Finanças

Revista Mercado Edição 43 - julho 2011

Como quebrar o ciclo do endividamento

POR Paulo Ucelli

Especialista diz que o melhor caminho é negociar e pagar, o que deve começar pelas dívidas maiores; depois, combater as causas e não o efeito, mas para isso é preciso ter educação financeira

A situação é preocupante, pois a inadimplência do consumidor cresceu 8,2% em maio em comparação com o mês anterior, de acordo com a empresa de consultoria Serasa Experian. A dívida com o banco é a principal razão para essa alta da inadimplência, contribuindo com 55% de toda a variação mensal. Mas o que fazer para reverter essa situação? Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro “Livre-se das dívidas” (Editora DSOP), é importante criar uma estratégia para sair das dívidas “A primeira preocupação das pessoas deve ser com as dívidas de juros maiores, como o cheque especial ou o cartão de crédito”.
Entretanto, Domingos alerta que é fundamental negociar essas contas antes de pagar, reduzindo ao máximo os juros e as multas. “O contribuinte também deve ter em mente que é hora de combater as causas das dívidas e não o efeito, e isso só de faz com educação financeira”.
Já para os contribuintes que não têm dívidas, o ideal é investir o dinheiro. Segundo Domingos, nessa hora existem diversos tipos de investidores. “É importante que o investimento esteja atrelado aos objetivos das famílias, que devem ser de curto, médio e longo prazo. Caso contrário, o retorno poderá não ser tão interessante, causando até prejuízos”, relata Domingos, que é presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira.

Reinaldo Domingos, economista: “É importante que o investimento esteja atrelado aos objetivos das famílias, que devem ser de curto, médio e longo prazo

Para Domingos, não faltam indicadores para demonstrar como a população precisa de orientação para lidar com as finanças pessoais. A renda do brasileiro ficou mais comprometida neste ano com o pagamento de dívidas, atingindo 25,8% em fevereiro (número mais recente) – nível mais alto da série do Banco Central, iniciada em julho de 2006. A inadimplência do consumidor que frequenta lojas de shoppings cresceu 3% no primeiro trimestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, segundo a Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop). Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que um em cada quatro universitários adota comportamento de risco com o uso do cartão de crédito, ou seja, atrasam o pagamento, não pagam o total da fatura e têm débitos acima de ou igual a R$ 1 mil. Estudo da Sophia Mind aponta que 54% das mulheres não conseguem guardar nada da sua renda anual para investir e tendem a ser consumistas.
“Muito se fala em sustentabilidade, consumo consciente, responsabilidade social. Embora venha sendo atribuído a esses conceitos uma dimensão muito mais complexa, na essência eles estão imbuídos do sentido de cuidar para assegurar uma condição melhor para se viver. Então, ensinar as pessoas a administrar seus próprios recursos contribui para que elas tomem consciência de que é necessário cuidar bem do que se tem para viver melhor agora e no futuro”, conclui Domingos.

Perguntas fundamentais para se fazer antes de qualquer compra:

- Eu realmente preciso desse produto?
- O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?
- Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá?
- Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?
- Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

Se mesmo diante desse questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente se fazer mais algumas perguntas, como:

- De quanto eu disponho efetivamente para gastar?
- Tenho o dinheiro para comprar à vista?
- Precisarei comprar a prazo e pagar juros?
- Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?
- Preciso do modelo mais sofisticado, ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?