Economia

Revista Mercado Edição 37 - dezembro 2010

FIEMG divulga Balanço da Economia

DA Redação

Apesar de alguns problemas no horizonte; como a questão cambial, a política fiscal, e as altas taxas tributárias, as perspectivas para 2011 são otimistas, assim como a expectativa dos empresários mineiros. Em linhas gerais, essa foi a conclusão do Balanço da Economia Brasileira e Mineira em 2010 e Perspectivas para 2011, apresentado dia 17 na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) em Belo Horizonte. O estudo foi apresentado pelos diretores da instituição, Olavo Machado Jr. (presidente), Guilherme Velloso Leão (gerente de Economia) e Lincoln Gonçalves Fernandes (presidente do Conselho de Política Econômica Industrial). “O quadro é otimista, mas é preciso estar alerta para evitar o risco de desindustrialização e manter a competitividade dos produtos brasileiros”, analisou o presidente Olavo Machado Jr.

O presidente do Sistema FIEMG, Olavo Machado Jr.

Em sua análise, o gerente de economia, Velloso Leão, falou sobre o cenário externo, que considera ainda bastante instável. Nos Estados Unidos, disse ele, houve melhora no consumo, mas o crédito está fraco e não há sinal de retomada dos investimentos. Na Europa, a economia apresenta um quadro de estagnação, o que a faz ser vista como o maior risco no panorama internacional, principalmente considerando-se a situação de recessão e fragilidade fiscal de alguns países (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). O Japão demonstrou uma recuperação considerada surpreendente (3%), mas está perdendo dinamismo. “A economia está sendo puxada pelos BRICs. A China cresceu 10,5%; a Índia, 9,7%; o Brasil, 7% e a Rússia, 4%”. Mas EUA, União Europeia e Japão respondem por 60% do PIB mundial. Se esses países apresentam crescimento reduzido, não podemos esperar grandes saltos em 2011”, ponderou.
Dando prosseguimento em sua análise, o gerente de Economia avaliou que o ano de 2010 foi excelente para a economia brasileira. Após uma queda de 0,6% em 2009, o PIB nacional deve alcançar um crescimento de 7,6% neste ano, um recorde histórico. O grande impulso para a recuperação veio da indústria. De janeiro a setembro, o setor cresceu 13,1%, comparado a igual período em 2009. Para 2011, porém, o crescimento deve ser menor, ressalva Velloso Leão, cerca de 4,5%. Os motivos são a base de comparação com 2010, a possível elevação da taxa de juros, a contenção do crédito e a questão cambial. “O consumo das famílias foi um forte fator de crescimento. Os empresários também contribuíram, mantendo os investimentos a partir de uma visão de longo prazo”, disse.

O gerente de Economia da FIEMG, Guilherme Velloso Leão, demonstra preocupação com as políticas fiscais que serão adotadas no próximo governo, cujos gastos aumentaram muito nos últimos anos

Segundo ele, outro ponto preocupante são as políticas fiscais que serão adotadas no próximo governo, cujos gastos aumentaram muito nos últimos anos. Houve um crescimento de 26% na comparação de janeiro a outubro de 2011 com igual período de 2010. É um número muito alto para um país que precisa da poupança externa e de reduzir gastos, avalia o presidente do Conselho de Política Econômica Industrial da FIEMG. “O Brasil tem focado muito na política monetária e não na fiscal. País que gasta muito e tem que buscar capital lá fora está se fragilizando. Isso pode gerar riscos sérios para a indústria brasileira”, alertou.
Se a economia brasileira vai bem, a mineira vai melhor. Em 2010, o PIB da economia mineira encerra o ano com um crescimento de 8,8%. Da mesma forma que a nacional, o setor que mais contribuiu para o desenvolvimento do estado foi o industrial. Apresentou um crescimento de 19,5% no segundo trimestre deste ano. As exportações também são um retrato deste bom ano. No período de janeiro a outubro de 2010, as exportações brasileiras cresceram 29,7% contra 56,2% das vendas externas de Minas em relação ao mesmo período de 2009.
Quanto à indústria mineira, a produção física do estado registrou acréscimo de 16,9% no acumulado do ano até outubro. As projeções são para que Minas termine este ano com aumento de 12,1% na produção física e, em 2011, tenha um acréscimo de 6,1%. O setor de máquinas e equipamentos mostrou a maior variação positiva (52,73%), o que confirmou a recuperação da economia e a retomada dos investimentos. O emprego na indústria de transformação também confirma o bom momento. De janeiro a outubro, o emprego no setor expandiu 10,6%, enquanto na indústria brasileira o acréscimo foi de 5,4%.