Trabalho

Revista Mercado Edição 46 - outubro 2011

De hobby à profissão

Por Ana Paula Horta | Fotos: Henrique Gualtieri

O ex-engenheiro, e agora artista plástico, César Lins

Geralmente, as pessoas escolhem a área de atuação de acordo com suas aptidões, aquilo que chamamos de vocação. Mas pode surgir o interesse por áreas distintas daquela escolhida anteriormente; assim, o que começa como um hobby pode tornar-se uma profissão

O dicionário define profissão como atividade desenvolvida em conformidade com a própria vocação. De fato, quando alguém escolhe a área na qual vai trabalhar por um longo período, e quem sabe até a vida toda, a aptidão é a primeira coisa observada. Contudo, ao longo dos anos, as pessoas adquirem mais experiências e maior maturidade, e podem vir a descobrir interesses em outras áreas. Assim, surgem os hobbies, atividades que geralmente não visam ao retorno financeiro, mas à satisfação pessoal.
Do domínio da arte exata, nasceu o dom para a arte criativa. Foi assim que o engenheiro César Lins tornou-se o artista plástico César Lins. O que, no começo, era um simples hobby, virou trabalho de verdade. E César não deixou de lado os conhecimentos da área de engenharia, pelo contrário, ele os usa para dar vida e forma à sua arte. “Como trabalho com esculturas em metal, os conhecimentos adquiridos na engenharia me permitem criar e materializar minhas criações e projetos”, explica o artista.
E não foram poucas as informações e os conhecimentos técnicos que o profissional buscou na sua primeira formação, a de engenheiro. “Do campo das ciências exatas, trouxe a visão concreta e objetiva que, unida à abstração da arte, me permite ter um espectro amplo e mais rico. As técnicas industriais, tal como usinagem, soldagem e pintura, assim como os conhecimentos de materiais, me permitem concretizar meus projetos com maior facilidade”, conta.

O que antes era apenas um hobby tornou-se uma profissão consolidada para César Lins

Segundo o artista, para criar esculturas em aço sensíveis à decoração e à arquitetura, a técnica é essencial na hora de traduzir o que ele capta do ambiente ou da necessidade do cliente: “A arte, na verdade, é a materialização da expressão humana, das suas emoções e percepções. Sendo assim, a técnica é fundamental para recriar de forma fidedigna as necessidades e intenções do artista”.
Para César, ter conhecimentos em outro campo é excelente para o pleno desenvolvimento do seu trabalho: “Esses conhecimentos agregam valor ao trabalho do artista, imprimindo nas obras determinadas características que as tornam mais ricas e completas. Como atuo em campos completamente opostos – engenharia e arte -, consigo ter uma visão mais completa das questões que permeiam, principalmente, o deslocamento entre o concreto e o abstrato, peculiaridade que proporciona equilíbrio e serenidade na hora de idealizar as esculturas”, encerra.

Título: #98 Dimensão: 55x27x27 cm Material: aço pintado - amarelo Ano: 2009 Série: 12 Cod.: #98