Saúde

Revista Mercado Edição 43 - julho 2011

Glaucoma atinge mais de um milhão de brasileiros

POR Margareth Castro

Glaucoma agudo de ângulo fechado: a imagem mostra o quadro de uma crise, uma emergência oftalmológica que, se não tratada rapidamente, leva à perda visual irreversível, parcial ou mesmo total em questão de horas

Doença não tem cura, mas pode ser controlada e, para isso, o diagnóstico precoce e o tratamento regular são imprescindíveis

De repente a visão começa a embaçar, manchas se formam na parte frontal do olho e podem aumentar com o tempo, provocando a cegueira. Esse sintomas são do glaucoma, uma doença causada pela lesão progressiva dos nervos óticos responsáveis por levar os impulsos luminosos ao cérebro e relacionada à alta pressão do olho. A doença atinge mais de um milhão de brasileiros, não tem cura, e o tratamento na maioria dos casos condena o paciente ao uso de colírios para o resto da vida. As cirurgias são pouco recomendadas e indicadas apenas quando o controle regular – através de colírio – da pressão não dá certo.
Segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 1% a 2% da população acima de 40 anos tem glaucoma, o que representa a segunda causa de cegueira no mundo e a terceira no Brasil. Doenças como diabetes, hereditariedade, miopia e lesões oculares são as principais causas.
O diagnóstico da doença é feito através da consulta oftalmológica, que mede a pressão intraocular e verifica o fundo de olho para observar alterações no nervo ótico que são compatíveis com dano glaucomatoso. Após a consulta inicial, nos pacientes suspeitos de glaucoma e comprovadamente com glaucoma, o médico pede exames complementares que confirmam o diagnóstico.

O oftalmologista Walmir Pires diz que nem sempre é fácil convencer o portador de glaucoma da importância do tratamento. A doença não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos

O médico oftalmologista Walmir Pires diz que convencer o portador de glaucoma da importância do tratamento nem sempre é fácil. Isso porque a doença não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos e um tratamento regular. Também é possível melhorar o quadro com cirurgias.  Segundo o médico, o tratamento é feito em mais de 90% dos casos com uso de colírios específicos, que controlam o aumento da pressão e com isso estabilizam a doença, evitando assim lesão ao nervo ótico e, consequentemente, a perda de campo visual, que se não tratada pode levar à cegueira irreversível.
Walmir Pires diz que as últimas gerações de medicamentos que tem maior eficácia no controle do glaucoma ainda estão com valor muito alto e de difícil acesso à parcela mais carente da população. Em relação à cirurgia, o procedimento só é indicado quando não se consegue o controle com o uso de medicamentos. “O tipo de cirurgia depende de alguns fatores do globo ocular, como anatomia interna, presença de catarata associada e outros”, explicou.

“O tipo de cirurgia depende de alguns fatores do globo ocular, como anatomia interna, presença de catarata associada e outros”

O produtor rural Jonas Rodrigues, 74 anos, morador no município de Prata, no Triângulo Mineiro, disse que descobriu a doença há cerca de 8 anos, após um acidente na fazenda. “Machuquei o olho no arame e tive que procurar um oftalmologista. Na consulta, descobriu-se que a pressão do olho estava alta e que eu tinha glaucoma”, contou.
Jonas Rodrigues chegou a ser operado de catarata e hoje, por causa do glaucoma, usa colírio duas vezes ao dia para controle da pressão intraocular. Ele diz que é o primeiro caso da doença diagnosticado na família, mas convive bem com o glaucoma, pois faz o controle necessário. “Uso o medicamento e vou ao médico duas vezes por ano. A doença não me atrapalha em nada, minha visão é perfeita, tanto que viajo cerca de 1,2 mil quilômetros até a fazenda constantemente”, disse.

Prevenção é a melhor alternativa de combate ao glaucoma

Uma das principais estratégias de combate ao glaucoma é feita por meio da prevenção às doenças que causam o problema.  De acordo com o oftalmologista Walmir Pires, após os 40 anos, as pessoas devem consultar o médico anualmente e fazer exames com regularidade, mesmo que enxerguem bem. Pessoas que têm casos da doença na família correm maior risco do que aquelas que não têm e exigem cuidados especiais, pois o caráter hereditário é importante para o desenvolvimento da doença, particularmente o glaucoma crônico.

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, comemorado em 26 de maio, foram divulgados pelo Ministério da Saúde os avanços na assistência aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  Em 8 anos, de janeiro de 2003 a março deste ano, foram realizados no SUS mais de 3 milhões de atendimentos a pacientes com glaucoma, entre exames, consultas e cirurgias. Nesse período, a assistência para esses brasileiros cresceu 145 vezes, saltando de 10.150 procedimentos para 1.472.675. O investimento aumentou quase 300 vezes, passando de R$ 294 mil, em 2003, para R$ 87 milhões.
Na rede pública de saúde do país, quase dois mil estabelecimentos prestam atendimento oftalmológico gratuito à população, incluindo assistência para pacientes com glaucoma. Ao longo dos anos, foram introduzidas novas medidas de assistência aos pacientes com glaucoma, desde a oferta de colírios até cirurgia, quando necessária.
Desde o ano passado, esse atendimento também é garantido por meio do Aqui Tem Farmácia Popular, pois o medicamento maleato de timolol foi incluído na lista dos produtos do programa, desenvolvido em parceira com a rede privada de farmácias e drogarias.  Nesse programa, a população tem descontos de até 90% na compra de medicamentos e outros produtos. De acordo com o Ministério da Saúde, só de janeiro a março deste ano, a oferta do colírio maleato de timolol aumentou quase 84% nas unidades credenciadas ao programa.

“As maiores dificuldades do paciente com glaucoma se referem ao custo do tratamento”

Walmir Pires explica que as maiores dificuldades do paciente com glaucoma se referem ao custo do tratamento, mas, segundo ele, esse problema está diminuindo (por causa das novas medidas de assistência aos pacientes na rede pública de saúde, já citadas anteriormente).
O médico explica ainda que as últimas gerações de medicamentos, que tem maior eficácia no controle do glaucoma, ainda estão com valor muito alto e são de difícil acesso à parcela mais pobre da população. Wlamir Pires disse que a cirurgia só é indicada quando não é possível controlar a doença com o uso de medicamentos. “O tipo de cirurgia depende de alguns fatores do globo ocular, como anatomia interna, presença de catarata associada e outros. Por isso, caber ao médico orientar bem o paciente, pois a doença em sua fase inicial é assintomática”, concluiu.

Glaucoma – saiba mais sobre a doença
Pessoas com histórico familiar têm cerca de 6% de chance de desenvolver a doença;
Os diabéticos e negros são mais propensos a desenvolver o glaucoma de ângulo aberto;
O glaucoma de ângulo aberto não apresenta sintomas e o paciente não sente dor e perde lentamente a visão;
Os asiáticos têm maior tendência a desenvolver o glaucoma de ângulo fechado;
O glaucoma de ângulo fechado causa um rápido aumento da pressão do olho e os sintomas podem incluir dores oculares, dores de cabeça intensa e olhos avermelhados;
Na população com mais de 50 anos de idade, as principais causas de cegueira são a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração muscular.

Fonte: Ministério da Saúde