Economia

Revista Mercado Edição 53 - agosto 2012

Mercado de luxo cresce no Brasil

Por Alitéia Milagre

Reflexo do que ocorre mundo afora, Uberlândia experimentou nos últimos anos um “boom” no comércio de produtos e serviços especificamente destinados às classes mais abastadas

Uma pesquisa mais recente mostra que o mercado de luxo mundial deve alcançar uma movimentação de mais de US$ 1,5 trilhão, o que equivale a toda a capacidade produtiva de países como Espanha ou Austrália. Nesse cenário, com o enriquecimento de mercados como Brasil e China, o segmento tem experimentado um momento único no consumo de produtos que também estão sendo direcionados para proporcionar vivências – de spas a viagens exóticas, leilões de arte a safáris – que já somam um montante de aproximadamente US$ 770 bilhões.
Segundo reportagem veiculada pelo Financial Times, a consultoria Boston Consulting Group (BCG) espera que o mercado de luxo registre neste ano um avanço de 7%, o suficiente para manter as projeções de crescimento, embora o percentual apresente queda em comparação às taxas de crescimento de 12%, em média, observadas em anos anteriores.
Porém, no Brasil, nos últimos cinco anos, o mercado de luxo cresceu 60%, segundo dados de uma pesquisa realizada pela consultoria GFK. Somente em 2010, o aumento foi de 28% em relação ao ano anterior, com o faturamento de R$ 15,7 bilhões. O jornal The New York Times e o International Herald Tribune chegaram a comparar o Brasil a uma “colmeia de consumo glamoroso”.

A empresária Cristina Hanna, em sua loja, aberta em Uberlândia há dois anos e meio, trabalha apenas com marcas de luxo, como Alexander, Balmain, Blumarine, Catherine Malandrino, Celine, Emilio Pucci, Givenchy, Isabel Marant e Marc Jacobs, entre outras

E não é apenas nos grandes centros que o mercado de alto luxo vem se expandindo no Brasil. Nos pequenos centros e no interior, o boom também movimenta os negócios. Em Uberlândia, estado de Minas Gerais, por exemplo, a cada ano surgem mais e mais empresas que atuam com produtos de luxo, ou mesmo outras já existentes, que decidem passar a investir em produtos e serviços voltados às classes sociais mais altas.
A loja Bless é uma dessas empresas. Há dois anos e meio na cidade, trabalhando com a marca Animale, a Bless decidiu investir no mercado de luxo e, num upgrade, trouxe para dentro de sua loja outra loja – é o conceito shop in shop, da Talie NK, uma das marcas de Natalie Klein. A marca é usada por famosos e dita moda também com Alaïa, Alexander Wang, Balmain, Blumarine, Catherine Malandrino, Celine, Emilio Pucci, Givenchy, Isabel Marant, Issa, Lanvin, Philip Lim, Sonia Rykiel, Stella McCartney, além da flagship Marc Jacobs. “Já vendíamos Talie NK e, como a marca está com uma proposta de fechar 10 shop in shop no Brasil, me fizeram a proposta e aceitei”, conta a proprietária da Bless, Cristiane Hanna.
A empresária diz que quem procura por produtos de luxo prefere lojas discretas, mas luxuosas. “Nosso público é extremamente exigente, e foca na qualidade e exclusividade do produto. São peças que podem chegar a R$ 4 mil. Além da qualidade dos produtos, o atendimento também é diferenciado. Temos estacionamento exclusivo, copeira, café, biscoitos. Tudo para proporcionar conforto a esse cliente,” conta. Sobre a venda, Hanna diz que há, sim, público para esse tipo de comércio. “As roupas não demoram a ser vendidas. Se houver um evento na cidade, as peças saem mais rapidamente e também temos o hábito de avisar às clientes quando chegam produtos novos com o perfil delas”, acrescenta Hanna.

Luxo também consolida espaço no setor imobiliário

Desde que percebeu o potencial de Uberlândia para a construção de condomínios de luxo, a FGR Urbanismo abriu escritório na cidade. Depois da entrega do Jardins Roma e Barcelona, a incorporadora investe em seu terceiro empreendimento, o Jardins Gênova. O coordenador da filial da FGR em Uberlândia, Rogério Moreira, afirma que o empreendimento está sendo construído numa área bastante privilegiada em termos de acesso, topografia e natureza. O projeto urbanístico primou por preservar vasta área verde, tanto internamente como na parte externa do empreendimento. Outros fatores são importantes, como a grande variedade de áreas e equipamentos de esporte e lazer, muito bem distribuídos por todo o condomínio. Nesse quesito, explica Rogério, o grande diferencial é o complexo de fitness com piscina esportiva que está sendo construído ao lado de uma grande área verde, reflorestada com espécies nativas. Outro diferencial a se destacar é a rede de energia com cabeamento 100% subterrâneo, que trará maior conforto visual e valorizará ainda mais os aspectos paisagísticos e a arquitetura das futuras residências. “A cidade tem apresentado um considerável crescimento em todas as classes sociais. Essa ascensão salta aos olhos e é visível a todos. Basta andar pela cidade para perceber uma enorme e crescente gama de novos empreendimentos imobiliários, de serviços, comércio e lazer. E a saída para lotes com metragem superior a 750m² tem sido muito boa”, afirma Moreira.
O investimento, avaliado em R$ 35 milhões, ainda se constitui de três quadras de tênis com piso em saibro; dois campos de futebol society gramados; cinco parques infantis; pista de cooper; duas estações de ginástica; uma sala de ginástica (fitness) acoplada a uma piscina esportiva aquecida e coberta; quadra poliesportiva; três quadras de peteca e um lago panorâmico de aproximadamente 25 mil metros quadrados.
Rogério acredita que boa parte do consumidor brasileiro está descobrindo as vantagens de morar num condomínio fechado. Ele explica que, no caso de imóveis, esse é o maior investimento familiar. “As pessoas buscam cada vez mais morar e viver com mais qualidade. Os condomínios fechados horizontais são, portanto, uma excelente opção, tanto para moradia quanto para investimento. No caso de Uberlândia, este fator é ainda mais forte, pois algumas características da cidade favorecem a expansão de empreendimentos com esse perfil. A topografia da cidade é relativamente plana, as distâncias ainda são pequenas e (ainda) não enfrentamos grandes problemas de trânsito para deslocamentos, diferente das grandes capitais”, explica. “Nosso objetivo é oferecer produtos cada vez mais diferenciados e sofisticados, para atender a esse público tão exigente”.

Portaria que dá acesso ao Jardins Barcelona, em Uberlândia, um dos condomínios Classe A da cidade

“Carrões” começam a se multiplicar no trânsito

Os números não deixam dúvidas de que o mercado de luxo está em ascensão. No segmento automotivo não é diferente. O cenário é tão favorável que Uberlândia já conta com lojas especializadas nesse segmento, conhecido como premium.

Julio Nakamura, da Eurobike: concessionária premium que comercializa modelos de carros que chegam a custar R$ 1,5 milhão

Júlio Nakamura, diretor do grupo Eurobike em Uberlândia, conta que tudo começou com um teste piloto. “Abrimos uma loja provisória para testar o mercado em Uberlândia e a recepção foi decisiva para nos posicionar definitivamente aqui. Uberlândia é uma cidade próspera no setor do agronegócio, e não deixa de ser regional. Temos clientes da cidade, mas também que vêm de Monte Carmelo, Itumbiara, Uberaba, Frutal, ou seja, de toda a região”, diz.
Com vasta experiência no ramo, Julio explica que nesse tipo de negócio, voltado especialmente para a Classe A, o mais importante é o nicho de mercado e não a quantidade de veículos vendidos. “A Eurobike é a maior concessionária premium do Brasil, com 10% de share do mercado de luxo no Brasil, com faturamento de R$ 800 milhões ao ano. Só no primeiro trimestre deste ano foram comercializados cinco mil veículos no Brasil. O carro mais caro da Eurobike é o Audi R8 GT, que sai a R$ 1,5 milhão. Já o carro mais acessível é o Jeep Compass, de R$ 99 mil.
Ainda de acordo com Nakamura, a economia brasileira tem contribuído para o consumo de carros de luxo. “Em nossas duas lojas em Uberlândia são comercializados cerca de mil veículos anualmente”, conta Nakamura.