Entrevista

Revista Mercado Edição 35 - outubro 2010

Um sonho que virou realidade

POR Isabella Peixoto (Ares)

Um dos fundadores de uma das instituições de ensino de maior renome na região de Uberlândia, o professor Thomé Caires, deu os primeiros passos rumo à realização de seu grande sonho em 1985, abrindo com outros colegas um curso supletivo e depois batalhando para criar uma escola onde as crianças pudessem ser educadas desde cedo. Começava assim a estruturação dos alicerces do hoje Colégio Nacional. Porém, a tarefa não foi tão fácil assim. O primeiro semestre começou com cerca de 100 alunos e acabou com apenas 20. Mas essa “ducha fria” não seria suficiente para que desistissem. Resolveram então montar redes de relacionamento, grupos de estudo, sessões de motivação, encontros festivos nas casas dos alunos, tudo para fazer com que a turma não desistisse de seus estudos. Crescimento, amadurecimento, necessidade de se expandir, tudo veio há seu tempo.
Hoje o Colégio Nacional é dotado de uma moderna e completa estrutura física e profissional, estando presente, além de Uberlândia, em outras três cidades da região: Araguari, Ituiutaba e Catalão, essa última na divisa de Goiás com Minas.
Agora em 2010, ano em que o Nacional completa 25 anos de fundação, o colégio alcançou o auge no que se refere à estrutura de ensino, sendo que cada um dos níveis de educação tem seu espaço próprio. A marca Nacional é hoje referência no setor de ensino, unindo uma sólida experiência à consolidação como uma escola completa, atendendo desde a Educação Básica. Em entrevista exclusiva, o próprio cofundador e atual diretor do Colégio Nacional, Thomé Caires, fala um pouco mais sobre essa instituição que ajudou a criar – e que hoje administra – e também do mercado da educação no Brasil, de comportamentos, do futuro e da concorrência existente no setor.

Revista Mercado Uberlândia: Usando de sua experiência prática como gestor de uma instituição que atua com educação, como o senhor analisa o atual quadro da educação no Brasil?
Esta pergunta é bastante complexa. Podemos pensar na Educação Pública, que tem imensos desafios a serem vencidos no âmbito da qualidade da universalização da Educação Básica, no avanço do Ensino Superior, que também está muito aquém das necessidades do país de primeiro mundo que queremos construir e podemos pensar ainda na grande possibilidade que está reservada para o crescimento da rede privada de ensino e na necessidade cada vez maior de uma política de estado para a educação. Olhando para o nosso caminhar, vejo um cenário de muitos desafios do ponto de vista da consolidação de um projeto calcado no trinômio: qualidade, inovação e brasilidade.

Revista Mercado Uberlândia: Sabe-se que um dos grandes desafios do país é melhorar a formação dos docentes, que precisam reaprender a ensinar diante das novas realidades e práticas de ensino. O que o senhor tem a dizer sobre essa questão e qual a melhor forma de se fazer isso?
Os professores, como todos os profissionais de qualquer área, precisam de formação continuada. Estudar sempre, buscar atualização dos conceitos, novas possibilidades metodológicas, utilizar todas as ferramentas tecnológicas disponíveis, compreender melhor a si mesmo e pensar a nova geração de crianças, adolescentes e jovens são os maiores desafios. As escolas têm que proporcionar aos profissionais a possibilidade dessa preparação dentro e fora de seu ambiente e investir cada vez mais em formação.

Revista Mercado Uberlândia: Para alguns educadores foi evolução, para outros, retrocesso. E o senhor, como vê o sistema de progressão continuada?
Progressão continuada ou progressão automática? Porque o que temos observado é a progressão automática, ou seja, o fim da reprovação. Acontece que isso não pode acontecer por decreto. Reprovar um aluno e fazer com que ele repita uma série tem que ser realmente a última alternativa, depois de todas as possibilidades de recuperação continuada, valorizando o esforço do aluno. Agora, aprovar por aprovar, porque reprovar é um crime, sou totalmente contra, pois transmitimos uma mensagem de esforço zero e isso consiste num grande equivoco.

Revista Mercado Uberlândia: Alguns professores reclamam que, com o sistema de ciclos, perdem um instrumento de pressão sobre a turma, que é a prova. Como manter o interesse dos alunos sem que exista a necessidade do esforço para a aprovação?
A avaliação deve ser uma ferramenta para medir a aprendizagem: provas, trabalhos, arguição oral… O instrumento tem que ser pensado para cada situação. Nessa educação conteudista que o sistema educacional preconiza, principalmente no ensino médio, a avaliação ainda fica muito presa às provas. A grande questão é como ter os alunos motivados, interessados e estudando o que é proposto pelo professor. A avaliação não pode ser um acerto de contas, mas deve ser um meio de medir o desempenho de professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem.
Revista Mercado Uberlândia: Mudando o foco da entrevista, a instituição que o senhor administra está completando 25 anos. Durante esses anos, qual foi o maior aprendizado que o senhor teve?
O maior aprendizado é que educação é um ato de amor e amar é lutar, perseverar, sonhar.

Revista Mercado Uberlândia: Como nasceu o Colégio Nacional?
O Colégio Nacional veio do Ensino Supletivo, que ajudou algumas centenas de jovens e adultos que perderam a idade escolar a recuperarem sua escolarização, pessoas de vinte e poucos, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta e poucos anos, que recuperaram com seus diplomas de primeiro e segundo graus, na época, sua autoestima e ampliaram suas possibilidades, melhorando a empregabilidade e sua qualidade de vida.

Revista Mercado Uberlândia: Assim como a educação no Brasil, o Nacional viveu altos e baixos ao longo desses anos. Um dos percalços foi a concorrência. Inclusive, há alguns anos teve a chegada de uma grande rede de ensino a Uberlândia, vinda de São Paulo, fato que para muitos iria “matar” muitas instituições que operavam na cidade. Isso não aconteceu com o Nacional, pelo contrário, de lá pra cá a sua instituição até ganhou mais impulso e cresceu acima de qualquer expectativa. Como o senhor explica esse fenômeno?
Vou dizer assim: toda organização que tem claro o propósito de sua existência não abre mão de seus princípios, não negocia seus valores. O Nacional sempre teve isso muito bem enraizado e, por isso, sempre se reinventou em momentos difíceis. Sem perder o rumo, as crises são uma grande oportunidade de crescimento, assim sempre seguimos em frente.

“(…) a avaliação não pode ser um acerto de contas, mas deve ser um meio de medir o desempenho de professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem”

Revista Mercado Uberlândia: Qual você considera que seja o diferencial do Nacional em relação aos demais colégios?
O Nacional é uma escola que acredita e investe nas pessoas, assim sempre está inovando sua metodologia, dialogando de modo sempre atual e contextualizado com o seu público em todos os níveis de ensino. Qualidade traz resultado e gera reconhecimento.

Revista Mercado Uberlândia: O mercado da educação em Uberlândia vem crescendo constantemente. O que é necessário para se destacar?
Estar sempre se reinventando, nunca acreditar que está bom, porque sempre há o que aprender e melhorar.

Revista Mercado Uberlândia: Falando em tendências, o Nacional hoje tem um twitter e um site sempre atualizados com notícias do Colégio e dicas para os alunos. Você considera a internet e as redes sociais importantes na consolidação de um relacionamento mais amplo com o aluno?
É impossível pensar em se relacionar com o público de maneira contextualizada e atual sem reconhecer a importância da Internet e das redes sociais e sua influência no avanço da ciência e da tecnologia. Somos uma escola que acredita nisso.

“(…) toda organização que tem claro o propósito de sua existência não abre mão de seus princípios, não negocia seus valores”

Revista Mercado Uberlândia: Embora seja válido considerar e valorizar a linguagem usada na Internet, você acha que o professor deve aceitá-la em trabalhos e provas? Não seria melhor explicar aos alunos que cada linguagem tem seu espaço e momento de uso?
É preciso ensinar o aluno a ser adequado: linguagem certa no lugar certo. A linguagem formal e a informal têm hora e lugar para serem praticadas, e as pessoas inteligentes e preparadas saberão fazê-lo.

Revista Mercado Uberlândia: Vocês têm trabalhado muito em cima da formação de cidadãos conscientes. Você acredita que os alunos levem esses ensinamentos para toda a vida?
Temos recebido esse feedback o tempo todo. As pessoas, mesmo depois de formadas no ensino superior, lembram da escola com carinho e sempre comentam que esses ensinamentos foram os mais importantes. Nesse momento em que estamos recadastrando nossos ex-alunos por conta da comemoração de 25 anos, isso tem ficado cada vez mais evidente. Muitos de nossos ex-alunos, hoje com filhos pequenos, trazem seus filhos para o Nacional por causa dessas crenças… E por falar nesse recadastramento, seria impossível ter o alcance que estamos tendo sem a utilização das redes sociais, estamos refazendo contato com ex-alunos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

“É preciso ensinar o aluno a ser adequado: linguagem certa no lugar certo. A linguagem formal e a informal têm hora e lugar para serem praticadas”

Revista Mercado Uberlândia: Como o senhor avalia a violência nas escolas, o papel do professor, a diferença entre violência e indisciplina e como a escola pode administrá-las?
A sociedade está violenta, a violência na escola é só consequência disso. Temos que trabalhar para diminuir as desigualdades e a educação é a matéria-prima dessa possibilidade. Por isso mesmo temos que ter um grande investimento na educação, um grande investimento nos profissionais da educação, para que cada vez mais as escolas possam ajudar a equacionar saídas, ampliar a solução dos conflitos dentro e fora das salas de aula. Indisciplina é também provocada pela distância que há entre as necessidades e os anseios da comunidade e o que a escola está proporcionando ao seu público.

Revista Mercado Uberlândia: O Nacional aspira a conquistar novos mercados?
Já atuamos hoje em quatro cidades: Uberlândia, Araguari, Ituiutaba e Catalão. Da Educação Infantil ao ensino pré-vestibular. Estamos nos estruturando para outros passos mais arrojados.

“A sociedade está violenta, a violência na escola é só consequência disso. Temos que trabalhar para diminuir as desigualdades e a educação é a matéria-prima dessa possibilidade”

Revista Mercado Uberlândia: Para finalizar, investir na Educação Infantil foi um passo importante para o colégio, porque agora ele trabalha a educação desde o ensino básico até a preparação para os processos seletivos. Esse projeto é a realização de um sonho?
Sim, chegar aos nossos 25 anos em Uberlândia com espaços exclusivos para ensino infantil e fundamental, ensino médio (1ª, 2ª e 3ª série) e uma unidade que é uma das mais modernas do país em ensino pré-vestibular é motivo de muito orgulho para todos nós que fazemos parte dessa história. Vinte e cinco anos é muito pouco tempo para tantas conquistas. O Nacional é hoje uma referência de ensino na região e uma escola que se projeta para o Brasil. Há um sentimento imenso em todos de orgulho pelo dever cumprido.

Revista Mercado Uberlândia: Teria mais alguma coisa a acrescentar?
Sim, se me permite, quero, em nome do Colégio Nacional, agradecer esta oportunidade e aproveitar para convidar a todos os nossos ex-alunos a se recadastrarem no nosso site – www.nacionalnet.com.br – e virem comemorar conosco esses 25 anos de muita luta, de tantas vidas e muitas alegrias.