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Revista Mercado Edição 47 - novembro 2011

MEC faz “faxina” no ensino superior e Minas se destaca

Margareth Castro com agências

Ministério da Educação fez uma varredura na educação superior do país. Uberlândia tem duas instituições entre as 50 melhores, a Esamc, na 34ª colocação, e a UFU na 39ª. O Triângulo Mineiro tem ainda os cursos superiores de Enfermagem e Fisioterapia da UFTM como os melhores do país

O Ministério da Educação (MEC) avaliou 2.176 instituições de ensino superior do país e apenas 158 são consideradas com ensino de excelência. Das 27 instituições de ensino superior do Brasil que alcançaram a nota máxima (5) no Índice Geral de Cursos (IGC), divulgado no dia 17 de novembro pelo MEC, sete delas são mineiras, ou seja, mais de 25% do total. O Estado tem ainda dois dos melhores cursos superiores do país: Enfermagem e Fisioterapia, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba.
Aliás, a UFTM, pela classificação do MEC, foi destaque nos cursos de Medicina (1º em Minas e 5º no país), Biomedicina (1º e 4º, respectivamente) e Terapia Ocupacional (1º e 4º). Tem ainda o curso de Nutrição, que ocupa o 4º lugar no estado e 23º no país.
Das instituições de Uberlândia, duas se destacam no ranking das 50 melhores do país: a Esamc, que ocupa o 34º lugar, com o IGC contínuo de 3,85; e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com a 39ª colocação e o IGC contínuo de 3,75. As duas instituições foram classificadas com o conceito 4 (satisfatório) no IGC, que varia de 1 a 5 e é o resultado da média do Conceito Preliminar de Curso (CPC) e do Enade (veja quadro). A avaliação é referente a 2010.

Ranking das instituições de Uberlândia no contexto nacional
Classificação Instituição IGC
34º Esamc * 4
39º Universidade Federal de Uberlândia (UFU) 4
196º Faculdade Católica de Uberlândia 3
486º Faculdade Pitágoras de Uberlândia 3
841º Faculdade Politécnica de Uberlândia (FPU) 3
1.086º Centro Universitário do Triângulo (Unitri) 3
1.420º Faculdade Presidente Antônio Carlos de Uberlândia (Unipac) 2

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O diretor acadêmico da Esamc Uberlândia, Adriano Novaes, atribui o resultado ao conjunto de investimentos que a faculdade mantém de forma constante, como rigor acadêmico, modelo pedagógico constantemente atualizado, investimento em equipamentos essenciais à formação do aluno, treinamento de professores e comprometimento dos alunos. Seis cursos da faculdade (Administração, Publicidade, Relações Públicas, Design, Relações Internacionais e Direito) foram avaliados. Essa é a segunda vez que a Esamc figura entre as 35 melhores do país. Em 2009, a instituição ficou em 29º lugar.

A Esamc Uberlândia é, junto com a UFU, a instituição superior da cidade entre as 50 melhores do país

Para Adriano Novaes, esse resultado por dois anos consecutivos mostra que faculdades particulares com foco na qualidade são capazes de oferecer um ensino comparável e muitas vezes superior ao das escolas públicas. Segundo ele, ainda há uma resistência cultural às escolas particulares e essa avaliação acaba por demonstrar que um ensino sério pode ser oferecido por ambas as instituições. “Temos um fator importante e que precisa ser considerado, que é o rigor na seleção de calouros. Nas públicas, a disputa por vagas é muito mais acentuada, o que acaba por selecionar os melhores alunos. Diante desse quadro, sentimos orgulho do resultado, pois sabemos que é fruto do trabalho árduo da instituição, professores e alunos”, justificou.

Adriano Novaes, diretor acadêmico da Esamc Uberlândia: “Temos um fator importante e que precisa ser considerado, que é o rigor na seleção de calouros”

samc obteve aprovação imediata do MEC para a abertura de novos cursos, que hoje compõem os núcleos de Design e de Engenharia. Os novos cursos aprovados são Design de Moda, Design de Interiores, Engenharia Civil, Engenharia da Computação e Engenharia Ambiental. De acordo com o MEC, as 158 instituições bem avaliadas (IGC 4 ou 5) que têm algum pedido de abertura de novos cursos em tramitação poderão ter autorização automática, sem necessidade de visitas de representantes do Ministério.
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) teve 47 cursos avaliados e recebeu IGC contínuo (critério de desempate na avaliação das instituições) de 3,75. O curso de Medicina foi um dos mais bem avaliados e colocou a instituição em 19º lugar entre as 35 melhores do país. O pró-reitor de graduação da UFU, Waldenor de Barros, diz que a grande quantidade de cursos gera impactos na avaliação final e, para que a instituição obtivesse conceito 5, seria necessário que todos os cursos fossem avaliados assim. “A avaliação também serve para evidenciar as fragilidades e para a busca de melhorias”, disse.
Adriano Novaes também ressaltou o resultado obtido pela UFU e disse que foi excelente. “A UFU é uma instituição antiga e com qualidade também. O que é bom nisto tudo é que Uberlândia tem duas instituições de ponta”, elogiou. Ainda segundo ele, a avaliação do MEC consegue de uma maneira geral identificar as instituições que possuem projetos pedagógicos mais rigorosos e cujo foco está na qualidade de ensino. Porém, de uma maneira geral, a educação no Brasil ainda precisa melhorar muito.

O pró-reitor de graduação da UFU, Waldenor de Barros, disse não ser fácil manter o bom nível de ensino numa instituição com tantos cursos ofertados e afirma que a “avaliação também serve para evidenciar as fragilidades e para a busca de melhorias”

Em relação à importância da avaliação do MEC para o universitário ou futuro aluno, Adriano Novaes diz que o indicador pode influenciar aqueles que primam pela qualidade de ensino e aprendizado. Mas, para aqueles cujo foco é o preço e o tempo de conclusão do curso, a avaliação pode não ser decisiva.

Contraponto: faculdades particulares têm os piores desempenhos

Mais de 4 mil cursos das 2.176 instituições de ensino superior foram avaliados pelo MEC em 2010 e mais de 680 inversidades foram reprovadas por tirarem nota 1 ou 2 em uma escala que vai até 5. Do total, 640 são particulares e 43 são públicas, o que significa que menos de 2% das faculdades particulares conseguiram a nota máxima. Essas instituições vão passar por supervisão do governo federal e podem ser alvo de medidas que vão do arquivamento de pedidos de abertura de novos cursos até o descredenciamento.

A Unipac de Uberlândia é uma das instituições que não foram bem na avaliação do MEC - obteve conceito 2 - e, portanto, deve ser submetida a um processo de supervisão

Em Uberlândia, das outras cinco instituições de ensino superior avaliadas, quatro obtiveram conceito 3 (satisfatório). A Faculdade Presidente Antônio Carlos (Unipac) de Uberlândia recebeu conceito 2 (insatisfatório) e deve ser submetida a um processo de supervisão. A diretora acadêmica da instituição, Raquel Ribeiro, diz que a expectativa é que a instituição fosse melhor avaliada, mas acredita que nos próximos anos o resultado será melhor e justifica o resultado citando a falta de conscientização dos alunos quanto ao Enade. Segundo ela, a Unipac participa do Enade desde 2006 e já obteve índice 3 no curso de Educação Física. “Os dados divulgados são referentes ao ciclo 2007 a 2010 e não retratam a realidade da instituição agora”, afirmou.
A Unipac teve quatro cursos avaliados pelo MEC. Raquel Ribeiro disse que a faculdade irá recorrer contra o MEC, pois acredita que a penalização do órgão para as instituições, como perda de vagas ou não credenciamento de cursos é contraditória. “As avaliações das comissões in loco têm que ter valor e nós fomos bem avaliados por elas. A faculdade tem infraestrutura boa, corpo docente qualificado, inclusive com número de mestres e doutores acima do estabelecido pelo próprio ministério”, justificou.

MEC irá cortar 50 mil vagas em faculdades do país

O Ministério da Educação também divulgou em novembro a listagem dos 422,8 mil cursos avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) 2010. A cada um foi atribuído um CPC (Conceito Preliminar de Curso), que leva em conta, além do Enade, indicadores como a titulação dos professores. Os resultados 1 e 2 são considerados insatisfatórios, o 3, razoável, e o 4 e o 5, bons.

O Unitri também não passou pela “faxina” do MEC e acabou perdendo vagas em cursos como Odontologia, Farmácia e Educação Física; nos três cursos, de 272 vagas oferecidas, houve um corte de 110

Em 2010 foram avaliados os bacharelados em Agronomia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional e Zootecnia, e os cursos superiores de Tecnologia em Agroindústria, Agronegócios, Gestão ambiental, Gestão Hospitalar e Radiologia.
Até o fim do ano, o MEC irá cortar 50 mil vagas de cursos nas áreas de saúde, administração e ciências contábeis, que tiveram resultados insatisfatórios nas avaliações. Os cortes incluirão os cursos que tiveram resultados insatisfatórios no CPC em pelo menos dois anos do último ciclo avaliativo (2008-2010).
Os cortes de vagas começaram a ser feitos na última semana de novembro. Em Uberlândia, o Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e a Unipac Uberlândia perderam vagas em alguns cursos. O curso de Odontologia do Unitri perdeu 43 das 85 vagas que são oferecidas anualmente pela instituição. Teve ainda canceladas pelo MEC outras 33 vagas no curso de Farmácia, de um total de 74 disponibilizadas. E, por último, no início de dezembro, o MEC cortou 34 vagas do curso de Educação Física, passando de 113 vagas por ano para 79.
Também a Faculdade Presidente Antônio Carlos (Unipac) de Uberlândia foi penalizada e acabou perdendo 15 vagas no curso de Enfermagem, de um total de 75 oferecidas, e ainda 4 no curso de Farmácia, que tem 44 vagas anuais. Mas os cortes não pararam por aí, na Unipac de Araguari, o MEC também promoveu cortes por causa do resultado obtido nas avaliações. Foram 6 vagas no curso de Enfermagem e 10 em Medicina.
O porcentual de vagas suspensas variou de 20% a 65% da oferta original, dependendo da nota alcançada pelo curso. No caso de graduações que já tinham conceito insatisfatório em 2007 e repetiram o mau desempenho em 2010, foi determinada uma redução adicional de 30%, segundo o MEC.
As instituições de ensino terão o prazo de um ano para cumprir um termo de saneamento de deficiências e melhorar a qualidade da oferta. Após esse período, o MEC fará uma nova avaliação para verificar o cumprimento das exigências.

Contraponto: faculdades particulares têm os piores desempenhos

Enade – Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes. Avalia o rendimento dos alunos que estão entrando ou se formando na graduação. A prova é obrigatória e é pré-requisito para a obtenção do diploma. A avaliação é anual.
CPC – Conceito Preliminar de Curso. Avalia a qualidade da graduação. O indicador é composto pelo resultado do Enade e pelas avaliações feitas por especialistas in loco. Eles avaliam as condições de ensino, em especial o corpo docente, as instalações físicas e a organização didático-pedagógica.
IGC – Índice Geral de Cursos. É uma das medidas para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior públicas e privadas. Ele é o resultado da média do CPC e do Enade e vai de 1 a 5. O critério de desempate na avaliação das instituições é o chamado IGC Contínuo, valor que vai de 0 a 5.

Confira os 11 cursos de Minas Gerais com nota 5
Enfermagem, Biomedicina e Fisioterapia, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Zootecnia, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
Nutrição, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Nutrição e Educação Física, da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Enfermagem, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Zootecnia, da Universidade Federal de Lavras (Ufla)
Farmácia e Enfermagem, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal)

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(*) A Esamc Uberlândia aparece na lista do MEC ainda com a antiga denominação de Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação;o nome da instituição mudou e hoje é só Esamc.