e, sem dúvida alguma, o apoio dele foi fundamental para nossa vitória, que é a vitória de um grupo político liderado por ele com muito brilhantismo.
É bom lembrar que o nosso governo foi aplaudido e é reconhecido inclusive pelo Banco Mundial e por outros estados da Federação, que vêm aqui e em que nos inspiramos como modelo, exatamente porque nós temos programas e projetos estruturadores.
Portanto, atribuo a nossa vitória ao projeto político que defendemos e que, sob a firme determinação e liderança de Aécio Neves, conquistou voluntários, militantes e lideranças políticas de nosso estado.

Mercado – Em algum momento o senhor temeu ser o candidato majoritário da coligação, já que não tinha grande expressão política? Como reagiu às primeiras pesquisas, que apontavam diferenças consideráveis em relação ao candidato Hélio Costa?
Anastasia – Sempre tive muita tranquilidade quanto a isso. A partir do momento em que meu nome, com muito orgulho e honra, foi colocado para essa missão, elaboramos o planejamento da campanha, traçamos nossas estratégias e seguimos adiante, sempre com muita responsabilidade, ética e confiança.

Mercado – O senhor concorda que a sua campanha decolou no momento certo, quando já não era mais possível ao outro candidato mudar de estratégia?
Anastasia – Em várias oportunidades fiz questão de dizer que todo o nosso esforço estava concentrado em trabalharmos o nosso lado. Portanto, nos preparamos para enfrentar o desafio de apresentar à população as nossas propostas, o nosso projeto e discutir nossas ideias.

Mercado – Como governador, quais serão as prioridades? O senhor pretende manter a mesma linha da gestão Aécio ou vai adotar uma linha própria?
Anastasia – Nossa prioridade, verdadeira obsessão, é a empregabilidade. Para termos empregos de qualidade, precisamos de infraestrutura social e física. Ou seja, vamos melhorar ainda mais nossos programas nas áreas de saúde, tecnologia, segurança pública, educação, educação profissional e telefonia; vamos realizar o programa Caminhos de Minas, interligando por asfalto as regiões do estado, pois já estamos concluindo o ProAcesso, que ligou por asfalto mais de 200 municípios mineiros que, até 2003, só tinham acesso por estrada de terra.
Com as ações do Governo de Minas na infraestrutura social e física vamos atrair mais empresas para a geração de empregos. Nossa proposta é fomentar um ambiente propício à instalação de empresas privadas nas diversas regiões do estado a partir da identificação das vocações de cada uma delas por meio de uma política de Zonas de Desenvolvimento Regional. A partir daí, o emprego de carteira assinada e de qualidade criará um círculo virtuoso a favor do crescimento da região e, em consequência, do estado.

Mercado – Durante a campanha, o candidato adversário disse que o “choque de gestão” era uma maquiagem dos números. Na verdade, o que é o choque de gestão? O senhor pretende mantê-lo ou aprimorá-lo na próxima gestão?
Anastasia – O conjunto de medidas adotadas pelo Governo de Minas, a partir de 2003, batizado de Choque de Gestão, permitiu o equilíbrio financeiro do estado. Com isso, recuperamos nossa capacidade de investimento e colocamos as contas em dia. Os resultados foram extremamente positivos e, quero deixar claro, mais uma vez, que não houve sequer uma única demissão.
Retomamos a função do planejamento, que estava esquecida na administração pública, não só do estado, mas do país; reconquistamos nossa credibilidade, o que permitiu que contraíssemos empréstimos internacionais, o que não ocorria desde os anos 90. Com os recursos conseguimos implantar projetos importantíssimos para Minas Gerais e o estado avançou muito.
No âmbito do funcionalismo público garantimos que todas as categorias fossem beneficiadas com o fim da escala de pagamento e com os salários pagos até o quinto dia útil do mês. Instituímos o prêmio por produtividade e também passamos a efetuar o pagamento do 13º salário em dia, na primeira quinzena de dezembro, em parcela única, o que não acontecia desde 1990.
Portanto, o Choque de Gestão significou o início da profissionalização da administração pública estadual mineira, porque os governos passam, mas a administração fica e deve ser eficiente, profissional, vocacionada para resultados. Com certeza continuaremos nesse caminho que, comprovadamente, já se mostrou eficaz.

Mercado – Como professor, como o senhor avalia a educação no estado e, principalmente, os salários dos professores, que fizeram greve pedindo revisão do piso? O senhor tem planos para rever essa questão?
Anastasia – Justamente por ser professor, filho e irmão de professoras, conheço bem a realidade da educação. Minas Gerais, e não sou eu que o digo, mas o próprio Ministério da Educação, ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o que é motivo de grande orgulho, mas também significa que temos que melhorar cada vez mais, temos que nos superar, e isso vale para todas as áreas. Outro dado importante é que já somamos mais de cem mil alunos em cursos profissionalizantes, por meio do Programa de Educação Profissionalizante (PEP).
A questão salarial também avançou muito. Em junho, sancionei o projeto de lei, aprovado pela Assembleia Legislativa, que reestrutura, moderniza e cria nova política remuneratória em parcela única para as carreiras da educação em Minas Gerais. Essa nova política entra em vigor em janeiro de 2011 e incorpora ao salário base todas as vantagens permanentes pagas à categoria.
Com isso, entre outras vantagens, o professor em início de carreira com jornada de 24 horas semanais e formação em curso superior de Licenciatura Plena passa a receber R$ 1.320,00 em parcela única. Haverá a possibilidade de opção para jornada de 30 horas com 20 horas em sala de aula e 10 horas de preparação. Nesse caso, o subsídio em início de carreira será de R$ 1.650,00. O impacto dos aumentos nas diversas carreiras é da ordem de 24,5% sobre a folha total da Educação, o que representa acréscimo de R$ 1,3 bilhão anuais.

Mercado – Durante a campanha, um dos temas mais abordados pelos demais candidatos foi a alta carga tributária de Minas, que perde em competitividade para outros estados. O que pode ser feito para aliviar a situação? O senhor tem planos de rever o ICMS cobrado no estado?
Anastasia – A estrutura tributária nacional hoje é conhecida de todos, é altamente concentradora de recursos na União, o que deixa estados e municípios em uma situação delicada. Minas Gerais ainda sofre em razão das distorções da Lei Kandir, que é uma lei que tem de ser revista, não só pelo seu perfil, mas também pela dificuldade que a União tem em fazer o ressarcimento a cada ano e naturalmente nós temos de voltar a discutir o tema dos royalties, quer do petróleo como dos minérios.
Em Minas temos nos esforçado para reduzir a carga tributária do ICMS com o objetivo de proteger a economia estadual, oferecendo condições de igualdade à indústria mineira em relação aos concorrentes situados em outros estados contemplados com benefícios fiscais. A medida também pode estimular novos investimentos, quer mediante a expansão das unidades já existentes no estado, quer pela instalação de novas unidades.
Como exemplo posso citar que, recentemente, reduzimos a alíquota do ICMS do setor calçadista de 12% para 3%, beneficiando nosso maior centro econômico desse setor na região de Nova Serrana, centro-oeste de Minas.

Mercado – Apesar de ter estado várias vezes em Uberlândia e contar com o apoio do prefeito Odelmo Leão, considerado uma liderança política forte na cidade e região, o senhor perdeu por mais de 30 mil votos para o seu principal adversário, Hélio Costa. Como o senhor avalia essa votação? A que atribui a diferença nas urnas? De alguma maneira esse resultado pode influenciar a relação da cidade com o estado?
Anastasia – Como disse no início, os mineiros deram provas de sua soberania. Uberlândia é um município extremamente importante para Minas Gerais e a população sempre me recebeu muito bem. Lembro que, no Triângulo Mineiro, alcançamos 51% dos votos e, em Uberlândia, saímos de uma situação bastante desfavorável, inferior a 20%, para uma situação bem mais equilibrada, chegando a 43%. Esse resultado prova a liderança política do prefeito Odelmo Leão e de todas as forças políticas do Triângulo Mineiro que nos apoiaram.
Quero afirmar com muita convicção que Minas é o mais municipalista dos estados brasileiros e o nosso princípio é republicano. Isso significa que em hipótese nenhuma qualquer município de Minas Gerais deixará de ter no governador a confiança de que todo o esforço será feito para que o desenvolvimento, o progresso alcance a todos, independente do resultado das urnas aqui ou acolá.

Quem é Antônio Augusto Junho Anastasia

Anastasia, eleito em primeiro turno, no dia 3 deste mês, governador de Minas Gerais, nasceu em Belo Horizonte em 9 de maio de 1961. Filho de Dante Anastasia e Ilka Junho Anastasia, Antonio Augusto Junho Anastasia é proveniente de uma família de servidores públicos, sendo a mãe professora aposentada e as irmãs, assim como ele, professoras universitárias.
Anastasia é graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, onde também se formou mestre em Direito Administrativo, disciplina da qual é professor na mesma faculdade. Ao longo de sua carreira, especializou-se na formulação e gestão de políticas públicas, bem como na articulação de programas e propostas com representantes de diversos níveis dos poderes Legislativo e Executivo.
Eleito em 2006 vice-governador de Minas Gerais, ficou conhecido pela coordenação da implantação do Choque de Gestão, o programa que norteou a gestão de Aécio Neves e tem como conceito chave “gastar menos com o governo para gastar mais com o cidadão”.
Anastasia exerceu os cargos públicos de secretário-adjunto de Planejamento e Coordenação Geral, secretário estadual de Cultura, secretário estadual de Recursos Humanos e Administração e presidente da Fundação João Pinheiro. No Governo Federal, exerceu os cargos de secretário-executivo do Ministério do Trabalho e do Ministério da Justiça.
No primeiro mandato do governador Aécio Neves (2003-2006), acumulou os cargos de secretário de estado de Planejamento e Gestão e secretário de estado de Defesa Social. Assumiu o cargo de governador de Minas Gerais em 31 de março deste ano, quando Aécio Neves renunciou para se candidatar ao Senado. Agora, a partir de janeiro de 2011, Anastasia volta a comandar Minas, só que desta vez eleito como protagonista e não como coadjuvante, após ter recebido 62,72% dos votos válidos, quase 6,3 milhões de votos.

Governação de Anastasia: Minas Gerais para o Brasil

A Mercado foi saber do cientista político João Batista Domingues Filho como ele avalia e o que representa a vitória de Anastasia em Minas Gerais. Quem ele é, o que já fez e o que poderá fazer como político e governador.

Domingues, que é professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e autor do livro “Planejamento governamental e democracia no Brasil”, afirma que Antonio Augusto Junho Anastasia é “um político profissional – vive ‘para’ a política. É um empreendedor político recrutado na tecnocracia do estado mineiro”. Segundo ele, o desenvolvimento moderno da função pública exige esse tipo de intelectual especializado em administração pública, que fez carreira ‘por dentro’ da gestão pública. Daí surgiu sua competência de técnico para crescer como político capaz de exercer a governança do estado de Minas Gerais.
Dando seguimento à análise, o cientista político acrescenta que Anastasia foi um anônimo fora da administração pública de Minas Gerais. Servidor público de carreira, técnico competente por alcançar o equilíbrio orçamentário do Estado, possui fidelidade “canina” ao atual senador e ex-governador Aécio Neves, criador da “nova forma de governar” em Minas Gerais. O jeito de ser da governança mineira pode ser modelo para o Brasil. É a volta de Minas Geais ao cenário nacional, com a eleição de Aécio Neves presidente da República Federativa do Brasil em 2014.
O professor Domingues conta que no livro “Choque de gestão em Minas Gerais”, da Editora UFMG (2006), encontra-se uma apresentação com o relato esclarecedor de Antonio Augusto Anastasia sobre os antecedentes e as origens do Projeto Choque de Gestão. Como professor de Direito Administrativo, ele ensina que o aparato público deve funcionar com eficiência para que os resultados positivos sejam reconhecidos pela comunidade política. “Eficiência é sua meta como administrador ‘bem intencionado’. Intenção e realidade não andam sempre juntas. A orquestração de reforma da Administração Pública em Minas Gerais foi de sua única responsabilidade, a partir do Projeto Choque de Gestão do Governo”, diz.
De acordo com o cientista político, no livro Anastasia descreve que, em 2002, Minas Gerais apresentava um gravíssimo quadro fiscal, com déficit orçamentário desde 1996, com falta de recursos para “todas as despesas”. Uma “soma de circunstância” colocou Minas Gerais nessa posição de falta de administração em todos os patamares do Governo. Anastasia faz a lista dos problemas: “descrédito internacional, fuga de investimentos privados, erosão da infra-estrutura pública com sensível redução do sentimento de auto-estima do povo mineiro”. Daí, a grave situação da Administração Estadual, não sintonizada com a nova economia nacional, “com estabilidade da moeda”. Reinava o enfraquecimento institucional da Administração, com a falta de eficiência do serviço público. Tudo isso era a expressão da falta de capacidade do governo de realizar o planejamento público.

Planejamento e desenvolvimento de Minas Gerais

Planejamento é política, dado que planos expressam intenções políticas para atingir objetivos específicos. Daí que o planejamento para o Governo de Minas Gerais é o antídoto para os males vivenciados ao longo do tempo. O timoneiro desse planejamento foi e é Anastasia. Além da crença no planejamento, o sucesso da sua administração pública fez com que a governança de Minas Gerais provasse que é possível planejar com eficiência dos resultados. Pode ser um Modelo de Gestão Pública para o Brasil. Realizar tarefas complexas através do planejamento é possível, como consertar os defeitos do orçamento. Anastasia como planejador conseguiu ter poder para determinar o ritmo do processo de mudanças da gestão pública. Teve a expertise necessária para ter conhecimento suficiente para tomar decisões, antecipando e eliminando as consequências negativas. Controlou o futuro dos acontecimentos administrativos, alcançou os objetivos fixados em seus planos e criou as condições necessárias para o sucesso do planejamento em Minas Gerais. A metodologia da gestão por processos funcionou com Anastasia para o setor público.
Prosseguindo, Domingues afirma que planejamento e administração pública compatibilizaram princípios: consistência e adaptabilidade, coordenação e eficiência. Assim, o planejamento público não é parte do problema, mas a medida da solução. O planejamento de longo prazo foi atingido em Minas Gerais. Imaginou-se o futuro para melhorar as decisões do presente. A evolução histórica do planejamento em Minas Gerais criou o sucesso do presente e reelegeu o governador Anastasia. As atividades de planejamento exigiram desenvolvimento de organizações, indivíduos, sistemas de valores e relações de poder. Surgiram tensões sanáveis entre órgãos planejadores e operacionais, através do aparato público amplo e diversificado. A virtuosidade desse sistema de planejamento global em Minas Gerais gerou um círculo virtuoso entre as várias organizações estatais e as culturas desenvolvidas em cada órgão em relação à distribuição de seus recursos, a fixação de seus objetivos e a implementação das ações.
Anastasia adotou a abordagem globalista para Minas Gerais, sem cair no erro comum de ignorar o processo decisório no contexto institucional do planejamento. Isso foi feito através da análise profunda dos ambientes externo e interno da Administração Pública para responder às seguintes perguntas: até que ponto planejar? O que planejar? Qual a teoria mais adequada? Respondidas a essas perguntas, montou-se o aparato de planejamento, dado que planejamento deve ser planejado. Eis o segredo do sucesso do planejamento público em Minas Gerais.
O professor acrescenta que o “Choque de Gestão” em Minas Gerais já é um “modelo” para o Brasil. É um conjunto de políticas de gestão pública orientado para o desenvolvimento. Métodos gerenciais modernos balizam o planejamento público criado e coordenado por Anastasia. É a administração pública necessária ao desenvolvimento integral e sustentável, associando virtuosamente a racionalidade fiscal e a capacidade gerencial. É o Governo Matricial que possibilitou a gestão pública em Minas Gerais tomar um “choque” que a reviveu de seu sono de incompetências administrativas, implantando a gestão por resultados, respeitando a cidadania, integrando os seguintes aspectos da administração pública: orçamento, planejamento, estrutura organizacional, recursos humanos, gestão e políticas públicas. “Eis um exemplo a ser seguido para se superar a ‘fragmentada e histórica fragmentação’ administrativa do Estado brasileiro”, completa.


Domingues diz ainda que, com Anastasia, Minas Gerais tem no desenvolvimento do aparato estatal as condições institucionais para resolver os problemas clássicos da modernidade: urbanização, industrialização, transformação da estrutura ocupacional e alfabetização. Pode desenvolver e aumentar a rede de políticas sociais, elaborando novas maneiras de criar um ambiente social para a ascensão social dos mineiros, com acesso direto aos benefícios públicos. A fruição dos bens sociais ocorrerá de maneira ampla e irrestrita, como obrigação do estado. “Anastasia pode evoluir do voto-gratidão de sua reeleição para o voto-confiança em Aécio, em todo o Brasil, para presidente em 2014. É este o desafio maior de sua gestão pública”, avalia. Em sua opinião, a população mineira pode dar o exemplo para o Brasil de como é possível expandir a rede social em volume e qualidade, garantido as políticas públicas regulatórias, distributivas e redistributivas. É com esse estoque de confiança no Modelo Mineiro de Gestão Pública que Anastasia é o principal responsável pelo sucesso de Aécio Neves em sua corrida pela presidência da República. Seu governo pode ser a alvorada de grandes transformações na estratificação social em Minas Gerais. Políticas de grande envergadura podem reduzir a miséria, redistribuir renda e estimular o desenvolvimento econômico. “Se tudo isso for realizado em sua gestão, por que não Aécio Neves presidente fazer o mesmo pelo Brasil, além do sucesso dessas políticas públicas para Minas Gerais?!”, indaga o cientista. Para ele, Anastasia pode ser a experimentação exitosa em Minas da criação da mobilidade social ascendente, mudando a estratificação social, numa nova trajetória ascendente, criada por políticas públicas de sua gestão à frente do Governo de Minas Gerais.
“O confronto lulismo-aecismo já vai com ventos em popa”, analisa Domingues. Ele observa que a coligação Minas Somos Nós é o marco desse desafio de superação do lulismo. Aécio Neves deseja ser para os brasileiros o pós-lula. Aecismo virou mineirismo. Lula é um estrangeiro em Minas Gerais para essa Coligação. Minas Gerais com Aécio Neves pode ocupar o centro do cenário nacional. Os mineiros num futuro político próximo, dependendo do sucesso da gestão pública de Anastasia, poderão oferecer mais um presidente da República. O desejo é produzir a continuidade do sucesso administrativo de Minas Gerais para o plano nacional. Anastasia é o gerente da máquina de governo mineira. O eleitor mineiro, ao votar em Anastasia, alimenta a pretensão do senador Aécio Neves de conquistar a presidência da República do Brasil. É a volta de Minas Gerais ao centro da política nacional. Minas Gerais pode oferecer um novo modo de construção da cidadania para os brasileiros em todo o território nacional. No plano regional, os mineiros aprovaram o modo de governar de Aécio-Anastasia. No plano nacional, Minas Gerais terá um papel importante na construção do novo Brasil: o “Projeto de Minas”, por meio da nova forma de governar: por resultado, eficiência e ética. É a “Administração em Rede”, que operacionaliza o planejamento global mineiro. É a “Rede de Desenvolvimento Integral”, compromisso de governo e envolvimento da sociedade para a solução dos problemas sociais nos três níveis em Minas Gerais: local – 66 microrregiões do estado, integrando governo e população, estimulando a vocação econômica de cada lugar; regional – com sede nas cidades polo de Minas Gerais, associando as demandas locais ao governo; e o plano estadual – presidido pelo Governador Anastasia, que coordena o sistema de informação (Banco de Dados), realizando o planejamento do estado de Minas Gerais ao atender as demandas da população de forma participativa.


Para finalizar, o cientista político João Batista Domingues prevê que se tudo isso acontecer na gestão de Aécio/Anastasia em Minas Gerais, uma “Nova Agenda para o Brasil”, ousada e corajosa em termos da reforma política, reforma da previdência e reforma tributária, poderá ser realizada. Aécio senador, atraindo investimentos e viabilizando recursos para a governação de Anastasia, criará as bases para que Minas Gerais possa voltar ao centro político nacional, por obra do sucesso de Anastasia à frente da administração estadual que inicia com a legitimação da população em primeiro turno em Minas Gerais.

Mineiro agora vai escolher entre Dilma e Serra


O eleitor mineiro terá que voltar às urnas no último domingo deste mês para escolher entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para governar o país pelos próximos quatro anos, diferentemente do que aconteceu em Minas Gerais, quando a briga entre petistas e tucanos – O PT, que no estado apoiou e investiu pesado na candidatura do senador Hélio Costa, do PMDB – foi resolvida já no primeiro turno em favor do PSDB, que viu o seu candidato, Antônio Anastasia, conquistar quase 63% dos votos válidos.
Esse resultado era inimaginável a 30 dias da eleição. No dia 3 de setembro, pesquisa divulgada pelo Ibope, encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, mostrava Anastasia com 35% das intenções de voto e Hélio Costa com 33%, ou seja, empate técnico. Mais surpreendente ainda se for considerada a pesquisa do Datafolha, encomendada pela TV Globo e divulgada no dia 24 de julho, por exemplo, que apontava o senador Hélio Costa com 44% dos eleitores ao seu lado contra apenas 18% de Anastasia, o que representava 26 pontos percentuais de diferença a favor do candidato de Lula, naquela que foi a primeira pesquisa feita pelo instituto depois do registro das candidaturas em 05 de julho. Ou seja, passadas as eleições do primeiro turno, essa vitória incontestável de Anastasia mostra que em Minas, na queda de braço ente PSDB e PT, deu Aécio Neves contra o presidente Lula, os dois que estavam por detrás das candidaturas tucana e peemedebista, respectivamente, no estado mineiro.
Agora, no dia 31 deste mês, os 135,804 milhões de eleitores brasileiros – entre os quais os mineiros – terão que voltar às urnas para eleger o presidente do Brasil para o mandato 2011/2014, cargo disputado por Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). O pleito, que poderia ter sido definido no primeiro turno, foi para o segundo turno após o crescimento da candidata do PV, Marina Silva, que conseguiu 19,33% dos votos válidos.
A campanha de Dilma e Serra foi retomada 48 horas após a divulgação dos resultados do primeiro turno pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No rádio e na televisão, a propaganda eleitoral poderá ser feita até o dia 29, sendo que cada candidato a presidente tem 10 minutos em cada bloco de transmissão, às 7h e às 21h. Eles ainda têm mais sete minutos e 30 segundos diários cada um para divulgar propaganda em forma de inserções de 15 a 60 segundos, o que totaliza 30 minutos diários de inserções.
Mas o principal desafio de Dilma e Serra é conseguir o apoio ou pelo menos os votos de Marina Silva e de outras lideranças políticas do país. Serra, por exemplo, quer mais envolvimento em sua campanha de Aécio Neves, eleito senador por Minas Gerais, e de Anastasia. Os dois, além da votação expressiva, representam o segundo maior colégio eleitoral do país, com 14,522 milhões de eleitores.
Dilma, por sua vez, acredita no histórico do partido que, segundo ela, “está acostumado a desafios e é de chegada”, baseado nas eleições de 2002 e 2006, vencidas por Lula em turnos. Mas a candidata tenta uma aproximação com Marina Silva e, consequentemente, com os eleitores desta. Dilma deve retirar do seu plano de governo o tema aborto, que causou polêmica entre ela e Marina Silva no primeiro turno.

Primeiro turno – De acordo com balanço divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma venceu em quatro regiões e, Serra, em uma. Dilma Rousseff (PT) obteve 46,91% dos votos válidos e José Serra (PSDB) 32,61%, uma diferença de quase 6,3 milhões de votos para a petista.
Dilma venceu no nordeste e norte com folga, mas liderou com vantagem menor no sudeste e centro-oeste. Serra venceu no sul, com 43,01%. Dilma teve 42,10%; e Marina, 13,64%.
A candidata do presidente Lula venceu em 18 estados e Serra liderou em oito: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Marina ganhou no Distrito Federal, onde conseguiu 41,96% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar em cinco estados – Acre, Amapá, Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro. No Ceará, ela empatou com Serra (16,36%).
Entre os votos no exterior, Dilma perdeu por cerca de quatro pontos percentuais. Ela obteve 36,81%, contra 40,25% de Serra e 20,43% de Marina. Entre os eleitores que votaram em trânsito, Dilma venceu com 39,15%. Serra obteve 31,18% e Marina ficou com 28,11%.
Os votos em branco somaram 3.479.320 (3,13%); e os nulos, 6.124.083 (5,51%). A abstenção foi de 18,12%.

Números do 1º turno para presidente
Candidato % de votos Nº de votos
Dilma Rousseff 46,91 47.651.434
José Serra 32,61 33.132.283
Marina Silva 19,33 19.635.359