Agronegócios

Revista Mercado Edição 53 - agosto 2012

Cultivo do girassol ganha espaço no Triângulo Mineiro

Por Érica Goulart (Ares)

Agronomicamente perfeito, o girassol é reciclador de nutrientes, resgata o potássio, descompacta o solo e tem efeito alelopático sobre certas ervas daninhas, como o capim massambará

Plantação de girassóis às margens da Rodovia MG-154, no município de Cachoeira Dourada, no Triângulo Mineiro, dividindo espaço com sorgo (à frente) e cana-de-açúcar (ao fundo)

O sorgo e o milho ocupam normalmente a preferência dos agricultores da região do Triângulo Mineiro no plantio da entressafra, período compreendido entre os meses de janeiro e meados de março, também conhecido como plantio de safrinha. No entanto, em 2012, uma outra cultura começa a ganhar espaço: o girassol. Um dos responsáveis pela ascensão do cultivo dessa planta é a Cia da Terra, que começou a incorporar o girassol junto a alguns produtores utilizando a tecnologia das sementes da Syngenta, empresa que mantém um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Uberlândia. Por consequência, a cultura do girassol no Triângulo possui hoje uma área plantada de 1.500 hectares, com perspectiva de chegar a 6.000 até a segunda safra de 2013.
O girassol apareceu como alternativa rentável e bastante segura para a entressafra de culturas como soja e milho no fim dos anos 1990. É uma planta que não exige muitos cuidados e pode ser colhida com o mesmo maquinário e mão de obra utilizados na colheita principal. Outra vantagem é que ele diminui a incidência de pragas, doenças e ervas daninhas e pode ser incorporado ao solo como adubo.

O coordenador técnico em sementes da Cia da Terra, Antônio Donizete, diz que o crescimento da oferta de genótipos de soja superprecoce favoreceu o produtor rural na realização da safrinha, e é aí que o girassol se apresenta como excelente alternativa

O interesse nessa cultura é crescente, pois com o crescimento da oferta de genótipos de soja superprecoce, abre-se uma janela para a realização da segunda safra, ou safrinha. “A participação dessa cultivar cresceu muito no ano agrícola 2012/13, abrindo uma janela de plantio enorme para a segunda safra de 2013, já que os resultados apresentados na safrinha de 2012 pelo girassol foram muito interessantes, deixando os agricultores ansiosos com essa nova alternativa”, informa Antônio Donizete, coordenador técnico em sementes da Cia da Terra.
A Embrapa já desenvolve genótipos de girassol que, além de elevado teor de óleo, possuem ciclo precoce e semiprecoce e uma imensa capacidade de adaptação a diferentes estados do país. Outra grande vantagem já comprovada pelos pesquisadores é a resistência à seca. O girassol necessita de um nível de chuvas entre 500 e 700 milímetros por ano, e a raiz alcança cerca de dois metros no subsolo. Sendo assim, a planta se desenvolve bem no cerrado.

Girassol x milho x sorgo

Em comparação com o sorgo e o milho, o posicionamento de plantio do girassol não concorre com a cultura do milho, mas sim com a do sorgo, tendo as mesmas características em relação ao uso da água do solo. O investimento para a produção de girassol é basicamente igual ao do sorgo e inferior ao do milho, por não necessitar de muito uso de nitrogênio. No entanto, dependendo do planejamento do agricultor, as três culturas podem ser cultivadas. “Existe espaço para o plantio de milho, logo em seguida girassol, e até o sorgo. O girassol deve ser uma alternativa para o sistema, ou seja, devemos investir em uma lavoura na qual a base de cotação e preços futuros não seja a mesma. Sorgo e milho têm a mesma base de preços, estando atrelados, já o girassol acompanha a cotação internacional do óleo de soja e é isso que atrai os agricultores ”, explica Donizete.
O grande destaque do girassol é sua forma de comercialização. Hoje, o agricultor que opta por investir nessa lavoura faz uma fixação de preço futuro, com opção de troca de todos os insumos usados na cultura. O que rege o preço futuro é o mercado internacional. Para o milho e o sorgo, os modelos de hedge no Brasil são pouco eficazes, o agricultor fica à mercê da lei de mercado, demanda e oferta. Assim, a planta abre um grande horizonte para o agricultor investidor, que deseja saber antecipadamente qual é a remuneração do seu capital investido. Segundo Antônio Donizete, nesta última safra, a produtividade foi de cerca de 30 sc/ha, a rentabilidade líquida foi superior à do milho e à do sorgo, além da garantia de comercialização fixada por meio de contrato com a trading.
Sorgo e milho têm venda garantida na região. Como o girassol ainda é uma novidade, a Cia da Terra também intermedeia a venda da produção. Quase sempre, a colheita se destina à produção de óleo de girassol, que está sendo cada vez mais procurado pelos consumidores pelo baixo teor de gordura saturada e trans. Também já é utilizado na produção de biodiesel e substitui grãos na alimentação de gado. “A Cia da Terra participa do planejamento dos clientes, desde o início da primeira safra até a safrinha. Recomendamos uma adubação adequada a cada gleba e cultura; ciclo dos cultivares de soja escalonando época de plantio e colheita; manejo de ervas daninhas, insetos e doenças, além de acompanhar o mercado futuro, repassando essas informações aos produtores. Aliado a tudo isso, conduzimos junto às tradings a pré-fixação da lavoura, para garantir ao investidor agrícola o sucesso da boa safra”, conclui Donizete.

Girassol – por que plantar
O girassol, por ter suas raízes do tipo pivotante, promove uma considerável reciclagem de nutrientes, além da matéria orgânica deixada no solo com sua morte; as hastes podem originar material para forração acústica e, junto com as folhas, podem ser ensiladas, promovendo uma adubação verde.
Das flores podem ser extraídos de 20 a 40 quilos de mel/hectare.
Elas originam as sementes, que podem ser consumidas pelo homem e pelos animais.
Também usado em adubação verde, devido a seu desenvolvimento inicial rápido, à eficiência da planta na reciclagem de nutrientes e por ser um agente protetor de solos contra a erosão e a infestação de invasoras.
Valor de mercado: na safra deste ano (2012), o valor da saca de 60 kg saltou de R$ 42 em 2011 para R$ 55, cerca de 25% a mais.
Valor de mercado: na safra deste ano (2012), o valor da saca de 60 kg saltou de R$ 42 em 2011 para R$ 55, cerca de 25% a mais.

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