Entrevista

Revista Mercado Edição 36 - novembro 2010

Cora Caparelli A mulher que ditou o ritmo da música em Uberlândia

POR Adriana de Faria/Fabiana Barcelos (Ares)

Possivelmente todas as pessoas ligadas à arte e à cultura – e, especificamente, à musica – que vivem em Uberlândia e região já conhecem ou no mínimo ouviram falar do Conservatório Estadual de Música. É um grande empreendimento, que dispõe de um conjunto de instalações destinado a atividades da música, artesanato e expressão corporal, possui galeria de artes, sala de multimeios e biblioteca, e existe graças a uma pessoa que atende pelo nome de Cora Pavan Capparelli – sua fundadora – que em dezembro completa 85 anos, com uma vida praticamente quase toda dedicada à música e à cultura como um todo. Dedicação essa que acabou por contagiar muita gente da família e que sempre contou com o apoio irrestrito do esposo, o médico Vitório Caparelli, com o qual tem três filhos, oito netos e dois bisnetos. Uma das filhas de Cora trabalha no meio musical, onde é doutorada, juntamente com o marido, que é violinista. Das netas, uma já é doutora em viola clássica. Outra, que estuda em uma universidade próxima a Los Angeles, toca violino e está quase concluindo a graduação.
É essa grande mulher e personalidade dos meios cultural e musical a entrevistada desta edição da Revista Mercado. Dona Cora fala sobre a música em Uberlândia, do conservatório, de filantropia e ainda de planos para o futuro.

Revista Mercado Uberlândia: Como defini-la sob o ponto de vista da música?
Eu me considero uma musicista, professora de piano e de canto, porque fiz curso e trabalhei a minha vida inteira ensinando piano e canto. E, principalmente, sempre fui muito preocupada com a juventude e com a formação profissional dos jovens. No começo, lecionei particularmente na minha casa por dez anos. Daí, então, senti que precisava fundar uma escola, em virtude da profissionalização dos jovens que estudavam comigo.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora se formou quando? Quando é que começa essa história?
Eu me formei em 1946, no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Saí de Uberlândia com 17 anos, fui morar num pensionato e estudei piano e ao mesmo tempo fiz vestibular para a PUC, onde me graduei em Geografia e História. Era uma época em que começava a ter cursos especiais para jovens, havia cursos só para mulheres nas escolas superiores de São Paulo. Então, estudei de 1943 até 1946. Era uma época muito diferente da de hoje, morei em pensionato de religiosas, mas podia sair, frequentar o Teatro Municipal, assistir às óperas. Tive, portanto, uma vida ativa, participando de tudo o que podiam oferecer para a juventude estudantil naquele tempo. Fui vice-presidente do Diretório Estudantil do Conservatório, porque o curso superior tinha o diretório estudantil. Convivia muito com estudantes de medicina, de direito, de outras escolas superiores. Foi uma época muito interessante para mim. Mas voltando à música, eu estudei piano, canto, tive professores particulares de canto, fiz muitas aulas com a professora brasileira Madalena Tagliaferro, que morou na França durante muitos anos. Mais tarde, mesmo depois de formada, ia para São Paulo ter aulas de música, canto e piano. Quando tinha já dez anos de magistério aqui em Uberlândia, foi que percebi que precisava profissionalizar alguns alunos que estavam em estágios muito avançados.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora foi para São Paulo, estudou e voltou para Uberlândia. Não tinha escola de música em Uberlândia naquela época?
Não havia uma escola superior em Uberlândia e nem curso fundamental e médio de música, tinha, sim, alguns professores que lecionavam em casa. Escola mesmo não havia nenhuma. Eu fundei a primeira escola de música de Uberlândia, inaugurada no dia 13 de julho de 1957. Para essa escola começar a funcionar, eu me preparei muito tempo e busquei pessoas que trabalhassem junto comigo. Para isso, contei muito com a orientação do ministro da educação da época, o médico Clovis Salgado, casado com uma cantora muito famosa, a dona Lia Salgado. Por causa de o meu marido ser médico, tive facilidade de me aproximar do ministro Clóvis. Tenho muitas cartas dele arquivadas, em que constam muitas orientações que ele me mandou no tocante à fundação do conservatório.

Revista Mercado Uberlândia: Teve o apoio de mais alguém nesse processo?
Eu não podia fundar a escola sozinha, pois aqui em Uberlândia, formada em música era somente eu. Assim, convidei um colega de Uberaba formado em Belo Horizonte, o professor Alberto Frateschi, que concordou em trabalhar aqui em Uberlândia comigo. Trabalhamos juntos por muitos anos. Foi um apoio muito grande que tive, facilitado por ele ser afilhado de batismo do meu pai, que tinha muito amizade com a família dele. Foi esse um dos pontos que favoreceu que ele viesse lecionar aqui. Ele vinha toda semana e passava dois dias em Uberlândia dando aula desde que abri a escola.

Revista Mercado Uberlândia: Quais foram as primeiras aulas?
Piano, violino, violão, acordeon e canto. É bom ressaltar também o apoio do prefeito de Uberlândia, na época, o senhor Afrânio Rodrigues da Cunha.

Revista Mercado Uberlândia: A escola já começou no bairro Brasil?
Não. Quando fundada, ela funcionou em um apartamento na avenida Afonso Pena, de frente para a atual localização do prédio do Banco Brasil. Depois, por se tratar de um imóvel alugado, fomos nos mudando para muitos lugares. A escola crescia e a gente tinha que alugar um novo espaço. Por isso, a escola esteve na Tenente Virmondes, na João Pinheiro, na Santos Dumont… À medida que a escola ia crescendo, fui comprando mais pianos. Havia começado com três, que eram todos meus. Tínhamos ainda acordeon, também lecionei acordeon. Contratei um professor de violão. Mas foi por ocasião da inauguração do Uberlândia Clube que se mudaram para a cidade alguns músicos para que o clube pudesse ter um grupo orquestral. Era um conjunto pequeno, porém havia um senhor que tocava piano e acordeon e outro que tocava violino. O acordeonista e pianista era o professor Jean Carlos Beviláqua, que ainda mora em Uberlândia, uma pessoa que toca muito bem e com quem até hoje mantenho grande amizade. Lastimavelmente, o professor de violino, do qual também fui grande amiga, faleceu. Mas ele lecionou muitos anos no conservatório.

Revista Mercado Uberlândia: E o conservatório?
Fundei o conservatório na minha casa, juntamente com três jovens que lecionavam comigo. Nessa época tínhamos 82 alunos. Essas jovens são Vanda de Lima, Terezinha Pessoa Mendes e Selma Sanches. Lecionávamos inicialmente ainda como escola particular, na minha casa. Depois que começamos com o conservatório, em poucos dias passamos a ter mais de cem alunos. Esse número foi aumentando cada vez mais. Cerca de dois anos depois a escola já tinha em torno de 400 alunos. Ainda era paga mensalidade, porque eu não tinha como pagar os professores se eu não cobrasse. Cobrava um valor razoável e os alunos foram aparecendo e estudando. Foi numa época em que se compraram muitos pianos em Uberlândia. Mas o violão, o violino, muita gente também estudou, foi muito interessante.

Revista Mercado Uberlândia: E como foi a mudança da escola particular para o conservatório do Estado?
A resposta é longa. Nós trabalhávamos o mês inteiro, recebíamos a contribuição dos pais dos alunos, mas os encargos trabalhistas eram altos. Tínhamos que pagar o ordenado dos professores mais os encargos trabalhistas, como INSS, FGTS, etc. Isso fazia com que no fim do mês a escola não tivesse sobra nenhuma, nem que fosse para se pensar em comprar um lugar para a escola. A gente não tinha sobra para nada que não fossem as despesas orçadas. Ao mesmo tempo, a cidade estava crescendo e apareceram as outras escolas superiores. Fundei o conservatório como uma escola de ensino fundamental, médio e superior. O Ministério da Educação logo nomeou um inspetor para o curso superior, quase que automaticamente. O primeiro inspetor foi o senhor Aniceto Marcheroni, que era um professor do Colégio Estadual. Logo depois tivemos outros inspetores. E o Ministério da Educação mandava pessoas para acompanhar o nosso trabalho. Então, uma ou outra sempre me perguntava por que não estadualizar, já que havia outras escolas superiores na cidade que tinham começado todas como escolas isoladas. Havia as escolas de direito, economia, administração, depois vieram engenharia e medicina. Assim, os políticos que trabalhavam aqui começaram a pensar que logo Uberlândia teria uma universidade, e eu fazia parte das discussões. Toda vez que havia reuniões para tratar do desenvolvimento do ensino na cidade eu era convidada. Então comecei a questionar meu pai se não seria interessante eu doar o ensino fundamental e médio para o governo de Minas Gerais, pois naquela época já havia muitos conservatórios estaduais. Tinha em Diamantina, que fora fundado pelo ex-presidente Juscelino Kubitsheck, tinha em Rio Branco, em Porto Alegre. Havia outros conservatórios e todos eles administrados pelo governo estadual. Uberlândia tinha três deputados estaduais entre os anos de 1960 e 1962, eram eles o Dr. Homero Santos, o Dr. João Pedro e o Dr. Valdir, e tanto eu como o meu pai tínhamos muita amizade com eles, principalmente com o Dr. Homero Santos – eu fui colega de uma irmã dele quando fiz o curso ginasial, e de outra fui ainda amicíssima. Então, os procurei para que me dessem uma ideia para, quem sabe, conseguir doar o acervo da escola para o governo de Minas e assim conseguir a encampação para que se transformasse em uma escola também estadual. Diante disso, procurei o Sr. Jacy de Assis e o Dr. Juarez, ambos diretores de duas escolas superiores em Uberlândia. Eles me deram um grande apoio. Perguntaram se eu doaria também o acervo da escola superior. Quando fossem fundar a universidade de Uberlândia o curso superior de música iria pertencer também à universidade. Assim, na medida em que foi crescendo a ideia, eu fui acompanhando o processo. Estive muitas vezes em Belo Horizonte, deixei o projeto com os três deputados estaduais e também com o Dr. Rondon Pacheco, que era deputado federal e depois foi chefe da casa civil do Presidente Costa e Silva. Na época, o Ministério da Educação estava a cargo do senhor Márcio Dutra. Eu viajava tanto, insistia tanto, que acabei conseguindo fazer essas duas doações. Os cursos fundamental e médio foram encampados pela Secretaria da Administração e da Educação e, de 1966 em diante, passou a ser o Conservatório Estadual de Minas Gerais. Era para ter o nome, sugerido por mim, do professor Ladário Cardoso Teixeira, que é um músico que sempre admirei muito. Mas recebeu o meu nome, por causa da doação que eu fiz; só pianos eu doei 18. A biblioteca, que já era bem vasta, doei inteira, musicoteca, todos os instrumentos, vídeos, todos os negativos de fotos que tínhamos naquele tempo. Então eles receberam um acervo bem significativo para a época.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora continua ligada ao conservatório?
Eles me indicaram como diretora, cargo que ocupei até 1988.

Revista Mercado Uberlândia: E à faculdade?
A parte de ensino superior foi para a Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Eu fui a primeira pessoa que assinou a doação e dei mais 8 pianos para a UFU. Nós havíamos feito uma rifa para comprar um piano de cauda aqui para a região. Esse piano é um Stainway, que ainda está lá na UFU, então doei os pianos que tinha. Para que o curso superior fosse reconhecido, tinha que ter uma biblioteca razoável e eu trabalhei muito para conseguir livros, músicas, a parte de musicoteca.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora chegou a dar aulas na Universidade Federal?
Pela Universidade Federal não. Dei aula até 1974, antes da federalização. Eu tenho uma aposentadoria pela universidade, mas não pela federal. Mas nunca me interessei em fazer uma documentação, uma procuração para mudar minha titulação.

Revista Mercado Uberlândia: Quantas gerações de músicos já passaram pelas mãos da senhora?
Não sei. O Conservatório, em 2007, completou 50 anos. E eu ainda dou aulas até hoje, só que aqui na minha casa.

Revista Mercado Uberlândia: Qual o maior orgulho que a senhora tem de todo esse tempo de história?
Sinceramente, orgulho eu não tenho de nada. Eu agradeço muito a Deus de ter conseguido criar as escolas e de ter dado um encaminhamento a elas. Eu reconheço que quem trabalha como professor no Brasil recebe um ordenado muito módico, mas ainda serve para colaborar na manutenção. O conservatório, numa ocasião em que eu ainda era diretora, chegou a ter 178 professores, isso ajudou muita gente. Na UFU também tem muita gente que leciona no departamento de música. Eu também organizei todo o departamento de artes plásticas da UFU, a pedido, quase que uma ordem do ministro de estado de então. Ele falou assim: “olha, eu vou te dar todo o apoio para a senhora conseguir a doação do ensino superior para a universidade, mas eu queria mudar o nome para faculdade de música, em vez de conservatório. Porque vamos fazer uma faculdade de artes. A senhora cria até o fim do ano o curso de artes plásticas. (Era 1968). A senhora faz um curso de licenciatura em desenho e plástica, um curso de desenho plástico, um curso de decoração”. Então eu fiz um curso de comunicação e desenho publicitário, mas trabalhei muito, eu achei que ia ser muito bom para a nossa cidade.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora acompanha a carreira de ex-alunos?
Sempre. Tem um aluno que se graduou estudando piano conosco. Consegui uma bolsa para ele fazer um curso de educação artística no Chile, onde passou um ano. Voltou para Uberlândia, onde foi convidado para lecionar no Curso Superior de Música lá em Goiânia, e eis que eu recebo uma correspondência da Suíça dizendo que havia vagas para professor de educação artística lá. Eu me comuniquei com ele, ele se chama Iramar Rodrigues. Ele tinha uns dólares, foi para a Suíça e tirou o primeiro lugar. Nosso aluno aqui de Uberlândia é professor há mais de 20 anos na Suíça. Eu acompanho os alunos e os trago anualmente para dar cursos em Uberlândia.

Revista Mercado Uberlândia: O que é a Fundação Pró-Música?
Eu me aposentei em 2001 e fundei a Associação Pró-Musica, que já teve muitos sócios, muitas pessoas trabalhando como entidade, mas depois as pessoas estranham ter que pagar mensalidade. Hoje não se cobra, eu faço toda a programação através de temporadas, estamos na 9ª temporada. Não cobro nada dos eventos porque eu consigo isenção de pagamento de impostos.

Revista Mercado Uberlândia: Na música, quem são seus compositores favoritos?
Eu gosto imensamente do nosso brasileiro Villa Lobos, mas gosto também demais de Beethoven, Chopin, Liszt. Tem ainda alguns outros compositores brasileiros que aprecio, como Osvaldo Lacerda. Sou até amiga dele e da Eudóxia de Barros, que é sua esposa. Eu acho que a música, se bem executada, é sempre bonita. Então nós temos algumas peças da nossa preferência, mas toda peça bem executada é boa. Eu admiro imensamente o nosso quase uberlandense Calimério Soares, que mora em Uberlândia e também se formou aqui, na universidade. Eu tive a honra e o prazer de dar aulas para ele, que é um compositor que está se tornando conhecido no mundo todo. Já se aposentou, mas trabalha muito em prol da música de Uberlândia. A esposa dele também é muito dotada musicalmente. Atualmente, tem no YouTube uma batucada do professor Calimério que está fazendo sucesso. E tem a minha filha, que é uma pianista internacionalmente conhecida, que executa com uma pianista americana.

Revista Mercado Uberlândia: O fato de ser mulher ajudou ou atrapalhou em alguma coisa na sua carreira?
Só digo uma coisa. Para eu poder fundar o conservatório e ficar como diretora e ter certa autonomia para poder viajar e cuidar da escola foi preciso meu marido ir comigo ao cartório, em 1957, e me dar uma autorização registrada, senão nada teria sido feito.

Revista Mercado Uberlândia: Teve outras dificuldades?
Sempre contei com muito apoio, tanto da minha família quanto das autoridades aqui da cidade, como prefeitos, vereadores, todos sempre tiveram uma grande consideração por mim. Eu acho que Deus me abençoou muito por ter me permitido realizar o que realizei. Não é nada de extraordinário, mas ao menos está funcionando há muitos anos. O curso superior é um departamento muito conceituado. A gente tem que ter modéstia de pedir o apoio às pessoas. Continuo acompanhando o conservatório. Lá tem um concurso anual de música que leva meu nome, assim como o conservatório, que também leva o meu nome, o que já tentei até mudar. No mais, eu agradeço muito.

Revista Mercado Uberlândia: Como a senhora avalia o interesse do jovem pela música hoje? Mudou com o tempo?
Eu acho que os jovens se interessam muito pela música sim. Mas acho que poderiam se dedicar mais ao conhecimento dela, para que tenham mais convivência com a música de qualidade. O que é tocado hoje não é a melhor música. Para ajudar os jovens, acredito que temos que trabalhar mais para divulgar a boa música. Com o tempo o interesse dos jovens mudou. Quando eu era jovem, ouvíamos música mais baixo, e ela era mais melodiosa, mais agradável. O conceito de música mudou muito. Porém acredito que isso seja uma fase. Tudo no mundo é feito de fases, de tempo. Tenho esperança de que, um dia, a boa música volte a permear nossas vidas. Por hora, faço um alerta: o de que não se ouça música muito alto, pois isso prejudica os ouvidos e a percepção.

Revista Mercado Uberlândia: Sabemos que seu cotidiano é corrido, mas ainda encontra tempo para filantropia. Como consegue?
Sou muito preocupada com o meu próximo e com a situação da mulher no mundo atual. Por isso, acho muito importante termos um pouco de tempo para estudarmos a vivência da mulher, as necessidades e o posicionamento delas no mundo de hoje. A mulher tem um papel importante na educação. Não consigo me desvincular desse tipo de problema, por esse motivo eu, sempre que possível, tenho encontros com as pessoas que precisam. E isso me ajuda muito também, pois eu conheço mais de outros assuntos. Além de ajudar, em troca eu saio ganhando, pois adquiro novos conhecimentos, pois trocamos pontos de vista. Isso é viver a filantropia atualmente.

Revista Mercado Uberlândia: A senhora se sente realizada? Falta alguma coisa na sua vida?
Tenho realizado boa parte daquilo que idealizei, que sonhei. Mas como estou viva, sempre há mais alguma coisa que minha imaginação, minha inteligência e meus ideais buscam. Se eu viver mais um pouco desejo realizar outras coisas sim, pois penso que eu ainda não concluí tudo. Há ainda outros planos e vou abrir um deles pra vocês. Tenho vontade, por exemplo, de escrever um livro sobre a minha infância, sobre os meus primeiros anos de vida. Quero mostrar uma Uberlândia que está na minha memória, no meu coração. Para deixar uma lembrança para minha família e para todas as pessoas que me amam.